Sem voto decisivo, Conselho de Ética adia votação de processo contra Cunha

Sem voto decisivo, Conselho de Ética adia votação de processo contra Cunha

Sem aquele que é considerado o voto que definirá o desfecho do processo de cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o Conselho de Ética adiou para quarta-feira a votação do parecer do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), que recomenda a perda do mandato. A decisão foi anunciada porque uma das integrantes do colegiado, a parlamentar baiana Tia Eron (PRB), não apareceu para votar.

A presença de Tia Eron tornou-se crucial para selar o destino de Cunha, já que o placar atual, sem a posição dela, livra o presidente afastado da Câmara com um voto de diferença. Porém, caso a deputada baiana vote pela cassação, o resultado terminará empatado em 10 a 10. Nesse caso, o voto de minerva caberia ao presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), desafeto do peemedebista.

Os escudeiros de Cunha pressionam por diferentes vias – por exemplo, apelando ao ministro do PRB Marcos Pereira (Indústria e Comércio) – para que a deputada baiana ajude a salvar o presidente afastado da Casa. “É muito ruim para um governo que abrigue tantos aliados do Eduardo Cunha que mais essa suspeita de tentativa de interferência em outro poder paire sobre ele. Esse é um assunto da Câmara. A Presidência da República não pode se meter nesse assunto”, disse Alessandro Molon (Rede-RJ), rival de Cunha, citando encontro entre Pereira e o presidente interino da República, Michel Temer, nesta segunda-feira.

Uma das alternativas propostas pelos mosqueteiros de Cunha foi que Tia Eron não participasse da votação, cedendo a vaga para um suplente, o que também favoreceria o peemedebista já que o substituto, Carlos Marun (PMDB-MS), é contra a cassação. Diante dessa última possibilidade, o relator solicitou o adiamento para amanhã.O argumento dele foi que precisaria de tempo para analisar saída alternativa apresentada por João Bacelar (PR-BA): aplicar uma suspensão por três meses em vez da punição mais severa.

“Peço que me conceda um prazo maior para fazer essa análise. No debate, cuidei de fazer as anotações possíveis. Em se tratando de um voto da extensão do voto do Bacelar, eu, por dever, tenho de fazer a análise”, afirmou, ainda que, na prática, a real intenção era ganhar tempo.

Abduzida – Nos bastidores, a expectativa era que Tia Eron apareceria logo no início da votação, conforme os assessores dela haviam prometido aos membros do Conselho. No entanto, após cinco horas de sessão sem sinal da congressista, a solução estratégica foi adiar a deliberação. Se a discussão fosse encerrada e iniciassem os trâmites de votação, não seria possível, por questões regimentais, empurrar a sessão para esta quarta-feira – e, caso Tia Eron permanecesse desaparecida, a cassação de Cunha seria rejeitada.

O deputado Nelson Marchezan (DEM-RS) ironizou a ausência da colega baiana: “Foi abduzida”.

 

 

 

 

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