Traficantes ordenaram ataques à escola no RN, dizem professores

Traficantes ordenaram ataques à escola no RN, dizem professores

Traficantes de drogas ordenaram os ataques à Escola Municipal Limírio Cardoso D’ávila nos últimos dias. A denúncia é feita por professores e servidores da escola, que fica no bairro de Bela Parnamirim, em Parnamirim, cidade da Grande Natal. Os docentes também relatam que colegas vêm sofrendo ameaças de morte. O objetivo dos traficantes, ainda segundo os educadores, é usar a escola como ponto de venda e consumo de drogas a qualquer hora do dia. A Polícia Civil investiga a denúncia.

 Uma comissão de professores e servidores procurou o G1 nesta quinta-feira (21), oito dias após o início dos ataques à escola. Por motivo de segurança, os educadores não terão os nomes revelados. “O tráfico de drogas é poderoso na Limírio. Vimos as mães chorando pelos filhos que se viciaram dentro da escola. Eles agem ostensivamente, à luz do dia. As crianças são aliciadas dentro do próprio colégio. Alguns de nós já sofreram até mesmo ameaça de morte caso procurássemos a polícia ou o Ministério Público”, afirmam.Ainda de acordo com os professores, a onda de depredação e saques à escola Limírio Cardoso D’ávila começou depois que um trabalho de combate ao tráfico foi iniciado. “Para se ter uma ideia de como era a situação, este ano chegaram professores novos. Desses, diante do que viram lá, nove resolveram pedir remoção coletiva. Poucos meses depois, houve uma mudança na direção da escola, que decidiu coibir a presença de traficantes e o consumo de drogas dentro da unidade. Foi aí que os traficantes começaram a fazer ameaças ao novo diretor e a professores e servidores. Começaram destruindo dois carros e roubando uma moto de professores”.

Os professores e servidores que procuraram o G1 também afirmam que o assassinato de um vigilante, crime ocorrido em janeiro deste ano a poucos metros da escola, foi ordenado por traficantes. “Esse senhor era honesto, trabalhador. Ele se incomodou com o que estava acontecendo e procurou a polícia. Poucos dias depois, quando estava indo trabalhar, foi abordados por homens e morto com seis tiros. O crime foi cometido a poucos metros da escola, como forma de os traficantes mostrarem que não se intimidam”. Ainda de acordo com os educadores, recentemente um outro porteiro foi espancado nas proximidades do colégio.

A equipe diz ainda que já havia se reunido com a Polícia Militar, com o Ministério Público e com a Prefeitura de Parnamirim antes mesmo do início dos ataques. A comunidade escolar chegou até mesmo a protocolar uma denúncia junto ao Disque 100, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. O MP também chegou a realizar uma audiência pública para tratar do assunto, e a prefeitura se comprometeu a reformar o prédio e tentar contratar segurança armada para a Limírio Cardoso e outras escolas próximas a ela. A Prefeitura de Parnamirim, antes mesmo dos delitos, já havia repassado ao MP uma lista com nomes de 31 alunos que teriam envolvimento com atos infracionais. Nesta quarta (20), foram repassados os endereços desses alunos.

Em nota emitida na segunda-feira (18), a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do RN disse que o Comando da PM determinou a intensificação do policiamento na área para proporcionar uma melhor segurança no local e abriu uma sindicância para apurar possíveis atos de negligência por parte de suas equipes. Os policiais já começaram a serem ouvidos.

Além disso, a Polícia Civil instaurou um inquérito na 1º Delegacia, onde um suspeito já foi detido acusado de furto qualificado e depredação. Profissionais que trabalham na escola já foram ouvidos e outras vinte pessoas, identificadas por envolvimento nos atos de vandalismo, deverão ser indiciadas. Outras intimações já estão sendo expedidas e prosseguirão a fim de identificar todos os autores dos crimes. O mesmo inquérito apura a denúncia de que traficantes ordenaram os ataques à escola.

Com a E.M. Limírio Cardoso D’ávila destruída, os alunos foram transferidos para o Caic de Santos Reis enquanto a escola deve passar por reforma. Os professores e servidores cobram que nesse período haja segurança armada no Caic. “Isso tem que acontecer nem que seja pelo menos nos primeiros meses. Caso contrário, naturalmente, todo o problema também será transferido, uma vez que, não punidos ou não observados, alunos infratores podem estimular um novo processo de degradação na escola em que estarão chegando, uma vez que não encontraram resistência para as ações anteriores de vandalismo”, ressaltou um dos educadores.

 

 

 

 

G1