Suíça abre investigação contra Blatter; Platini também é interrogado

Suíça abre investigação contra Blatter; Platini também é interrogado

A Procuradoria-Geral da Suíça anunciou nesta sexta-feira que abriu uma investigação criminal contra o presidente da Fifa, Joseph Blatter, enquadrado em dois artigos do Código Penal do país, por suspeita de apropriação indébita e má gestão, podendo pegar até dez anos de prisão. Uma das acusações é de um contrato assinado entre Blatter e o ex-presidente da Concacaf, Jack Warner, em 2005, que teria sido "desfavorável para a Fifa".

A contrato suspeito foi denunciado pela SRF (Rádio Pública da Suíça) em setembro de 2015. A emissora mostrou que Blatter vendeu direitos de transmissão para Jack Warner, então presidente da Associação de Futebol do Caribe, por um valor abaixo do mercado, o que "poderia ser criminalmente relevante".

O contrato data de 12 de setembro de 2005 e mostra que Warner pagou US$ 250 mil pelos direitos de transmissão do Mundial de 2010, na África do Sul, e outros US$ 350 mil pela competição no Brasil quatro anos depois. O documento é assinado por Blatter e Warner. Em 2007, Warner negociou os direitos com a TV Sportmax, depois de tê-los repassado para uma empresa de sua propriedade, a JDI. Estimativas dão conta de que esses direitos teriam sido revendidos por uma quantia entre US$ 18 milhões e US$ 20 milhões.

 

Além disso, Blatter é suspeito de ter feito um "pagamento indevido" no valor de 2 milhões de francos (cerca de R$ 10 milhões no câmbio de hoje) para o presidente da Uefa, Michel Platini. Esse pagamento foi feito em fevereiro de 2011, com a justificativa de "trabalho feito entre janeiro de 1999 e junho de 2002".

Na manhã desta sexta-feira, procuradores interrogaram tanto Blatter quanto Platini na sede da Fifa, logo após uma reunião do Comitê Executivo da qual os dois participaram. Por causa disso, a tradicional entrevista coletiva da entidade foi cancelada. Além do procedimento, procuradores levaram documentos e computadores da sede da Fifa.

Por meio de nota enviada para a imprensa, a Fifa informou que "colabora desde o dia 27 de maio" (data da prisão de Marin e outros dirigentes) com as investigações e que vinha "cumprindo todos os pedidos de documentos, dados e outras investigações". "Vamos continuar com este nível de cooperação", diz a nota.

Embora não haja nenhuma ligação aparente entre os casos, a investigação contra Blatter foi aberta no mesmo dia que a Fifa entregou para a Procuradoria da Suíça todas as contas de e-mails de Jérôme Valcke, secretário-geral da entidade, que foi afastado de todas as suas funções por suspeita de um outro escândalo. Valcke é suspeito de participar de um esquema ilegal de venda de ingressos, embora a própria empresa que o acusa tenha dito ao GloboEsporte.com que ele não embolsou dinheiro.

Ironicamente, Blatter dedica sua coluna semanal na revista da Fifa aos temas "reformas" e "corrupção". Escreve o agora investigado presidente da entidade:

- A Fifa apoia as intervenções das autoridades americanas e Suíças, e continuaremos apoiando de maneira independente, não importa quão perto de casa as investigações cheguem.

As investigações dos EUA e da Suíça são diferentes e correm paralelamente. Uma delas prendeu em maio sete dirigentes da Fifa em Zurique, entre eles o então vice-presidente da CBF, José Maria Marin. A outra investiga possíveis irregularidades na gestão da Fifa e no processo de escolha das Copas de 2018 (Rússia) e 2022 (Catar).

 

 

 

G1