Votação que muda regras para pagar seguro-desemprego opõe os partidos

Votação que muda regras para pagar seguro-desemprego opõe os partidos

Enquanto o partido trabalhista prepara o desembarque do governo, o que lhe custará assento na Esplanada, a legenda socialista dá um passo a mais na reaproximação ao palácio

A votação da Medida Provisória 665 — que altera regras para o pagamento do seguro-desemprego e do abono salarial — na Câmara provocou reações contraditórias do governo em relação a dois aliados históricos que andam estremecidos no contato com o Palácio do Planalto. O PDT, que tem o Ministério do Trabalho e não deu voto sequer a favor da MP, deve perder a pasta tão logo as demais propostas do ajuste sejam apreciadas pelo Congresso. Já o PSB, rompido com o PT desde que o ex-governador Eduardo Campos, morto em agosto do ano passado, lançou-se candidato a presidente, voltou a ser cortejado pelos palacianos, animados com os sete votos favoráveis recebidos dos socialistas na análise da MP 665.

Votação dos destaques do ajuste tem mais chuva de 'PTro dólar' no Plenário
Curiosamente, o mesmo interlocutor tem atuado nas duas frentes: o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE). Na noite de terça-feira, quando o texto começou a ser debatido no plenário — a votação só foi iniciada, de fato, na quarta —, Guimarães vinha se estranhando com os pedetistas, que criticavam o arrocho proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. No dia da votação do texto-base, ao ver que nenhum dos 19 deputados pedetistas apoiaram o Planalto, Guimarães anunciou que a “votação poderia provocar mudanças, inclusive, no primeiro escalão do governo”. Na quinta, novo ataque. “O que vai ocorrer com o PDT eu não sei. Só sei que base tem que ser base de manhã, de tarde e de noite”, cobrou.

No mesmo momento, o líder do PDT na Casa, André Figueiredo (CE), reagiu. “Se quiserem que sejam entregues quaisquer funções que nós ocupamos na Esplanada dos Ministérios, entregaremos de bom grado. Mas, trair nossos princípios, nunca”, ameaçou. Há duas semanas, em um evento interno, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, acusou o PT de “roubar demais” e anunciou que a legenda entregaria os cargos.

 

 

 

 

 

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