JMJ 2013

Papa ataca egoísmo da classe política e corrupção em discurso

26/07/2013 20:19

Pontífice afirmou durante a representação da via-crúcis, em Copacabana, que muitos jovens perderam a fé nas instituições políticas; vítimas do incêndio da boate Kiss foram lembradas

Papa ataca egoísmo da classe política e corrupção em discurso; veja íntegraUm ataque contra o egoísmo da classe política e sua corrupção, contra o racismo, fome, intolerância religiosa, perseguição ideológica e drogas. Marcando a Igreja com seu estilo, o papa Francisco deu nesta sexta-feira, 26, à via-crúcis um sentido político e social. Na praia de Copacabana, o papa levou milhares de jovens para acompanhar a encenação.

Mas, já deixando claro que seu pontificado dará uma dimensão social ao evangelho, optou por transformar a imagem das estações do sofrimento de Jesus em uma alusão aos desafios atuais da sociedade.

 

"Jesus com a sua cruz atravessa os nossos caminhos para carregar os nossos medos, os nossos problemas, os nossos sofrimentos, mesmo os mais profundos. Com a Cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos", declarou.

 

"Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos ou que sofrem vendo-os presas de paraísos artificiais como a droga", disse o papa, em mais uma referência nesta viagem ao problema da dependência química.

 

Outro alerta de Francisco é para o desafio da fome, numa crítica explícita ao desperdício de setores inteiros da sociedade, enquanto milhões não tem o que comer. "Jesus se une a todas as pessoas que passam fome, num mundo que todos os dias joga fora toneladas de comida", alertou.

 

No discurso, falou pela primeira vez do racismo presente na sociedade, além dos problemas de intolerância religiosa. "Jesus se une a quem é perseguido pela religião, pelas ideias ou pela cor da pele", apontou.

 

O tradicional ato de devoção da Igreja não escapou ao estilo que o papa começa a implementar, transformando a Igreja em um centro do debate inclusive político. "Jesus se une a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas, por egoísmo e corrupção", declarou o papa.

 

"Na Cruz de Cristo, está o sofrimento, o pecado do homem, o nosso também, e Ele acolhe tudo com seus braços abertos, carrega nas suas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Você não está sozinho a levá-la! Eu a levo com você. Eu venci a morte e vim para lhe dar esperança, dar-lhe vida", disse Francisco.

 

Ele ainda lembrou que o primeiro nome dado ao Brasil foi justamente o de "Terra de Santa Cruz". "A Cruz de Cristo foi plantada não só na praia, há mais de cinco séculos, mas também na história, no coração e na vida do povo brasileiro e não só: o Cristo".

Pontífice chega ao Palácio São Joaquim; em primeiro plano, uma bandeira do Brasil

 

Veja a íntegra do discurso:

 

"Queridos jovens,

 

Viemos hoje acompanhar Jesus no seu caminho de dor e de amor, o caminho da Cruz, que é um dos momentos

 

fortes da Jornada Mundial da Juventude. No final do Ano Santo da Redenção, o bem-aventurado João Paulo II quis confiá-la a vocês, jovens, dizendo-lhes: "Levai-a pelo mundo, como sinal do amor de Jesus pela humanidade e anunciai a todos que só em Cristo morto e ressuscitado há salvação e redenção"

 

A partir de então a cruz percorreu todos os continentes e atravessou os mais variados mundos da existência humana, ficando quase que impregnada com as situações de vida de tantos jovens que a viram e carregaram. Ninguém pode tocar a cruz de Jesus sem deixar algo de si mesmo nela e sem trazer algo da cruz de Jesus para sua própria vida. Nesta tarde, acompanhando o Senhor, queria que ressoassem três perguntas nos seus corações: O que vocês terão deixado na cruz, queridos jovens brasileiros, nestes dois anos em que ela atravessou seu imenso País? E o que terá deixado a cruz de Jesus em cada um de vocês? E, finalmente, o que esta cruz ensina para a nossa vida?

 

1. Uma antiga tradição da Igreja de Roma conta que o apóstolo Pedro, saindo da cidade para fugir da perseguição do imperador Nero, viu que Jesus caminhava na direção oposta e, admirado, lhe perguntou: "Para onde vais, Senhor?".E a resposta de Jesus foi: "Vou a Roma para ser crucificado outra vez". Naquele momento, Pedro entendeu que devia seguir o Senhor com coragem até o fim, mas entendeu sobretudo que nunca estava sozinho no caminho; com ele, sempre estava aquele Jesus que o amara até o ponto de morrer na cruz. Pois bem, Jesus com a sua cruz atravessa os nossos caminhos para carregar os nossos medos, os nossos problemas, os nossos sofrimentos, mesmo os mais profundos. Com a cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; nela Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos, ou que sofrem vendo-os presas de paraísos artificiais como a droga; nela Jesus se une a todas as pessoas que passam fome, num mundo que todos os dias joga fora toneladas de comida; nela Jesus se une a quem é perseguido pela religião, pelas ideias, ou simplesmente pela cor da pele; nela Jesus se une a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas, por verem egoísmo e corrupção, ou que perderam a fé na Igreja, e até mesmo em Deus, pela incoerência de cristãos e de ministros do Evangelho.

 

Na cruz de cristo está o sofrimento, o pecado do homem, o nosso também, e Ele acolhe tudo com seus braços abertos, carrega nas suas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Você não está sozinho a levá-la! Eu a levo com você. Eu venci a morte e vim para lhe dar esperança, dar-lhe vida.

 

2. E assim podemos responder à segunda pergunta: o que foi que a cruz deixou naqueles que a viram, naqueles que a tocaram? O que deixa em cada um de nós? Deixa um bem que ninguém mais pode nos dar: a certeza do amor inabalável de Deus por nós. Um amor tão grande que entra no nosso pecado e o perdoa, entra no nosso sofrimento e nos dá a força para poder levá-lo, entra também na morte para derrotá-la e nos salvar. Na cruz de Cristo, está todo o amor de Deus, a sua imensa misericórdia. E este é um amor em que podemos confiar, em que podemos crer. Queridos jovens, confiemos em Jesus, abandonemo-nos totalmente a Ele! Só em cristo morto e ressuscitado encontramos salvação e redenção. Com Ele, o mal, o sofrimento e a morte não têm a última palavra, porque Ele nos dá a esperança e a vida: transformou a cruz, de instrumento de ódio, de derrota, de morte, em sinal de amor, de vitória e de vida.

 

O primeiro nome dado ao Brasil foi justamente o de "Terra de Santa Cruz". A cruz de Cristo foi plantada não só na praia, há mais de cinco séculos, mas também na história, no coração e na vida do povo brasileiro e não só: o cristo sofredor, sentimo-lo próximo, como um de nós que compartilha o nosso caminho até o final. Não há cruz, pequena ou grande, da nossa vida que o Senhor não venha compartilhar conosco.

 

3. Mas a Cruz de Cristo também nos convida a deixar-nos contagiar por este amor; ensina-nos, pois, a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo quem sofre, quem tem necessidade de ajuda, quem espera uma palavra, um gesto; ensina-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro destas pessoas e lhes estender a mão. Tantos rostos acompanharam Jesus no seu caminho até a Cruz: Pilatos, o Cirineu, Maria, as mulheres... Também nós diante dos demais podemos ser como Pilatos que não teve a coragem de ir contra a corrente para salvar a vida de Jesus, lavando-se as mãos. Queridos amigos, a cruz de Cristo nos ensina a ser como o Cirineu, que ajuda Jesus levar aquele madeiro pesado, como Maria e as outras mulheres, que não tiveram medo de acompanhar Jesus até o final, com amor, com ternura. E você como é? Como Pilatos, como o Cirineu, como Maria?

 

 

Queridos jovens, levamos as nossas alegrias, os nossos sofrimentos, os nossos fracassos para a cruz de Cristo; encontraremos um coração aberto que nos compreende, perdoa, ama e pede para levar este mesmo amor para a nossa vida, para amar cada irmão e irmã com este mesmo amor. Assim seja!"

Fonte: MSN

Papa pede que a sociedade valorize diálogo entre jovens e idosos

26/07/2013 13:29

Na oração do Ângelus no Palácio São Joaquim após se reunir com detentos, Francisco destaca a importância dos avós na família

Papa pede que a sociedade valorize diálogo entre jovens e idososO papa Francisco pede que a sociedade abra espaço e valorize o diálogo entre jovens e idosos, reforçando sua mensagem de que ninguém deve ser "descartado". Na oração do Ângelus no Palácio São Joaquim, no Rio, nesta sexta-feira, 26, o pontífice fez questão de insistir na importância dos mais idosos para a sociedade. Ele pede um diálogo entre as gerações, "um tesouro que deve ser conservado e alimentado".

O papa lembrou que, hoje para a Igreja, comemora-se o dia dos avós e a festa de São Joaquim e Sant'Ana, e fez questão de dedicar sua oração a esse segmento. "Como os avós são importantes na vida da família, para comunicar o patrimônio da humanidade e de fé que é essencial para qualquer sociedade", declarou.

 

"Nesta Jornada Mundial da Juventude, os jovens querem saudar os avós e agradecem pelo testemunho de sabedoria que nos oferecem continuamente", disse.

 

Antes, o papa se reuniu com cinco detentos, algo que já vinha fazendo tanto em Roma quanto em Buenos Aires. No final do dia, em Copacabana, Francisco participa da Via-crúcis, com milhares de jovens.

 

Leia a íntegra da oração:

 

Caríssimos irmãos e amigos, bom dia!

 

Dou graças à divina Providência por ter guiado meus passos até aqui, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Agradeço de coração sincero a Dom Orani e também a vocês pelo acolhimento tão caloroso, com que manifestam seu carinho pelo sucessor de Pedro. Desejaria que a minha passagem por esta cidade do Rio renovasse em todos o amor a Cristo e à Igreja, a alegria de estar unidos a Ele e de pertencer à Igreja e o compromisso de viver e testemunhar a fé.

 

Uma belíssima expressão da fé do povo é a "Hora da Ave Maria". É uma oração simples que se reza nos três momentos característicos da jornada que marcam o ritmo da nossa atividade quotidiana: de manhã, ao meio-dia e ao anoitecer. É, porém, uma oração importante; convido a todos a rezá-la com a Ave Maria. Lembra-nos de um acontecimento luminoso que transformou a história: a Encarnação, o Filho de Deus se fez homem em Jesus de Nazaré.

 

Hoje a Igreja celebra os pais da Virgem Maria, os avós de Jesus: São Joaquim e Sant'Ana. Na casa deles, veio ao mundo Maria, trazendo consigo aquele mistério extraordinário da Imaculada Conceição; na casa deles, cresceu, acompanhada pelo seu amor e pela sua fé; na casa deles, aprendeu a escutar o Senhor e seguir a sua vontade. São Joaquim e Sant'Ana fazem parte de uma longa corrente que transmitiu a fé e o amor a Deus, no calor da família, até Maria, que acolheu em seu seio o Filho de Deus e o ofereceu ao mundo, ofereceu-o a nós. Vemos aqui o valor precioso da família como lugar privilegiado para transmitir a fé! Olhando para o ambiente familiar, queria destacar uma coisa: hoje, na festa de São Joaquim e Sant'Ana, no Brasil como em outros países, se celebra a festa dos avós. Como os avós são importantes na vida da família, para comunicar o patrimônio de humanidade e de fé que é essencial para qualquer sociedade! E como é importante o encontro e o diálogo entre as gerações, principalmente dentro da família. O Documento de Aparecida nos recorda: "Crianças e anciãos constroem o futuro dos povos; as crianças porque levarão por adiante a história, os anciãos porque transmitem a experiência e a sabedoria de suas vidas". Esta relação, este diálogo entre as gerações é um tesouro que deve ser conservado e alimentado! Nesta Jornada Mundial da Juventude, os jovens querem saudar os avós. Eles saúdam os seus avós com muito carinho e lhes agradecem pelo testemunho de sabedoria que nos oferecem continuamente.

 

E agora, nesta praça, nas ruas adjacentes, nas casas que acompanham conosco este momento de oração, sintamo-nos como uma única grande família e nos dirijamos a Maria para que guarde as nossas famílias, faça delas lares de fé e de amor, onde se sinta a presença do seu Filho Jesus (reza do Ângelus).

Casa visitada pelo Papa Francisco em Manguinhos foi de uma paraibana: 'Vou ser outra pessoa"

Um privilégio de poucos, foi assim que se sentiu a paraibana Maria Lúcia dos Santos, quando o papa Francisco escolheu sua casa para visitar.
 
Ela que mora no Rio de Janeiro há 38 anos disse que: "nunca mais vou tirar da memória esse momento”. 
 
A visita do papa foi à comunidade de Varginha, no complexo de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro.
 
A paraibana ganhou um terço abençoado pelo pontífice, em sua visita de pouco mais de uma hora a Varginha, ainda fez uma oração na igreja São Jerônimo Emiliani, logo na entrada da comunidade.
 
Com a residência tomada por vários jornalistas e fotógrafos do mundo todo, a dona de casa disse: "Agora eu preciso descansar”.
 
Maria Lúcia revelou que sua vida mudaria após essa visita. “Acho que depois disso a vida muda, não tem como não mudar. Vou ser outra pessoa", finalizou.

Papa desce do papamóvel e beija mão de senhora de 99 anos

Durante o trajeto que fez de papamóvel até o Palácio São Joaquim, o papa Francisco desceu do veículo e deu beijos em duas senhoras. Uma delas, dona Vanda, a segunda a receber um beijo do papa, completará 100 anos em dezembro e mal podia conter a emoção após o contato com Francisco. Os voluntários que estavam perto, na Rua da Glória, a poucos metros do São Joaquim, providenciaram um banquinho para que ela se sentasse.

"Moro com ela e a levo toda semana à igreja", contou o neto Alexandre Blasifera, músico de 40 anos. "Depois que ele desceu do papamóvel e foi até a outra senhora, as pessoas ao nosso redor começaram a chamá-lo para dizer que ela tinha 100 anos. O dom Orani (Tempesta, arcebispo do Rio) viu e a mostrou para o papa, que veio", contou o neto. "Ele a beijou e disse algumas coisas para ela, não consegui ouvir porque tinha muita gente, mas gravei um vídeo e depois vou ver", disse. Quando o papa se aproximou de dona Vanda, todos os fiéis e peregrinos que estavam perto se aproximaram para chegar mais próximo do pontífice.

Durante o trajeto ele beijou mais de 27 crianças, a maioria bebês. Num dos pontos, um garotinho não conteve a emoção, ficou conversando com o papa e parecia não mais querer largá-lo. Durante todo o percurso do cortejo, peregrinos corriam do lado de fora dos gradis, tentando acompanhar o pontífice. Freiras também corriam com a multidão.

Fonte: MSN / Portal Correio / Estadão

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