Temer defende diálogo com o Congresso para fazer reforma política

Temer defende diálogo com o Congresso para fazer reforma política

O vice-presidente reeleito Michel Temer defendeu nesta terça-feira (28) que a presidente Dilma Rousseff abra um "grande diálogo" com o Congresso Nacional e com sociedade para viabilizar uma reforma política no segundo mandato. Em seu pronunciamento como presidente reeleita, no último domingo (26), a petista voltou a defender a realização de um plebiscito para aprovação das mudanças no sistema político e eleitoral do país.

A proposta de Dilma, no entanto, foi questionada nesta segunda (27) pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O parlamentar divulgou nota oficial para ressaltar que, na opinião dele, a reforma política tem de ser aprovada pelo Congresso Nacional e, posteriormente, submetida a um referendo para consultar a população sobre as regras modificadas pelos congressista.

“É preciso dialogar sobre isso [reforma política], com o Congresso, com a sociedade. Evidentemente, estamos no começo de tudo, aliás, nem começo do novo mandato, apenas vencemos. Haverá, disse a presidente [Dilma], um grande diálogo no Congresso Nacional sobre esse tema e temos que caminhar juntos nisso, o Congresso, o Executivo e a sociedade brasileira”, disse Temer a jornalistas ao final de um encontro com Dilma no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

No referendo, a população ratifica ou rejeita uma proposta depois de ela já ter sido aprovada pelo Legislativo ou pelo Executivo. No plebiscito, os eleitores opinam sobre se a lei deve ou não ser aprovada, antes mesmo de ela ser levada ao parlamento.

No discurso de reeleição, no domingo, Dilma sinalizou que, em seu próximo mandato, pretende rever a relação com o Legislativo ao afirmar que está "disposta ao diálogo". “Entre as reformas, a primeira e mais importante é a reforma política. Quero discutir esse tema profundamente com o Congresso e a população”, discursou a petista na ocasião.

Na avaliação do vice-presidente da República, “passado o calor e a paixão eleitoral” é preciso unir o país. Temer ressaltou que será importante o governo federal buscar o diálogo, assim como sugeriu a presidente no discurso realizado após a vitória.

Em entrevista concedida nesta segunda ao Jornal Nacional, Dilma ponderou que, na avaliação dela, o processo de consulta popular é "essencial" para a reforma política.

"Muitos setores têm como base a proibição da contribuição de empresas para campanhas eleitorais. A partir da reforma, só seriam possíveis contribuições privadas individuais, não seria possível empresarial. Tem várias propostas na mesa. A oposição fala em fim da reeleição. Enfim, tudo isso tem de ser avaliado pela população. Acho que o Congresso vai ter sensibilidade para perceber que isso é uma onda que avança", enfatizou.

Presidência da Câmara
Questionado sobre se há acordo entre petistas e peemedebistas para indicar o nome que disputará a presidência da Câmara dos Deputados em 2015, Michel Temer – que é presidente nacional do PMDB – disse que os dois partidos se “ajustaram” desde as eleições passadas para que ocorra um rodízio a cada dois anos no comando do Legislativo.

“Não tratamos disso [escolha do novo presidente da Câmara]. Nas eleições passadas, fazíamos um acordo, até escrito, entre PT e PMDB, os dois maiores partidos, e ajustávamos que um biênio era do PT e outro, do PMDB. […] Esse acordo deu certo para o Congresso, deu muita harmonia interna para o Congresso e deu muita harmonia na relação do Congresso com o poder Executivo”, disse Temer.

As duas siglas ainda não lançaram seus candidatos para a eleição que definirá quem irá comandar a Câmara no biênio 2015-2016. Líder do PMDB na Casa, o deputado Eduardo Cunha (RJ) é um dos nomes cotados para a vaga. O PMDB elegeu em outubro 66 deputados federais, a segunda maior bancada da Casa.

O PT, apesar de ter perdido cadeiras, continuará na próxima legislatura dono da maior bancada da Câmara, com 70 deputados. Por este motivo, o líder do partido na Casa, deputado Vicentinho (SP), já deixou claro que sua legenda irá exigir a presidência da Câmara em 2015.

A eleição que definirá quem comandará a casa legislativa nos próximos dois anos ocorrerá em fevereiro do ano que vem, após a posse da nova legislatura.


 

G1