Youssef reafirma em depoimento que Cunha foi destinatário de propina

Youssef reafirma em depoimento que Cunha foi destinatário de propina

O doleiro Alberto Youssef, um dos primeiros delatores da Operação Lava Jato, confirmou em depoimento prestado em ação penal em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) que o deputado federal afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) seria destinatário de propina de valores desviados de contratos da Petrobras.

No depoimento, Youssef reiterou informações prestadas na delação premiada, homologada pelo Supremo e usada na denúncia contra Cunha.

Yousseff foi a primeira testemunha de acusação – indicada pelo Ministério Público – ouvida no processo, no qual Cunha é acusado de receber ao menos US$ 5 milhões em dinheiro desviado de contrato de navios-sonda da Petrobras. Outras audiências estão marcadas para semana que vem – há depoimentos agendados até agosto.

O depoimento do doleiro durou pouco mais de uma hora e foi tomado nesta quinta-feira (21) na sede da Justiça Federal do Paraná pelo juiz Paulo Marcos de Farias, que atua no gabinete do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo.

O promotor Sérgio Bruno Cabral Fernandes, que integra o Grupo de Trabalho da Lava Jato, representou a Procuradoria Geral da República,

Defesa diz que não há prova

Para a defesa de Cunha, Yousseff mostrou que não tinha nenhuma prova de que os valores seriam destinados a Eduardo Cunha e que só sabia do envolvimento do parlamentar por intermédio de outras pessoas.

"O depoimento foi positivo porque Youssef deixou claro que nunca entregou ou mandou entregar dinheiro desviado para Eduardo Cunha e que não tem como afirmar se o dinheiro chegou até ele por meio de outro", informaram os advogados Pedro Ivo e Ticiano Figueiredo, que atuam na defesa do deputado.

 

Depoimento
No depoimento, Youssef disse que foi procurado por Júlio Camargo em 2011 porque as empresas que Camargo representava – Toyo, Mitsui e Samsung Heavy Industries – foram alvos de requerimentos na Câmara dos Deputados.

 

Segundo o doleiro, Júlio Camargo contou que estava sendo pressionado por Fernando Soares, o Fernando Baiano, para retomada do pagamento de propina.

E mencionou que o então deputado Eduardo Cunha tinha pedido a terceiros que fizessem requerimentos porque seria beneficiado com o dinheiro.

"Certo dia, Júlio Camargo me chamou ao escritório bastante nervoso, receoso, e aí me contou o que havia acontecido, entre Fernando Soares e Eduardo Cunha, e que Eduardo Cunha tinha pedido à Petrobras através de comissão e deputados terceiros uma investigação dos contratos da Mitsui e Toyo. Que ele tinha saldo com Fernando Soares por locação de sondas e que, em determinado momento, a Samsung deixou de pagar valores de comissionamento, e ele parou de pagar Fernando Soares. Passou a haver pressão de Fernando Soares e Cunha através de requerimento, me pediu para que intercedesse perante o Fernando. E foi o que fiz, acabei trazendo parte desses valores para o Júlio e entregando para Fernando Soares no Rio de Janeiro."

O doleiro afirmou que garantiu a Fernando Baiano que os pagamentos seriam retomados e que parte do dinheiro seria dado por intermédio dele.

Segundo Youssef, Camargo o procurou porque ele tinha "credibilidade" no mercado como operador, e o fato de interceder mostrava que os valores seram efetivamente pagos.

"O meu trabalho foi num primeiro momento acalmar Fernando para que ele falasse com Eduardo Cunha, deputado, e o segundo momento foi começar a fazer pagamentos. Depois disso, eu sei que teve mais pagamentos, mas que não foram feitos por meu intermédio."

Segundo Yousseff, ele pegou dinheiro vivo no escritório de Júlio Camargo e entregou para Fernando Baiano no Rio de Janeiro.

Na próxima segunda (25), o deputado federal Sérgio Britto (PSD-BA), que segundo a acusação teria apresentado um requerimento a pedido de Eduardo Cunha, será ouvido na Bahia como testemunha de acusação.

 

 

 

 

G1