'Situação brasileira está longe da registrada em crises anteriores', diz Nobel de Economia

'Situação brasileira está longe da registrada em crises anteriores', diz Nobel de Economia

O Nobel de Economia Paul Krugman, em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”, diz que o cenário mundial começa a se parecer cada vez mais com o da Europa: sofre com crescimento baixo, pressões deflacionárias e desempenho decepcionante.

Segundo Krugman, "parece que estamos numa situação em que ninguém quer gastar, não há demanda suficiente". Para ele, a solução seria um grande programa de estímulo fiscal nos países desenvolvidos, mas não há vontade política para isso.

Os profetas da catástrofe do Brasil devem estar tristes com essa entrevista do Nobel de Economia.

Ele diz que “apesar de o Brasil estar obviamente uma bagunça, do ponto de vista político, e mesmo que a economia tenha sofrido um retrocesso perto de todo aquele otimismo de alguns anos atrás, os fundamentos econômicos do país não chegam nem perto de estar tão ruins quanto em episódios anteriores”.

Krugman  afirma que “a situação fiscal não é desesperadora e o país está longe de um momento em que precisaria imprimir dinheiro para pagar suas contas. A taxa de câmbio está alta, mas nada perto dos níveis que associamos a crises graves”.

Para ele, “houve, sim, impacto da queda nos preços das commodities, e isso é significativo. Mas o Brasil de 2015 não é a Indonésia em 1998, nem a Argentina em 2001. É um problema, é desagradável e um pouco humilhante se ver nesta situação de novo. Mas as pessoas estão exagerando”.

O Nobel de Economia diz ainda que “nos países avançados, as classificações de risco não têm efeito nenhum. Para o Brasil e outras economias emergentes, isso ainda pode importar um pouco, mas bem menos que antes. É importante dizer que não há informação nenhuma na nota, as agências não têm nenhuma informação que as pessoas que acompanhem os dados e os jornais não saibam”.

De acordo com Krugman “isso pode ter algum efeito porque há alguns investidores institucionais que são obrigados a considerar o rating para montar seus portfólios. Mas eu suspeito que isso não seja grande coisa na situação atual. Isso gera manchetes, mas o que importa mesmo é a percepção”.

O economista diz que “o que vemos agora nos mercados emergentes é uma versão menor do que o que aconteceu no fim dos anos 1990: perda de confiança dos investidores, queda no preço das commodities e problemas nos resultados financeiros corporativos, dada a quantidade substancial de dívidas atreladas ao dólar”.

Para Krugman “uma valorização da moeda norte-americana [em decorrência do aumento dos juros pelo Banco Central norte-americano FED] exacerbaria isso. Não acho que vá ser uma catástrofe, mas haverá aumento significativo do estresse”.

 

 

 

 

Jornal do Brasil