Seca já dura 3,5 anos e açudes da Paraíba perdem 3 bilhões de metros cúbicos d’água

Seca já dura 3,5 anos e açudes da Paraíba perdem 3 bilhões de metros cúbicos d’água

Em quatro anos consecutivos de seca a Paraíba perdeu cerca de 3 bilhões de metros cúbicos d’água, o equivalente a 80% da capacidade total dos 121 açudes monitorados pela Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa). Os mananciais hoje acumulam no total apenas 780 milhões, que equivale a 20,83% dos 3.744.547.815 bilhões, que é a capacidade máxima de todos os mananciais monitorados. A situação ainda é mais crítica em outros estados do Nordeste.

O Portal AgendaParaiba, que acompanha há vários anos os índices de chuvas no Estado apresenta hoje a redução dos volumes d’água desde 2011 nos reservatórios gerenciados pela Aesa.
Em 7 de maio de 2011 as 121 barragens acumulavam cerca de 3,5 bilhões de metros cúbicos d’água, quase 100% da capacidade total de reserva total de 3,7 bilhões). Passados quatro anos a Paraíba tem hoje 3 bilhões de metros cúbicos d’água a menos, portanto, somente 20,83% de toda sua capacidade de reserva hídrica.
Esse é o efeito da seca que atinge o semiárido nordestino desde 2012. Como 2015 é mais um ano com pouca chuva, a questão é extremamente preocupante. De acordo com a Aesa hoje existem 48 reservatórios com capacidade armazenada superior a 20% do seu volume total; 38 açudes com menos de 20% do seu volume total e 39 reservatórios em situação crítica (menor que 5% do seu volume total), ou seja, secos.

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Barragem Acauã sangrando em maio de 2011. Foto: José Marques

No mês de maio de 2011 a Aesa informava que 38 barragens sangraram no inverno daquele ano, inclusive o açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão, com seus 411,6 milhões de metros cúbicos, além da barragem Acauã, em Itatuba, que atingiu a capacidade máxima de 253 milhões de metros cúbicos.
O complexo Coremas/Mãe D’Água, maior manancial do Estado, está com apenas 241 milhões de metros cúbicos d’água, quando sua capacidade total soma pouco mais de 1,1 bilhão. Essa barragem, gerenciada pelo Departamento de Obras Contra a Seca (DNOCS), já teve capacidade máxima de 1 bilhão 358 milhões de metros cúbicos d’água.

Em 20 de junho daquele ano de bom inverno o volume total acumulado no Estado era cerca de 3,3 bilhões. Nesse 25 de maio de 2015 o Epitácio Pessoa está com apenas 18,8% de seu volume total e a barragem Acauã com 16,5%.

Veio o ano de 2012 e com ele o começou a seca. Em 31 de outubro daquele ano o Portal AgendaParaiba divulgava que o volume total acumulado nos 121 mananciais era cerca de 1,8 bilhão de metros cúbicos d’água, o equivalente a cerca de 48% da capacidade total de acúmulo d’água.
Já nesse ano apenas quatro das 15 Bacias Hidrográficas da Paraíba estavam com segurança hídrica de 85.4% a 96.7% de água em seus açudes e barragens. Essas bacias eram: Curimatau, Gramame, Baixo Paraiba e Mamanguape. Hoje, os melhores percentuais estão nos patamares de 77,4% 77,1%. Na região de Taperoá, no Cariri, a bacia hidrográfica está com apenas 4,6%.

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Açude Engenheiro Ávidos,em Cajazeiras, quase seco

No ano de 2013, no dia 3 de abril, a Aesa registrava volume total nos 121 açudes de 1.451.893.540 (1,4 bilhão). Bem menos da metade acumulada no ano de 2011.
Em fevereiro de 2014 o volume total havia caído para 1.098.774.080 (1,1 bilhão de metros cúbicos d’água). Passados um ano e três meses nossa reserva hoje está em 780 milhões de metros cúbicos d’água.

Ações governamentais – O Governo do Estado está monitorando os mananciais com mais vigor para proibir desvio de água para irrigação e desperdício. Mais de 700 km de adutoras estão sendo construídos e o Canal Acauã-Araçagi, com extensão de 112,4 km vai receber águas do São Francisco e garantir água para 600 mil paraibanos de 38 cidades, além de assegurar irrigação de 16 mil hectares. Carros-pipa, perfuração de poços e implantação de cisternas são outras medidas emergenciais em andamento. Falta o governo federal reconhecer a importância do Nordeste e a urgência para que sua população um dia tenha segurança hídrica. Fortes apelos têm sido feitos a presidente Dilma Rousseff para que não haja cortes nos financiamentos das obras e ações na área hídrica. Essa é a pauta mais urgente dos tempos atuais.

 

 

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