‘Não existe tratamento, é conversa para boi dormir’, diz Fulgêncio sobre Covid-19

‘Não existe tratamento, é conversa para boi dormir’, diz Fulgêncio sobre Covid-19

O secretário de Saúde de João Pessoa, Adalberto Fulgêncio, fez um balanço dos dois primeiros dias de vacinação na Capital, defendeu o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mas criticou a fala do presidente da República, Jair Bolsonaro, durante pronunciamento nesta terça-feira (24) em cadeia de rádio e TV: “Não existe tratamento, isso é conversa para boi dormir”, disse.

A declaração do secretário foi feita em entrevista ao programa Paraíba Verdade da Arapuan FM, nesta quarta-feira (25).

A respeito de Mandetta, Fulgêncio disse que ele não pode cair, pois é quem está passando as diretrizes para os secretários, referindo-se à especulação de que o ministro iria pedir demissão após ter, praticamente, todas as recomendações de saúde, desautorizadas pelo presidente no pronunciamento.

“Não vou politizar, mas imagina se eu tivesse dando essa informação e o prefeito fosse me demitir?’, disse, lembrando medidas controversas do presidente: “tem que ter uma orientação geral, quem está em epidemia extraordinária é os Estados Unidos e não fechamos as fronteiras, fechamos com o Paraguai, Bolívia… Trump agora fecha com a gente, retirando todos os funcionários da embaixada no Brasil”, afirmou e continuou: “O que está na frente é a vida das pessoas, não quero saber se é de esquerda ou de direita, militar ou civil, tem que juntar as forças”.

No pronunciamento, o presidente chamou a Covid-19 de gripezinha e conclamou à população a quebrar as regras de segurança saindo do isolamento social, determinado pela Organização Mundial de Saúde e ratificado anteriormente pelo ministro.

Fulgêncio destacou também que estamos em guerra contra um inimigo invisível e que não tem tratamento. “isso é conversa para boi dormir”, disse. Para o secretário, quem politiza em cima dos erros da Saúde está sendo irresponsável e é preciso fortalecer Mandetta, pois ele é ministro do Brasil.

Covid-19 e vacinação contra gripe – O secretário comemorou os números dos dois primeiros dias, totalizando 29 mil idosos e trabalhadores de saúde, por meio de atendimento domiciliar, drive thrus e nos ginásios.

Ele acrescentou também que houve uma reunião com hospitais da rede pública, privada, filantrópica conveniada ou não, além do Coren, CRM e entidades vinculadas à medicina para juntar-se contra o Covid-19.

“O Coren vai doar R$1,5 milhão para aquisição imediação de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Temos que analisar a eficiência dos testes rápidos, fluxo de regulação dos leitos de UTI e clínicas apenas para o Covid-19. Hoje abrimos 6 UTIs no Santa Isabel, que aos poucos vai se transformar em atendimento só de Covid, mas quem estiver com os sintomas graves da síndrome gripal, deve continuar procurando UPAs e Samu.

Os três óbitos na cidade tiveram a suspeita de Covid-19 descartados nesta terça-feira e os três positivos estão em casa, sendo monitorados e bem de saúde, alertou.

 

 


Marília Domingues