Venezuela marca eleições parlamentares para 6 de dezembro

Venezuela marca eleições parlamentares para 6 de dezembro

  As eleições parlamentares na Venezuela serão realizadas no próximo 6 de dezembro, anunciou nesta segunda-feira (22) o Conselho Nacional Eleitoral, acabando com a longa especulação sobre a data.

"A data da eleição é o dia 6 de dezembro", informou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, em um comunicado enviado à imprensa, no qual também fixou a data da campanha eleitoral, entre 13 de novembro e 3 de dezembro.

Os venezuelanos deverão eleger 167 legisladores da Assembleia Nacional. Pesquisas apontam que o governo socialista pode perder vantagem.

O presidente Nicolás Maduro atualmente conta com maioria na Assembleia Nacional, mas a crise econômica, incluindo a escassez generalizada de vários produtos e a inflação fora de controle, tem afetado a popularidade do governo.

Lucena acrescentou que a data limite para o registro de eleitores é 8 de julho e que a apresentação de postulações de candidatos será de 3 a 7 de agosto.

A oposição venezuelana criticava o atraso na publicação do cronograma eleitoral, o que considerava parte de uma artimanha política governista.

"O CNE não trabalha sob pressão", sentenciou Lucena, que denunciou que vozes de oposição desenvolveram uma campanha de descrédito em relação à instituição que preside.

Segundo as leis venezuelanas, uma nova Assembleia Nacional (unicameral) deve se instalar durante os primeiros dias de janeiro de 2016, o que obriga a realização da eleição neste ano. No entanto, não há um prazo legal mínimo estipulado para realizar a convocação.

Henrique Capriles mostra o dedo pintado para marcar sua digital após registrar seu voto (Foto: Ronaldo Schemidt/AFP)Henrique Capriles, líder da oposição venezuelana
(Foto: Ronaldo Schemidt/AFP)

Eleições 'decisivas'
A queda na popularidade do governo também gerou temores de que o presidente cancelasse as eleições parlamentares. Em março, o líder opositor ex-candidato presidencial e governador do estado de Miranda, Henrique Capriles, declarou que Maduro seria capaz de suspender as eleições.

"Nunca o governo teve um cenário com essa diferença (nas pesquisas) antes de um processo eleitoral. Agora tem. Serão capazes de suspender a votação? Eu acho que são capazes de qualquer coisa", disse Capriles na ocasião. Ele considera que estas eleições são decisivas "para derrotar constitucionalmente o governo".

A coalizão opositora Mesa de la Unidad Democrática (MUD) exige há várias semanas o anúncio da data das eleições, para as quais, segundo várias pesquisas, parte como favorita.

Segundo uma pesquisa da empresa Datanálisis divulgada em abril, o governismo perderia pela primeira vez desde 1999 a maioria na Assembleia Nacional, porque só alcançaria 25% dos votos, contra 45,8% da oposição.

'Encontro com a história'
"Já temos data para a Batalha por uma Nova Vitória do Povo, 6 de dezembro tod@s no encontro com a História... Vamos Pátria, vencer", celebrou o presidente Maduro no Twitter após o anúncio. Maduro costuma se gabar da quantidade de processos eleitorais que ocorreram nos últimos anos na Venezuela, em sua grande maioria conquistados pelo chavismo.

"Por fim, as eleições têm data! Agora, mais do que nunca, #UniónYCambio. Cada venezuelano tem a força para conseguir!", escreveu Henrique Capirles.

O governo brasileiro pressionou o país vizinho para realizar as eleições parlamentares. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou em março que o governo brasileiro estava buscando "incansavelmente" uma solução para a crise política na Venezuela e disse que insistia com o governo venezuelano na convocação de eleições parlamentares no país "no menor prazo possível". No Brasil, a oposição critica o governo brasileiro por ser supostamente "conivente" com o governo do país vizinho.

Leopoldo López, líder da oposição na Venezuela, teve a prisão decretada pela Justiça/GNews (Foto: Reprodução GloboNews)Leopoldo López, líder da oposição na Venezuela
(Foto: Reprodução GloboNews)

Greve de fome
Desde 24 de maio, o líder da ala radical da oposição Leopoldo López mantém uma greve de fome como mecanismo de pressão para, entre outros pontos, fixar a data das eleições.

À greve de López, que está há 16 meses em uma prisão militar acusado de incitar a violência em protestos antigovernamentais entre fevereiro de maio de 2013, se somaram recentemente vários ativistas, embora alguns deles afirmem que a data das eleições não é fundamental em sua lista de exigências.

Na semana passada, uma comitiva de oito senadores brasileiros foi a Caracas para tentar visitar presos políticos, incluindo López, e pressionar o governo para agendar as eleições parlamentares. No entanto, a van em que estavam não conseguiu andar muito devido ao trânsito e a vias que estavam bloqueadas. Os senadores brasileiros foram cercados por manifestantes em Caracas e decidiram voltar ao Brasil.

Viajaram à Venezuela o presidente da Comissão de Relações Internacionais, Aloysio Nunes, além dos senadores Aécio Neves, Cassio Cunha Lima, José Agripino (DEM-RN), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Ricardo Ferraço, José Medeiros (PPS-MT) e Sérgio Petecão (PSD-AC).

 

 

 

 

G1