Servidores do Ministério Público Federal paralisam atividades na Paraíba e pedem melhores salários

Servidores do Ministério Público Federal paralisam atividades na Paraíba e pedem melhores salários

Os servidores do Ministério Público Federal na Paraíba paralisaram suas atividades nesta segunda-feira (23) para protestar contra a falta de reajuste salarial que eles não receberiam há nove anos. Segundo Jorge Fernandes, eu faz parte do grupo de servidores, a paralisação não tem data para terminar.

“É um movimento de nível nacional. Apenas Roraima e Rio Grande do Norte ainda não aderiram. No entanto, não prejudicamos o atendimento ao cidadão. Mantivemos 30% do serviço, o que garante a qualidade e respeita a lei”, explicou Fernandes.

Eles reclamam que há nove anos os servidores do Ministério Público Federal não recebem aumento na remuneração e pedem, pelo menos, a recomposição das perdas. “Nosso movimento é para sensibilizar Brasília para que na votação do Orçamento fosse incluído um retorno para nós, servidores. Como isso vai acontecer nesta semana, então gostaríamos de sensibilizar a presidente Dilma para que pensasse na nossa causa”, decarou.

Para o servidor falta vontade política para a criação de um plano de carreira para os servidores, e esta falta de vontade estaria vinculada ao fato de que o Ministério Público tem sido protagonista de uma série de investigações em todo o Brasil.

“O Ministério Público trabalha e nós somos prejudicados. Isso depende da vontade política do Executivo, e não se nota essa vontade. Com as investigações isso pode influenciar”, reclamou.

Cerca de 100 servidores em toda a Paraíba paralisaram suas atividades. A greve não tem prazo para se encerrar, mas o movimento acompanhará diariamente os avanços conquistados.

“Esperamos que nesta semana, com o Orçamento sendo apresentado, uma emenda seja apresentada para melhorar nossa condição. Em todo o Brasil sentimos que estamos sendo esquecidos”, lamentou.

Reunião - O procurador-geral da República na Paraíba, Rodolfo Alves, participou da reunião da bancada paraibana na Câmara Federal onde apresentou a causa dos servidores do Ministério Público. Ele frisou que a falta de reajuste não se dá apenas para servidores do Ministério Público, mas de todo o judiciário da União.

“Essa reunião de aproximação das instituições com a bancada paraibana visa justamente apresentar a atual situação, bem como também buscar apoio na aprovação, e não só na proposta orçamentária, como também nos projetos de lei necessários para a reposição inflacionária do valor da remuneração dos servidores”, explicou.

A falta de atratividade, a ausência de um projeto sério de plano de carreira, estão afastando bons profissionais da instituição. “Os servidores estão buscando outras carreiras por falta de atratividade das instituições e fortalecimento das instituições. Precisamos de uma valorização dos servidores”, declarou.

Situação em outros órgãos é igual - Já o desembargador Ubiratan Delgado, presidente do Tribunal Regional do Trabalho, explicou que eles estão promovendo todo o contato necssário com os órgãos judiciários federais para encaminhar pleitos comuns a estes órgãos.

“um destes pleitos é a necessidade de reajuste dos servidores desses órgãos. Com exceção dos magistrados e procuradores, desde 2006 eles não têm um reajuste. Estamos perdendo nossos talentos”, explicou.

Ele destacou que no último concurso público do órgão para o setor de tecnologia da informação, algo estranho aconteceu. “Dos sete nomeados quatro não tomaram posse. Eles consideraram o salário oferecido desinteressante. Precisamos valorizar o servidor, ou vamos perder eficiência”, concluiu.
 
 


João Thiago