Somente 10% dos estudantes brasileiros estão satisfeitos com suas escolas

Somente 10% dos estudantes brasileiros estão satisfeitos com suas escolas

Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22) pelo Instituto Inspirare revela que os jovens não estão satisfeitos com as escolas brasileiras, o que envolve aulas e material pedagógico. Segundo o levantamento, apenas um em cada dez estudantes diz considerar a qualidade do ensino satisfatória.“Os alunos demonstram claramente que não estão felizes com a forma como o ensino e a aprendizagem ocorrem", diz Anna Penido, diretora do instituto. De acordo com Anna, os estudantes reclamam da inadequação das aulas e do material didático e afirmam que as relações entre eles e os professores "não são legais”.

Feita em parceria entre o portal Porvir, programa especializado em inovações educacionais do Instituto Inspirare, e a Rede Conhecimento Social, a pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção mostra que, de cada dez jovens entrevistados, somente um diz estar satisfeito com as aulas e o material pedagógico.

Para o levantamento, foi usada a metodologia participativa, com a qual foram ouvidos 132 mil pessoas de 13 a 21 anos de todas as regiões do País. Mais de 85% dos entrevistados são da Região Sudeste; 9,4% do Centro-Oeste; 3,6% do Sul; 1,4% do Nordeste; e 0,2% do Norte.

Oito em cada dez entrevistados disseram que as relações dos alunos com a equipe escolar e com os colegas precisam melhorar. Apesar das críticas, os estudantes demonstram que ainda têm vínculo afetivo com o espaço escolar: 70% deles gostam de seus colégios e 72% dizem que aprendem lá coisas úteis para sua vida.

“Eles gostam da escola e não desistiram dela. Querem que seja diferente, mas continue existindo. A escola se desconectou da realidade desses alunos e agora, para se reconectar, vai ser importante escutá-los, ver porque não estão aprendendo”, frisou Anna.

Para a diretora do Inspirare, no mundo todo vive-se atualmente a maior crise do modelo educacional desde que se criaram os padrões atuais. “A escola de hoje foi construída na revolução industrial para educar as pessoas em larga escala, um modelo mais padronizado para educar muita gente ao mesmo tempo."

Anna disse que esse modelo respondeu a uma realidade "mais cartesiana, de linha de produção, quando as pessoas se preparavam para uma profissão conhecida, em um cenário mais estável". "Vivemos hoje em um mundo mais volátil, [com] muita intermediação tecnológica. A escola tem que acompanhar as novas demandas”, acrescentou.

A estrutura física dos colégios também é motivo de descontentamento. Para metade dos entrevistados, a sala de aula tradicional, com carteiras dispostas em filas, não é ideal. Os alunos expressaram a vontade de diversificar o local em que estudam. As opções mais populares são o uso de ambientes internos e externos e de móveis variados, como pufes, bancadas, almofadas e sofás, dispostos em diferentes configurações. Os participantes ouvidos não querem estudar apenas em lugares fechados: 44% sonham com uma escola com bastante área verde.

A pesquisa revela ainda que 36% dos estudantes consideram que “atividades práticas ou resolução de problemas” os fariam aprender mais, enquanto 27% entendem que o uso da tecnologia contribui para a aprendizagem. Para 51%, a utilização de ferramentas tecnológicas não deveria se restringir aos laboratórios de informática, mas também estar presente nas salas de aula e em outros ambientes.

Os jovens também acreditam que a escola deve prepará-los para o futuro. Mesmo quando imaginam uma instituição inovadora, 27% dizem que o foco deve ser "o preparo para o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] e o vestibular” e 23% dão prioridade à "preparação para o mercado de trabalho”. Quanto ao currículo, 25% querem ter algumas disciplinas obrigatórias e o direito de escolher outras, enquanto 21% defendem matérias obrigatórias no horário de aula e eletivas no contraturno.

Para entender o que os estudantes pensam da escola e, principalmente, o que esperam dela, a pesquisa usou uma metodologia chamada PerguntAção, que envolveu os jovens em todas as etapas do processo – da elaboração do questionário à análise das respostas.  O questionário ficou disponível na internet de 28 de abril a 31 de julho deste ano, para que alunos ou ex-alunos de todo o Brasil pudessem responder às perguntas feitas com o apoio de um conselho de especialistas e de um grupo de 25 pessoas de 13 a 21 anos. Algumas secretarias de Educação empenharam-se em divulgar a pesquisa.

Segundo Anna Penido, o Instituto Inspirare busca apresentar a pesquisa ao Ministério da Educação e às secretarias de Educação para que a voz dos jovens possa influenciar na tomada de decisão dos gestores a respeito do ensino no País.

 

Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2016-09-22/estudantes-satisfacao-escolas.html