Vice-presidente da Câmara Federal, André Vargas se licencia do mandato

Vice-presidente da Câmara Federal, André Vargas se licencia do mandato

O vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), investigado por seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef em negócios suspeitos no Ministério da Saúde, se licenciou do mandato por 60 dias. O pedido foi entregue nesta segunda-feira à Secretaria Geral da Câmara . Conforme o GLOBO antecipou, o deputado foi pressionado tanto pela oposição, como por integrantes da base governista, especialmente do próprio PT.

O deputado alegou motivos de interesse particular para sua licença, o que é permitido na Constituição por até 120 dias. Neste período de licença, o petista não vai receber o salário mensal de R$ 26,7 mil. Em nota entregue à Câmara, o parlamentar disse que estar à disposição da Casa para “quaisquer esclarecimento”.

O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN) pode delegar ao deputado Fabio Faria (PSD-RN), segundo-vice presidente da Casa, eventuais tarefas exercidas neste periodo de licença do primeiro vice.

Vargas e Youssef, preso no último dia 17 na Operação Lava-Jato da Polícia Federal, trocaram mensagens comprometedoras negociando contratos suspeitos. Numa delas, o doleiro diz a Vagas que os negócios suspeitos iriam garantir a “independência financeira” dos dois. Em outra, o doleiro diz que precisa de ajuda para resolver problemas financeiros, e o deputado afirma: “Vou atuar”.

A oposição reforça que irá entrar com representação no Conselho de Ética da Câmara contra Vargas, por quebra de decoro parlamentar. A representação pode resultar na cassação do mandato. Se quiser escapar da cassação, o petista terá que renunciar antes da instauração do processo no colegiado.

Na semana passada, depois da denúncia da divulgação de que Vargas usou o jatinho do doleiro para viajar de férias com a família para João Pessoa, ele primeiro se manifestou por nota e, na quarta-feira foi à tribuna da Câmara pedir desculpas aos colegas. Ao falar, no entanto, acabou mudando a versão inicial que tinha dado ao jornal “Folha de S.Paulo”, sobre o pagamento dos custos, o que já gerou reação da oposição, que anunciou representação contra ele no Conselho de Ética da Casa.

No fim de semana, a pressão aumentou depois que as mensagens trocadas entre Vargas e o doleiro foram divulgadas pela revista “Veja” e pela TV Globo. Ontem, os líderes dos três partidos da oposição — PSDB, DEM e PPS — defenderam o afastamento de Vargas da vice-presidência da Câmara até que a Casa possa concluir as investigações sobre o envolvimento dele com o doleiro.

Representações

Pouco depois de Vargas anunciar o afastamento, o PSOL protocolou uma nova representação contra o deputado na Corregedoria da Câmara cobrando abertura de investigação. O partido quer que sejam investigadas a utilização do avião particular por Vargas, a relação mantida com o doleiro e as condutas do petista no âmbito do Ministério da Saúde para favorecer o laboratório Labogen.

Na última quinta-feira, o PSOL havia protocolado na Mesa Diretora da Câmara pedido de investigação contra o ex-vice presidente da Casa. DEM E PSDB também prometeram pedir nesta semana que o Conselho de Ética investigue o caso. Amanhã, o PSOL deve entrar com representação no Ministério Público.


O Globo