Veja a repercussão da Selic mantida em 14,25% pela 7ª vez seguida

Veja a repercussão da Selic mantida em 14,25% pela 7ª vez seguida

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reuniu nesta quarta-feira (08) e optou por manter novamente os juros básicos da economia estáveis em 14,25% ao ano - o maior patamar em dez anos.

Essa foi a sétima manutenção seguida dos juros pelo BC, que parou de subir a taxa Selic em setembro do ano passado. A decisão confirmou a expectativa dos economistas do mercado financeiro, que apostavam maciçamente em manutenção dos juros básicos da economia.

A reunião foi a última comandada pelo atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Ele deixará o cargo nesta semana, substituído por Ilan Goldfajn, indicado pelo novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Selic 14,25% (Foto: Arte/G1)

Veja a repercussão da decisão:

 

Jason Vieira, economista


“A decisão está em linha com nossa expectativa, porque as últimas pressões recentes de economia não abriam espaço para um corte e não faria nenhum sentido agora. Dentro desse contexto, por enquanto é uma incógnita se este entendimento será transferido para a equipe do futuro presidente do BC [Ilan Goldfajn]. Há várias sinalizações de que, na minha análise,  o cenario de curto prazo não abre espaço para corte de juros na reuniao de agost. Se uma tendência do câmbio se confirmar [queda do dólar] e se ela brir espaço para alivio de preços, isso abriria condições para afrouxar a politica monetária no futuro. Uma alta nos juros está descartada porque a atividade econômica nao comporta este cenário".

Muito provavelmente, Tombini não quis inventar moda com uma decisão tão importante e deixou para o próximo ocupante do cargo [Ilan Goldfajn] as medidas necessárias de política monetária"
 
Rafael Paschoarelli, professor da FEA-USP
 

Luis Alberto Machado, economista e conselheiro da Cofecon
"Essa manutenção era amplamente esperada, ainda mais depois do resultado da inflação de maio [IPCA], que veio acima do que muita gente esperava, cortando aquela trajetória de baixa, já era esperado antes disso. Não faz parte do perfil da nova equipe governamental mudar as taxas de juros de forma quase imtempestiva, eles estão fazendo uma analise ampla. Uma eventual alta de juros seria complicada, não acho que existam outros fatores de pressão de alta da inflação, a recessao vai continuar seu papel, o juro já está alto".

 

Rafael Paschoarelli, professor de finanças da FEA-USP
“Foi a última reuniao com o atual presidente do BC, Alexandre Tombini, e muito provavelmente ele não quis inventar moda com uma decisao tão importante e deixou para o próximo ocupante do cargo [Ilan Goldfajn] tomar as medidas de política monetária. Agora tem expectativa de queda de inflação e queda de juros ainda para este ano, então a decisão veio em linha com o que se esperava. Não sei se Ilan mexeria nos juros agora,mas o mercado espera que a taxa caia ainda este ano, os juros futuros indicam isso”.

Firjan (Federação da Indústrias do Estado do Rio de Janeiro),por nota
"Apesar da maior recessão da história da economia brasileira, a inflação ainda se mostra resistente. A recente mudança de postura quanto à política fiscal, na direção de maior controle dos gastos públicos, é uma sinalização importante de menor pressão sobre os preços, mas na prática precisa se confirmar. Nesse sentido, o Sistema Firjan entende que a efetivação das medidas anunciadas pelo novo governo no campo fiscal é pré-condição para o início de um ciclo de redução da taxa Selic. Essa dinâmica será decisiva não só para a inflação, como também para a retomada do crescimento econômico, que por sua vez terá papel fundamental inclusive para o equilíbrio das contas públicas".

O novo governo precisa entender que a taxa de juros em patamares estratosféricos tem sido uma ferramenta ineficaz no combate à inflação, além de encarecer o crédito para consumo e para investimentos"
 
Paulo Pereira da Silva, por nota
 
 

Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, em nota
"Infelizmente, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) continua se curvando aos especuladores.  A decisão é nefasta para os trabalhadores, revelando que o novo governo perdeu uma ótima oportunidade de sinalizar, para o setor produtivo, que gera emprego e renda, que o País não bajula mais o rentismo. Juro estratosférico é uma forma de concentrar cada vez mais renda nas mãos de banqueiros e especuladores. O novo governo precisa entender que a taxa de juros em patamares estratosféricos tem sido uma ferramenta ineficaz no combate à inflação, além de encarecer o crédito para consumo e para investimentos, causar mais desemprego, queda de renda e piora no cenário de recessão da economia.

É importante destacar que esta política de juros estratosféricos derruba a atividade econômica e diminui a capacidade de consumo das famílias. E, ainda, reduz a confiança e os investimentos, o que compromete ainda mais a capacidade de crescimento econômico futuro.Infelizmente, até agora o aperto monetário, sobretudo as medidas de austeridade, tiveram um efeito brutal sobre a retração da atividade econômica, o desemprego e a queda da renda, reforçando o quadro recessivo. Diante deste quadro, a queda da taxa de juros Selic é urgente para dar fôlego a uma economia que agoniza."

 

Associação Paulista de Supermercados (Apas), em nota
A Apas avalia que a decisão (...) continua travando a economia e não contribui para a realização de negócios e o desentrave da atividade econômica, o que compromete o desempenho da economia para 2016. A manutenção dos juros não foi surpresa para a Apas. Entendemos que o governo atual não possui muitas alternativas, diante do quadro econômico herdado, mas perdeu uma grande oportunidade para reduzir a taxa de juros e sinalizar positivamente para o mercado a busca pela retomada do crescimento econômico, via incentivo do investimento e do consumo das famílias”, comenta o gerente de economia e pesquisa da APAS, Rodrigo Mariano.

Entendemos que o governo atual não possui muitas alternativas (...), mas perdeu uma grande oportunidade para reduzir a taxa de juros e sinalizar positivamente a busca pela retomada do crescimento econômico"
Apas, por nota
 

Alencar Burti, presidente da ACSP/Facesp, por nota
"A decisão de manter a taxa básica inalterada foi acertada e se explica pelo fato de que a inflação, apesar de estar desacelerando, continua muito elevada, bem acima da meta anual oficial. Mas o grave momento econômico vivido pelo País demanda reduzir as taxas de juros o mais rapidamente possível. E, para que isso ocorra, o ajuste fiscal não pode ser mais protelado (...). Não se deve recorrer ao expediente de aumentar ou criar novos impostos porque isso somente aprofundaria a contração da economia".

 

 

 

 

G1