'Reforma política não atende anseios da população', diz deputado e reclama de corrupção no financiamento de campanha

'Reforma política não atende anseios da população', diz deputado e reclama de corrupção no financiamento de campanha

O deputado João Bosco (PSL) afirmou em entrevista ao Sistema Arapuan de Comunicação nesta quinta (28) que a reforma política da forma como está sendo feita não atende os anseios da população e comemorou a derrubada do projeto do “Distritão”, mas reclamou a aprovação do financiamento privado para partidos.


De acordo com o deputado, deveria ser feita uma reforma mais trabalhada e escutando mais a população, mais profunda reformando até o próprio sistema político. “Do jeito que se fala há 20 anos em coincidência de mandato e até hoje não há e não vai haver pelo que estou verificando não vai”, diz.

 

João Bosco afirmou que é importante a cada dois anos consultar a população, porém, ele apontou que há um acirramento durante todo o período entre eleições, além dos gastos. “A reforma deveria ser mais abrangente, da forma que está discutida no Congresso não vai satisfazer os desejos da população, pelo menos que os pontos cruciais sejam mantidos, do jeito que queriam, com distritão, financiamento público e vários outros, só iriam beneficiar quem já está no poder”, reclama.


Financiamento de campanha -  o deputado afirmou que também é contra, e defende apenas o financiamento de pessoas físicas privadas. Ele lembrou do horário gratuito e do fundo partidário que aumentou este ano e as despesas básicas, para ele podem ser custeadas por pessoas físicas.

“Isso torna a eleição muito mais equilibrada. O financiamento privado de empresas, toda a sociedade vê os escândalos que acontecem e a origem é o financiamento, tem vários outros fatores, mas esse influi muito. Quem tem acesso ao financiamento público para disputar a eleição? O cidadão comum, jovem que pretende ingressar na política com base ideológica com pretensões de defender interesse público tem acesso? Não tem. Quem tem é quem já está no poder (...) Sou contra o financiamento privado através de empresas tem que ser por pessoas físicas”, diz.

Fim das coligações - Para o deputado, o fim das coligações dificulta para os partidos pequenos, porém é plausível. Ele lembrou que a medida faz com que o partido tenha que ter bancada própria, grupo próprio, ter autonomia e eleger representantes. “Não pode mais unir partidos para somar no quociente e fiquei feliz de não ter sido aprovado o distritão. Vi deputado dizendo que era o mais legítimo, mas não é. No sistema de corrupção que existe a proporção dos votos é pelo dinheiro que investe, ninguém é menino”, aponta.


Para o deputado a legitimidade está ligada não a quantidade de votos, mas a qualidade. “É um ponto de equilíbrio para que as minorias também sejam representadas”, diz.
 
 
 


Marília Domingues / Fernando Braz