Suspeito de integrar máfia de ingressos pede liberdade ao Supremo

Suspeito de integrar máfia de ingressos pede liberdade ao Supremo

A defesa do executivo da Match Services Raymond Whelan, suspeito de integrar uma máfia internacional de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo, entrou com pedido de liberdade no Supremo Tribunal Federal (STF).

 

A Match foi a única empresa autorizada pela Fifa para a venda de pacotes de ingressos e camarotes da Copa no Brasil, e Whelan é suspeito de ter facilitado a obtenção dos ingressos por parte de criminosos.

Na semana passada, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro havia negado soltura ao executivo, preso desde segunda (14) no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, no Rio. Depois, ele recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também negou liberdade.

Ao recorrer ao Supremo, a defesa alega que o cliente está "sofrendo constrangimento ilegal" porque a Copa já acabou e não há motivo para ele ficar detido. O pedido foi registrado no sistema do STF nesta segunda-feira (21) e distribuído ao ministro Marco Aurélio Mello. Em razão do recesso de meio de ano do Judiciário, a decisão será tomada pelo presidente em exercício do Supremo, Ricardo Lewandowski.

O CEO da Match havia sido detido no dia 7 de julho, mas obteve liberdade horas depois por decisão do plantão judiciário no Rio. Após ser solto, teve nova prisão decretada e ficou foragido por alguns dias. A defesa tentou no TJ nova libertação, mas não conseguiu e recorreu ao STJ, que também negou.

 

O habeas corpus protocolado no Supremo foi apresentado pelo advogado Fernando Fernandes, investigado por suspeita de ter facilitado a fuga do cliente.

No documento, a defesa argumenta que as autoridades tentam "a qualquer preço" manter a prisão de Whelan. Segundo a defesa, ingressos foram comercializados pela Match com autorização da Fifa. Ele cita que o tipo de ingresso "hospitality" permite o acesso do torcedor a um setor Vip e com alimentação diferenciada. Por conta disso, sustenta, não há preço fixo para o bilhete.

"O que é absolutamente fundamental que se compreenda é que a Match tem o direito, assegurado por contrato com a Fifa, de vender esses ingressos de hospitality pelo preço que bem entender, para quem quer que seja", afirma a defesa.

Ainda conforme o advogado, não é interesse da Match que exista "um mercado negro de ingressos".

"Vender ingresso hospitality para o francês Lamíne Fofana, ou para quem quer que seja, vem a ser exatamente a atividade comercial da Match, lícita, contratada e autorizada pela Fifa. Mais do que isso, a existência de um mercado negro de ingressos afronta diretamente os interesses da Match, dificultando o cumprimento de suas obrigações contratuais com a Fifa."

Investigação
De acordo com a polícia, escutas telefônicas apontaram que o esquema ilegal era operado pelo argelino Mohamed Lamíne Fofana, que tinha como contato Raymond Whelan. Segundo as investigações, três empresas de turismo localizadas em Copacabana, interditadas por policiais, faziam contato com agências de turismo que traziam turistas ao país e vendiam ingressos acima do preço.

Eram ingressos VIPs, fornecidos como cortesia a patrocinadores, a Organizações Não Governamentais (ONGs) e também destinados à comissão técnica da Seleção Brasileira. Desde bilhetes de camarotes até entradas de assentos superiores. Uma entrada para a final da Copa no Maracanã chegava a custar R$ 35 mil e a quadrilha chegava a faturar mais de R$ 1 milhão por jogo.

A defesa destaca, no pedido ao Supremo, que ainda não obteve acesso às gravações telefônicas que mostram conversas entre Whelan e Fofana. "Fica difícil falar com mais profundidade sobre as ditas 900 ligações a que só polícia, Ministério Público e imprensa têm acesso."

 

G1