Sem cortes no orçamento, saída será aumento de impostos

Sem cortes no orçamento, saída será aumento de impostos
O ministro Joaquim Levy desembarca nesta quarta-feira em Brasília contabilizando mais uma derrota dentro do governo: o  pagamento da parcela de 50% do 13º dos aposentados , que ele tentou deixar para dezembro, e depois de negociação, propôs o parcelamento em duas vezes, mas acabou sendo atropelado pela decisão da presidente Dilma Rousseff de manter o cronograma dos anos anteriores.
 
 
Levy perdeu a batalha para o colega Carlos Gabas. Porém, mais do que o resultado final, o problema foi a forma da decisão. O Ministério da Fazenda chegara a confirmar no sábado que haveria o parcelamento em duas vezes. E, na segunda, uma nota oficial do governo confirmou o pagamento dos 50% de uma só vez.
 
 
Este é um exemplo clássico do que está acontecendo dentro do governo. É o que no Ministério da Fazenda é chamado de "a difícil arte de dizer não sozinho". É assim que Joaquim Levy se sente, embora tenha todo o apoio da presidente Dilma Rousseff. Mas não dos colegas de governo, onde cada um tenta salvar o próprio discurso. O que, aliás, é natural, quando se trata de equipe com muitos nomes da política.
 
 
Um novo embate está em curso na elaboração do Orçamento da União para o ano que vem. A proposta deve ser enviada ao Congresso na próxima segunda-feira e, pelas negociações em curso, os cortes estão bastante tímidos para caber na arrecadação baixíssima. Para fazer o ajuste, seria necessário um corte mais profundo até mesmo em programas sociais expandidos fortemente no último ano, como, por exemplo, Ciências sem Fronteiras, Fies e aquele prometido ajuste do Seguro Defeso, que ainda não aconteceu.
 
 
Cada ministro, porém, está tentando salvar o seu orçamento, neste momento em que o governo, de supetão, anunciou uma reforma administrativa - sem que se saiba o que se quer exatamente. Reduzir o número de ministérios, de funcionários, de gastos ou o quê? Ainda não há a resposta. Enquanto isso, está estabelecida a disputa pelo orçamento do ano que vem. A proposta orçamentária deverá ser enviada ao Congresso até segunda-feira que vem; a reforma administrativa é prometida para o fim de setembro.
 
 
Apesar do claro apoio da presidente Dilma, reafirmado publicamente em várias reuniões internas, Levy sofre derrotas fortes no governo – nada que até aqui faça o ministro esmorecer.
 
 
A mais visível foi no estabelecimento da meta de superávit (que ele não queria mexer naquele instante e acabou reduzida a 0,15%). Os ministros acabam conseguindo, com o discurso de defesa do social, convencer a presidente.
 
 
Mas ela própria já entendeu que, se não for feito o ajuste, o Brasil perde o grau de investimento e, aí, sim, haverá regressão social no Brasil. Quem melhorou de vida nos últimos anos, voltará a ter momentos difíceis. (será como aquela cena da campanha eleitoral em que a comida ia saindo do prato das famílias mais pobres enquanto ricos banqueiros davam gargalhadas?)
 
 
O resultado dessas seguidas derrotas no governo será o aumento de impostos. Segundo os estudos da área econômica não há como fechar as contas com cortes tímidos e despesas exuberantes. O resultado será o aumento de impostos.
 
 
Até aqui, não está claro quem poderá pagar mais impostos O que se sabe é que os bancos vão pagar mais. A alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) pode chegar a 25%; PIS-Cofins também pode aumentar. E a criação de uma Cide sobre serviços (uma taxa sobre o ISS dos municípios) que foi vetada no mundo político...
 
 
Um diálogo no Ministério da Fazenda traduz o momento: "Está tudo bem, fora que é preciso arranjar R$ 140 bilhões para fechar as contas". Trata-se de um certo exagero, mas é mais ou menos o que Levy está buscando. Sozinho.
 
 
 
 

G1