Réu, acusado de matar sua própria esposa é condenado a 8 anos de prisão em Conceição

Réu, acusado de matar sua própria esposa é condenado a 8 anos de prisão em Conceição

O Tribunal do Júri Popular condenou, na tarde desta quinta-feira(31), na cidade de Conceição, a 8 anos de prisão, o réu Pedro Joaquim de Sousa, pela morte de sua cônjuge Francisca Pereira Morais de Sousa. O crime aconteceu no dia 3 de maio do ano de 1993, dentro do quarto do casal, que residia no sítio Timbaúba, município de Conceição.

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O Ministério Público, representado pelo promotor Reynaldo di Lorenzo Serpa Filho, da cidade de Itaporanga, auxiliado pelo promotor Ernani Lucas da cidade de Conceição e pelo assistente da promotoria, Sinval Oliveira, defendeu a tese de homicídio, usando como principal argumento probatório, uma série de fotos da vítima, tiradas momentos depois do crime. Segundo o promotor, que demonstrou serenidade ao falar, tal qual um bom italiano, como próprio nome o entrega,  a posição da arma, uma espingarda “Bate Bucha”, que se encontrava em mão contrária ao lado de onde a vítima recebeu o disparo, atestava a impossibilidade da mesma ter cometido o suicídio.

Conforme a tese do Ministério Público, seria humanamente impossível a vítima conseguir puxar o gatilho da espingarda, uma vez que a mesma tinha uma medição de cano de, aproximadamente, 91 cm. Dessa forma, o promotor sustentou a tese de homicídio e pediu a condenação do réu.

Por outro lado, o advogado de defesa, Cicero José, que teve uma atuação brilhando nas suas fundamentações, elencou uma série de depoimentos de testemunhas arroladas no processo. Para o advogado, não existia nenhuma prova no processo que possibilitasse qualquer ventilação da possibilidade do réu ter cometido o crime, que segundo ele, tratava-se de suicídio. Segundo o advogado, todas as testemunhas foram harmônicas em afastar qualquer possibilidade de brigas do casal, que pudessem levar o marido a cometer o homicídio.

Cicero José foi taxativo ao ler o depoimento da filha do casal e afastou, segundo seus argumentos, qualquer possibilidade do envolvimento do réu no crime.

O conselho de Sentença, depois de ouvir atentamente, as exposições da acusação e defesa, reconheceu, por maioria dos votos, a culpabilidade do réu Pedro Joaquim de Sousa no crime que tirou a vida de sua esposa, Francisca Pereira Morais de Sousa.

Respeitando a decisão Soberana do Corpo de Sentença, o juiz Antonio Eugênio, que presidiu o júri, sentenciou o réu a 8 anos de prisão, a serem cumpridos em regime inicialmente fechado. O réu já havia cumprido 8 meses e 7 dias em regime fechado, razão pela qual, resta-lhe cumprir 7 anos e 23 dias de reclusão.

Como Pedro Joaquim de Sousa se encontra em liberdade, assistida pela força de um habeas-corpus, o juiz concedeu que ele pudesse recorrer em liberdade, até um novo julgamento, caso o advogado de defesa recorra da sentença.

Ao finalizar, o juiz Antonio Eugênio, sabiamente, usou um trecho do líder do rock Nirvana, Kurt Cobain, que se matou no ano de 1994 e deixou uma nota para seus fãs, onde expunha as razões para a sua morte, além de ter deixado uma mensagem para sua esposa Courtney Love e sua filha. Na sua carta o líder chama a atenção para seu trecho final, o qual foi escrito e lido pelo juiz: “Eu sou mesmo um bebê errático e triste. Não tenho mais a paixão, então lembrem, é melhor queimar do que se apagar aos poucos”(Kurt Cobain). Em seguida, o juiz sacramentou: “ O que era um suposto suicídio foi configurado em homicídio no caso de hoje”, finalizou.

 

Fonte: Gilberto Angelo/Portal Vale do Piancó Notícias