UBS: Brasil encolherá em 2016 e seguirá em recessão em 2017

UBS: Brasil encolherá em 2016 e seguirá em recessão em 2017

Os dados de atividade brasileiros continuam a surpreender para o lado negativo e não há sinais de recuperação. Por isso, a equipe de economistas do UBS cortou a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil para recuo de 3,8% para 2016 – antes previsão anterior de queda de 2,8%.


Para 2017, os modelos do banco sugerem uma modesta recuperação do PIB, mas na falta de sinais de melhora das contas do governo, o Brasil poderia permanecer em recessão no próximo ano, avaliam os economistas Guilherme Loureiro, Thiago Carlos e Rafael De La Fuente, em relatório desta sexta-feira (29).


“O Brasil continua atolado em uma crise política e econômica, com pouca esperança de melhoria no curto prazo. Recentemente, com a indicação de que o crescimento econômico - ao invés de estabilidade fiscal ou da inflação - está de volta no topo das prioridades do governo, as incertezas crescem à medida que vemos o renascimento das mesmas políticas que foram implementadas entre 2011-14 (políticas parafiscais, monetárias e fiscal frouxas), que foram a principal fonte dos problemas do país”, observam.


A projeção do banco suíço é mais pessimista que a do mercado. O Boletim Focus desta semana apontava para uma projeção de contração do PIB de 3% este ano e de crescimento de 0,80% em 2017. “Em nossa opinião, o mercado não está precificando neste momento maiores problemas fiscais e/ou relacionados com o crédito”, afirmam.


Alerta para dívida


O UBS alerta que o Brasil chegou a um ponto que estabilizar a dinâmica da dívida é crítico para a retomada da confiança e reformas são necessárias para reancorar as expectativas fiscais. “No entanto, dado o estreito apoio político do governo, uma agenda de reformas não parece estar nas cartas. Isto implica que a incerteza macroeconômica provavelmente se manterá elevada, cobrando um pedágio sobre a confiança, a inflação e o real.”


Com a revisão das projeções para a economia, o UBS piorou as suas projeções para receitas fiscais e, consequentemente, para o déficit primário. A projeção agora é de déficit primário de 1,3% do PIB (ante -0,4%) e de 1,2% em 2017 (ante 0% do PIB). “Isso significa que a dívida bruta provavelmente vai superar os 80% já em 2017”, calculam os economistas.


Investimentos


O UBS avalia que o mercado brasileiro não está barato o suficiente. Com a maior deterioração fiscal e incerteza política, a moeda brasileira pode se depreciar ainda mais. O UBS calcula que, ajustado pela inflação, o dólar de R$ 4,00 de 2002 é equivalente a R$ 5,50 atualmente.


Outro risco para as ações brasileiras é que as estimativas para de ganhos ainda são muito altos, avalia o banco. “Por isso, acreditamos que a renda fixa é mais atraente do que ações – vemos títulos públicos indexados à inflação como a escolha mais segura atualmente”, recomendam os economistas.


 

 

 

O Financista