Testemunha quebra o silêncio, inocenta padrasto de Rebeca e acusa tenente; delegado do caso contesta

Testemunha quebra o silêncio, inocenta padrasto de Rebeca e acusa tenente; delegado do caso contesta

Uma testemunha que preferiu não se identificar procurou a reportagem da TV Arapuan, para acusar um tenente da Polícia Militar, de ser o autor do assassinato da adolescente Rebeca Cristina, morta em 11 de julho de 2011. Ele inocentou o padrasto da jovem, preso do dia 22 de julho deste ano e disse ter visto o tenente acompanhado de outra pessoa junto com a adolescente no dia que ela foi assassinada.

De acordo com a testemunha, a jovem estava no banco da frente de um carro prata e não esboçava reação, aparentando conhecer as pessoas que a acompanhavam. O local onde o veículo tentou entrar só permite a passagem de veículos de tração animal, ou bicicleta, por isso, o carro precisou voltar de ré. “Olhei e vi duas pessoas, lembrei que era um rapaz que já tinha visto e no outro dia vendo um programa policial vi que se tratava do sumiço de uma menina encontrada estuprada e morta. Liguei 190 e 197 e o policial chegou com foto de outra pessoa que não era a que eu tinha visto”, disse.

Ele explicou que foi ouvido duas vezes pela Polícia e pelo Ministério Público e reconheceu a pessoa. Apesar disso, o processo continuou e apontou o padrasto da jovem como o autor do crime.

A testemunha explicou que não tem medo de represália por vir a público e disse que faz, pois se morrer, “a imprensa sabe quem foi”, afirmando que seria o suposto assassino da jovem. “Quando chegar no momento oportuno eu vou dizer na cara dele que é um assassino porque eu vi ele com a menina. Ele acha que o crime foi perfeito, mas foi burrice que ele fez das grandes, tirar a vida de uma pessoa inocente”, afirmou.

 

O outro lado

O delegado do caso, Glauber Fontes, afirmou que tem conhecimento do teor da declaração desta testemunha, mas desqualificou as acusações afirmando que ele já foi ouvido diversas vezes e que voltou atrás em diversos pontos, chegando a dar versões distintas. “Checamos o policial (que a testemunha indicou) ele fez exame de DNA e o resultado foi negativo, em seguida ele apresentou uma nova versão, cada vez que a tem contato com a investigação cria uma história diferente o que nos leva a crer que o objetivo é aparecer e não contribuir com a investigação”, disse.

A prisão temporária do padrasto foi decretada e nestes 30 dias e a polícia continua trabalhando para preencher as lacunas que faltam. “É preciso tempo para que a polícia trabalhe e evitar que pessoas ajam com injustiça”, explicou.

O promotor do caso, Marcos Leite, também desqualificou as declarações da testemunha, afirmando que só por estar no local do crime não quer dizer que está isento de comprometimento.

A respeito do envolvimento do tenente da PM, o promotor explicou que essa testemunha surgiu logo após o crime, foi ouvida porque teria visto uma pessoa com a menina e reconhecido por uma foto numa reportagem, mas quando foi levado a Central de Polícia deu informações desencontradas. 

Entenda o caso

Rebeca Cristina, de 15 anos, foi violentada e assassinada em 11 de julho de 2011, no trajeto entre a casa da família e o Colégio da Polícia Militar, em Mangabeira VIII, Zona Sul de João Pessoa. O corpo da estudante foi encontrado com diversos tiros em um matagal na Praia de Jacarapé, Litoral Sul da Paraíba, na tarde do mesmo dia do crime.

 

 

 

Paraíba.com.br