Reequilíbrio fiscal é condição para retomada do crescimento, diz Dilma

Reequilíbrio fiscal é condição para retomada do crescimento, diz Dilma

Em mensagem enviada ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (2), a presidente Dilma Rousseff afirmou ser necessário promover o “reequilíbrio fiscal” do país para recuperar o crescimento da economia “o mais rápido possível”. “Atingimos um limite”, disse a presidente aos parlamentares ao se referir às medidas já tomadas pelo governo para conter os efeitos da crise externa.

Ela afirmou que os ajustes na política econômica para se alcançar o reequilíbrio "não são um fim em si mesmos" e que, mesmo com essas medidas, o governo não promoverá "recessão e retrocessos".

Ajustes fazem parte do dia a dia da política econômica, bem como do cotidiano de empresas e pessoas. Ajustes nunca são um fim em si mesmos. São medidas necessárias para atingir um objetivo de médio prazo, que, em nosso caso, permanece o mesmo: crescimento econômico com inclusão social. Não promoveremos recessão e retrocessos."
Presidente Dilma Rousseff em mensagem ao Congresso

A mensagem aos congressistas foi lida pelo deputado Beto Mansur (PRB-SP), 1º secretário do Congresso, durante a solenidade de abertura dos trabalhos do legislativo. O documento foi entregue aos parlamantares pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Dilma não participou do evento.

Para justificar as dificuldades macroeconômicas enfrentadas pelo Brasil, a presidente descreveu cenário externo desfavorável, com queda do crescimento da China e do Japão, e dificuldades internas, como “choque” nos preços de alimentos e escassez de chuva. Para Dilma, o governo federal "cumpriu seu papel" diante de "eventos internos e externos".

“Absorvemos a maior parte das mudanças no cenário econômico e climático em nossas contas fiscais para preservar o emprego e a renda. Reduzimos nosso resultado primário para combatermos os efeitos adversos desses choques na nossa economia e proteger a nossa população. Atingimos um limite. Estamos diante da necessidade de promover um reequilíbrio fiscal para recuperar o crescimento da economia o mais rápido possível, criando condições para a queda da inflação e da taxa de juros no médio prazo”, afirmou a presidente na mensagem.

Os ajustes promovidos recentemente pelo governo, segundo a presidente, “são necessários para manter o rumo e ampliar oportunidades”, preservando programas de proteção social. No último dia 19, o governo anunciou aumento de tributos sobre combustíveis, produtos importados e operações de crédito com o objetivo de aumentar a arrecadação este ano em cerca de R$ 20 bilhões. Em dezembro, o governo aumentou o rigor para o acesso a benefícios previdenciários, com a expectativa de gerar economia de R$ 18 bilhões ao ano.

Na mensagem, Dilma disse que algumas medidas tomadas têm “caráter corretivo”, como as mudanças no seguro desemprego, abono e auxílio doenças. Os cortes parciais nestes benefícios, segundo a presidente, não são medidas fiscais, mas sim “aperfeiçoamento de políticas sociais”.

A presidente destacou que, na área fiscal, a primeira medida do governo foi reduzir a meta de superávit primário (economia feita para pagamento da dívida interna) – projeto aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro sob muita crítica da oposição. “Essa meta representa um grande esforço fiscal, mas que a economia pode suportar sem comprometer o crescimento e o emprego”, observou.

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Reduzimos nosso resultado primário para combatermos os efeitos adversos desses choques na nossa economia [...]. Atingimos um limite. Estamos diante da necessidade de promover um reequilíbrio fiscal para recuperar o crescimento da economia o mais rápido possível, criando condições para a queda da inflação e da taxa de juros no médio prazo"
Presidente Dilma Rousseff, em mensagem encaminhada ao Congresso

Dilma ainda deu destaque ao corte em um terço das despesas discricionárias de todo o Executivo e ao aumento de tributos anunciado no último dia 19 pelo ministro da Fazenda sobre combustíveis, sobre produtos importados e também sobre operações de crédito. A equipe econômica do governo espera arrecadar R$ 20,6 bilhões neste ano com as alterações.

“A razão de ser da gestão responsável e consistente da política econômica é estimular o crescimento e dar meios para execução de políticas que melhoram o bem estar”, explicou a presidente.

Salário mínimo
Na mensagem ao Congresso, Dilma reiterou que as regras atuais de correção do salário mínimo não serão alteradas e pediu apoio do Congresso para aprovar um projeto de lei que prorrogue essa política de valorização. “Conto com a parceria do Congresso Nacional para a aprovação do projeto de lei que dá continuidade à valorização do salário mínimo, nos mesmos padrões que temos hoje”, afirmou a presidente.

Pelas regras atuais, o salário mínimo é corrigido levando em conta a inflação do ano anterior e o crescimento do PIB, Produto Interno Bruto, de dois anos antes. Essa fórmula foi criada em 2008 com validade até o fim deste ano. Para estender a regra pelos próximos quatro anos, o governo tem que enviar um projeto de lei ao Congresso.

A questão do reajuste do mínimo provocou neste ano o primeiro desentendimento de Dilma com a nova equipe econômica do governo. Em sua primeira entrevista como ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou no dia 2 de janeiro que haveria uma nova regra de reajuste do salário mínimo a partir de 2016.

A fala desagradou Dilma, porque, na avaliação da presidente, o ministro teria antecipado um debate que não está maduro. Por determinação do Planalto, Barbosa teve que publicar, menos de 24 horas depois de ter dado a declaração, uma nota afirmando que o cálculo de reajuste do mínimo permaneceria o mesmo.

Conto com o Congresso Nacional para realizarmos a tão demandada e sempre adiada reforma política, de responsabilidade constitucional do Poder Legislativo"
Presidente Dilma Rousseff, em mensagem encaminhada ao Congresso

Corrupção
A mensagem de Dilma aos congressistas também inclui pedido de apoio para aprovar o “pacote” de medidas de combate à corrupção que será enviado por ela. Entre as cinco medidas previstas, está a criminalização do caixa dois e do enriquecimento ilícito, agilização do julgamento de crimes envolvendo desvio de dinheiro público e mais agilidade e eficiência nas investigações. “Julgamentos mais rápidos e punições mais duras, o que garantirá forte golpe na impunidade”, declarou.

A presidente afirmou, no entanto, que o esforço contra a corrupção também depende de uma reforma política. “Por isso conto com o Congresso Nacional para realizarmos a tão demandada e sempre adiada reforma política, de responsabilidade constitucional do Poder Legislativo”, disse, sem mencionar a realização de uma consulta popular. O tema já foi objeto de divergência entre Dilma e Renan Calheiros porque, enquanto a presidente defende a realização de um plebiscito, o senador fala em referendo.

Segurança pública
Na mensagem, a presidente também destacou o apoio dos homens da Força Nacional de Segurança em ações conjuntas com as polícias locais e defendeu uma maior participação do governo federal na área da segurança pública, hoje a cargo, principalmente, dos governos estaduais.

Dilma informou que pretende enviar ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para que o setor se torne uma “atividade comum de todos os entes da federação”. “É fundamental que a União assuma um novo e amplo papel na área de segurança pública”, disse. A intenção da presidente é que o Executivo federal estabeleça diretrizes e normas gerais a serem seguidas em todo o território nacional.

A presidente defendeu, ainda, o combate à homofobia e a violência contra a mulher. “O enfretamento da violência contra a juventude, especialmente afrodescendente, persistirá no centro de nossos esforços, bem como o combate a homofobia e a violência contra a mulher”, afirmou.

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Leia abaixo a íntegra da mensagem enviada por Dilma ao Congresso:

Senhoras e Senhores Parlamentares,

O início de um novo ano legislativo é um momento especial, de confirmação da força de nossa democracia. Por isso, é com grande honra que me dirijo ao Congresso Nacional para, por meio desta Mensagem, cumprir o dever constitucional de prestar contas das principais atividades do Executivo Federal em 2014 e assinalar as prioridades para 2015. Esta Mensagem se reveste de maior relevância por demarcar a transição entre o primeiro e o segundo mandatos que a população brasileira me conferiu. Contém, por isso, um balanço do que fizemos nos quatro últimos anos, com ênfase nas conquistas alcançadas em 2014, e as linhas estratégicas e prioridades que vamos perseguir neste novo mandato. A economia mundial, em 2014, teve como marcas a instabilidade e a incerteza.

Ainda que a economia brasileira também tenha sido afetada por este cenário, conseguimos, graças às medidas adotadas nos últimos quatro anos, minimizar seus impactos sobre a população e, ao mesmo tempo, preservar nossos alicerces macroeconômicos. A inflação, por exemplo, foi mantida em 2014, mais uma vez, dentro do intervalo admitido pelo regime de metas inflacionárias, assim como em todos os demais anos de meu mandato. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminou o ano com variação de 6,41%. No mandato que se inicia, manteremos o controle da inflação como prioridade da gestão macroeconômica. Ainda que o IPCA tenha permanecido pelo décimo primeiro ano consecutivo dentro do limite definido, queremos resultados ainda melhores e vamos dedicar esforços para que a inflação convirja para o centro da meta nos próximos anos, o que resultará, em médio prazo, em maior bem-estar para a população e em mais competitividade para a nossa economia.

Para tanto, o Banco Central vem adotando as medidas necessárias para reduzir ainda mais a inflação. O Brasil chegou a novembro de 2014 com uma dívida líquida do setor público correspondente a 36,2% do PIB, menor que a de dezembro de 2010 (39,2%), e muito inferior à de 2002 (60,4%). O perfil da dívida é, atualmente, melhor que no início de meu mandato em termos de composição e de maturidade: a parcela prefixada da dívida subiu de 36,6% para 40,8%, entre dezembro de 2010 e novembro de 2014, e o prazo médio cresceu de 3,5 anos para 4,5 anos no mesmo período.

Esses indicadores mostram o grande esforço fiscal que realizamos nos últimos anos. No entanto, a economia brasileira vem sofrendo os efeitos de dois choques. No plano externo, a economia mundial sofreu uma redução expressiva nas suas taxas de crescimento, com a China apresentando as menores taxas de crescimento em 25 anos, o Japão e a Europa em estagnação, e os Estados Unidos da América (EUA) só agora começando a se recuperar da crise. Além disso, há uma queda nos preços das commodities – uma queda de 58,8% do petróleo (de junho/14 a 20 de janeiro/15) e de 53% do minério de ferro (de dezembro/13 a janeiro/14) – e uma apreciação do dólar. No plano interno, enfrentamos, em anos sucessivos, um choque no preço dos alimentos, devido ao pior regime de chuvas de que se tem registro.

Essa seca teve, também mais recentemente, impactos no preço da energia em todo o Brasil, bem como na oferta de água em algumas regiões específicas. Diante destes eventos internos e externos o Governo Federal cumpriu seu papel. Absorvemos a maior parte das mudanças no cenário econômico e climático em nossas contas fiscais para preservar o emprego e a renda. Reduzimos nosso resultado primário para combater os efeitos adversos desses choques sobre nossa economia e proteger nossa população. Atingimos um limite. Estamos diante da necessidade de promover um reequilíbrio fiscal para recuperar o crescimento da economia o mais rápido possível, criando condições para a queda da inflação e da taxa de juros no médio prazo. Garantindo, assim, a continuidade da geração de emprego e renda.

Os ajustes que estamos fazendo são necessários para manter o rumo e ampliar oportunidades, preservando as prioridades sociais e econômicas do nosso Governo. Reafirmando o que disse na cerimônia de posse, as mudanças que o País espera para os próximos quatro anos dependem muito da estabilidade e da credibilidade na economia. Precisamos garantir a solidez nos nossos indicadores econômicos. Tomamos algumas medidas que têm caráter corretivo, ou seja, são medidas estruturais que se mostram necessárias em quaisquer circunstâncias.

Vamos adequar o seguro-desemprego, o abono-salarial, a pensão por morte e o auxílio-doença às novas condições socioeconômicas do País. Essas novas condições mostram que, nos últimos 12 anos, foram gerados 20,6 milhões de empregos formais. A base de contribuintes da Previdência Social foi ampliada em 30 milhões de beneficiários. O valor real do salário mínimo, que é a base de todo o sistema de proteção social, cresceu mais de 70%. Além disso, a expectativa de vida dos brasileiros com mais de 40 anos aumentou, passando de 73,6 para 78,5 anos, ou seja, quase cinco anos a mais de vida. Nestes casos, não se trata de medidas fiscais, trata-se de aperfeiçoamento de políticas sociais para aumentar sua eficácia, eficiência e justiça. Aliás, sempre aperfeiçoamos nossas políticas, e o Programa Bolsa Família é um excelente exemplo.

No ano passado, ano eleitoral, 1 milhão 290 mil famílias deixaram o Programa por não mais se enquadrarem, seja por razões cadastrais, seja por aumento de renda. Outro conjunto de medidas é o de natureza eminentemente fiscal, indispensáveis para a saúde financeira do Estado brasileiro. Contas públicas em ordem são necessárias para o controle da inflação, o crescimento econômico e a garantia, de forma sustentada, do emprego e da renda. Vamos promover o reequilíbrio fiscal de forma gradual. Nossa primeira ação foi estabelecer a meta de resultado primário em 1,2% do Produto Interno Bruto. Esta meta representa um grande esforço fiscal, mas um esforço que a economia pode suportar sem comprometer a recuperação do crescimento e do emprego. Preservaremos as metas de todas as nossas políticas sociais, como, por exemplo, do Bolsa Família; do Minha Casa Minha Vida; do Mais Médicos; do Pronatec; das ações para garantir acesso ao ensino superior; do Ciência sem Fronteiras; do combate à violência contra a mulher, dentre outras, pois são elas e seus benefícios para a população a razão de ser da gestão responsável e consistente da política macroeconômica.

A razão de ser da gestão responsável e consistente da política econômica é estimular o crescimento e dar meios para a execução de políticas que melhoram o bem-estar da população. Decidimos, também, reduzir previamente nossos gastos discricionários, enquanto o Congresso Nacional discute o Projeto de Lei Orçamentária de 2015. Por essa razão, reduzimos em 1/3 o limite orçamentário de todos os Ministérios, neste início de ano. Estamos atuando também pelo lado da receita. Adotamos correções nas alíquotas das Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre combustível e do IOF sobre o crédito pessoal. Também propusemos uma correção do PIS/COFINS sobre bens importados e do IPI sobre cosméticos.

Destaco, como ponto positivo, que as reservas internacionais fecharam 2014 em US$ 374,1 bilhões, montante 30% maior do que o existente no final de 2010 e dez vezes superior ao volume disponível no final de 2002. Esse patamar de reservas oferece segurança ao País para lidar com as incertezas e oscilações da economia internacional que ainda devem marcar 2015. Vale ressaltar também o estabelecimento, em julho de 2014, no âmbito dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), do Arranjo Contingente de Reservas, com capital de US$ 100 bilhões. Esse fundo representa uma linha de defesa adicional para o Brasil, assim como para os demais países dos BRICS, em caso da ocorrência de crises de balanço de pagamentos.

O mundo confia no Brasil. O fluxo de investimento estrangeiro direto para o País mudou de patamar em meu primeiro mandato. Recebemos US$ 258,4 bilhões no quadriênio, sendo US$ 62,5 bilhões em 2014. São 19,5% a mais que no período 2003-2010, quando já havíamos recebido 32% a mais que no período 1995-2002, o que confirma termos transformado o Brasil em um mercado muito atraente e confiável para o investidor estrangeiro. Manteremos, ao longo deste novo mandato, uma ação firme na economia para garantir a estabilidade e um ambiente favorável aos negócios, condições necessárias para continuarmos alcançando bons resultados na geração de emprego. Esse é o mais importante indicador de sucesso que temos a compartilhar: geramos 5,28 milhões de empregos entre 2011 e 2014, o que garantiu a permanência do desemprego em patamares baixos, entre os menores da história recente do Brasil.

O expressivo saldo positivo do emprego e a manutenção do desemprego nas taxas mais baixas dos registros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constituem diferenças marcantes do Brasil frente à maioria das economias desenvolvidas. Mais importante ainda é que atingimos esses resultados sem reduzir direitos dos trabalhadores brasileiros, orientação que continuaremos a perseguir. Vamos mostrar que é possível conciliar ajustes na economia, corrigindo excessos e distorções de alguns programas sociais, com a preservação de direitos trabalhistas e sociais.

Por tal razão, conto com a parceria do Congresso Nacional na aprovação do projeto de lei que dá continuidade à política de valorização do salário mínimo nos mesmos parâmetros vigentes até agora. O salário mínimo, que passou a corresponder a R$ 788 a partir de janeiro do corrente ano, é instrumento fundamental do bem-sucedido processo de redução da desigualdade no Brasil, ao qual daremos sequência.

A redução das desigualdades, a eliminação da pobreza e a ampliação dos direitos sociais são marcas fundamentais do meu governo, às quais jamais poderemos renunciar. Ajustes fazem parte do dia a dia da política econômica, bem como do cotidiano de empresas e pessoas. Ajustes nunca são um fim em si mesmos. São medidas necessárias para atingir um objetivo de médio prazo, que, em nosso caso, permanece o mesmo: crescimento econômico com inclusão social. Não promoveremos recessão e retrocessos.

O meu governo também tem compromissos fundamentais com o estímulo aos investimentos e com o aumento da competitividade econômica. Nesse sentido, o Plano Brasil Maior chegou ao final de 2014 com um conjunto expressivo de bons resultados. Além de ter contribuído para diminuir os impactos da crise sobre a indústria, o Plano implementou medidas fundamentais para a competitividade, ao estimular o investimento e a inovação tecnológica no setor. Visando reduzir os custos de produção, promovemos extenso programa de desoneração. Hoje, empresas de 56 setores industriais e de serviços se beneficiam da desoneração da folha de pagamentos, e recolheram, somente em 2014, R$ 24,07 bilhões a menos em tributos.

Promovemos também a desoneração dos investimentos: o peso dos tributos no investimento em bens de capital diminuiu de 32% para 4,3%. O Reintegra, que restitui aos exportadores tributos cumulativos recolhidos ao longo da cadeia produtiva em montante correspondente a 0,1% a 3% da receita obtida com vendas externas, tornou-se permanente a partir de 2014. O Programa de Sustentação do Investimento (PSI) garantiu, em 2014, R$ 76,3 bilhões em crédito em condições favoráveis ao investimento produtivo.

Os regimes especiais criados para estimular o desenvolvimento de cadeias produtivas também alcançaram bons resultados. Com o Inovar-Auto, 52 empresas habilitadas assumiram compromissos com investimentos da ordem de R$ 9,43 bilhões. Em pouco mais de um ano, 50 empresas foram cadastradas como Empresas Estratégicas de Defesa, habilitando-se aos benefícios do Regime Especial Tributário para a Indústria de Defesa (Retid). O Plano Inova Empresa está em plena execução.

A carteira total de investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico chegou ao final de 2014 com R$ 35,4 bilhões contratados e R$ 15,91 bilhões em processo de contratação. A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) também já está em plena atuação. Foram contratados 66 projetos cooperativos com empresas, em 2014. Lançamos, em junho, o Programa Nacional das Plataformas do Conhecimento, para apoiar parcerias entre empresas e instituições de pesquisa científica e tecnológica, nacionais e internacionais, para a realização de encomendas tecnológicas e para obtenção de produtos ou processos inovadores, de bens ou serviços, que envolvam risco tecnológico. Promovemos, em 2014, a universalização do Simples Nacional.

Com isso, a partir de janeiro de 2015, todas as empresas do Brasil que tenham faturamento de até R$ 3,6 milhões, independentemente do setor de atividade, podem usufruir da redução da carga tributária, do pagamento simplificado de impostos em um único boleto e dispor de procedimentos especiais e simplificados para abertura, registro, alteração e baixa. Trata-se de verdadeira reforma tributária para um segmento fundamental para o crescimento da economia brasileira. Vamos, neste novo mandato, aprimorar ainda mais o ambiente econômico para as micro e pequenas empresas. Encaminharei ao Congresso Nacional, ainda neste ano legislativo, projeto de lei criando um mecanismo de transição entre o Simples Nacional e os demais regimes tributários para que os pequenos negócios não tenham medo de crescer.

A melhora da competitividade depende, entre outras coisas, da simplificação e da desburocratização do dia a dia das empresas e dos cidadãos. Para avançar nesta direção, lançaremos um grande Programa de Desburocratização e Simplificação das Ações do Governo. Trata-se de agilizar e simplificar o relacionamento das pessoas e das empresas com o Estado e do Estado consigo mesmo.

Menos burocracia representa menos tempo e menos recursos gastos em tarefas acessórias e secundárias, mais produtividade e mais competitividade. Toda a sociedade ganha. No que tange ao comércio exterior, lançaremos um Plano Nacional de Exportações para estimular o comércio externo. O foco de nossa política industrial, baseada na ampliação da nossa competitividade, será o aumento da pauta e dos destinos de nossas exportações. Se nossas empresas conseguirem competir no resto do mundo, elas conseguirão competir facilmente no Brasil, onde já desfrutam de vantagens locais. Nossa agricultura continuou batendo recordes de produção. Em 2014, a safra de grãos alcançou 192,8 milhões de toneladas, 2,4% a mais que em 2013, segundo estimativa do IBGE. O apoio do Governo Federal para o alcance desse resultado foi expressivo.

Alocamos R$ 156 bilhões para o agronegócio e R$ 24 bilhões para a agricultura familiar, na safra 2014/2015. Além dos recursos para crédito, os mais volumosos de toda a história, também continuamos a aprimorar instrumentos importantes para a produção agrícola. Ampliamos os recursos disponíveis para o seguro do agronegócio e, para a agricultura familiar, criamos um novo seguro, em vigor desde 1° de janeiro, que garantirá até 80% da renda esperada. Ampliamos também a cobertura do Garantia Safra, que atenderá 1,35 milhão de agricultores.

O Plano Nacional de Armazenagem, que terá continuidade em 2015, autorizou, até novembro de 2014, R$ 6,8 bilhões para financiar a construção de novos armazéns privados. Cerca de 700 mil famílias de agricultores familiares receberam assistência técnica em 2014 e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) começou a operar. No ano que se passou, criamos 145 projetos de reforma agrária, garantindo o assentamento de mais de 32 mil famílias. Encerramos o primeiro mandato com mais 2,9 milhões de hectares destinados à reforma agrária, e com a criação de 493 projetos de assentamentos em benefício de 107,4 mil famílias.

Mais importante, graças à reorganização que promovemos nos critérios de seleção de terras e de oferta dos serviços de públicos, é que estamos conseguindo dar mais qualidade e sustentabilidade aos assentamentos e mais direitos aos assentados. Neste novo mandato, manteremos o nosso compromisso de garantir, em todas as próximas safras, recursos em volume e condições adequados ao fortalecimento e expansão de nossa produção.

Os investimentos em infraestrutura avançaram ainda mais em 2014. Trata-se de uma ação primordial para o aumento da competitividade da economia e para a oferta de melhores condições de vida da população, que permanecerá no centro de nossa estratégia, ao longo do novo mandato.

O investimento de R$ 1,6 trilhão pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em suas duas edições está mudando, para muito melhor, a infraestrutura brasileira. Com esses recursos, já concluímos, até 2014, a modernização e duplicação de 11 mil km de rodovias; a construção de 2 mil km de ferrovias; obras de expansão e modernização em 44 portos, 26 terminais hidroviários e em 47 aeroportos; e mais de 4 mil obras de saneamento. Temos, hoje, uma grande carteira de investimentos em mobilidade urbana de R$ 143 bilhões em 118 Municípios de grande e médio portes, em todos os Estados brasileiros.

À medida que esses investimentos forem sendo concluídos ao longo dos próximos quatro anos, a população urbana brasileira passará a dispor de mais 658 km de transporte sobre trilhos, sendo 279 km de novas linhas de metrô, mais 2.242 km de corredores de ônibus e 924 km de BRTs, além de 21 km de transporte fluvial. Neste e nos próximos anos do mandato, continuaremos apoiando Estados e Municípios na transformação do padrão de mobilidade de nossas cidades. Na área de energia, a capacidade de geração foi ampliada em 21.832 MW e a rede de transmissão em 24.192 km, em meu primeiro mandato.

O Luz para Todos realizou 546 mil ligações neste período, elevando para 3,2 milhões o total de domicílios beneficiados pelo Programa desde sua criação, em 2003. Ressalto que conseguimos aumentar nossa capacidade instalada de geração de energia elétrica de 80 mil megawatts (MW), em 2002, para 134 mil MW, em 2014. Concomitantemente, expandimos as redes de distribuição de 76 mil quilômetros para 125 mil quilômetros, no mesmo período. Isso mostra que estamos fazendo os investimentos necessários para assegurar a oferta de energia em nível adequado ao desenvolvimento econômico do País e com maior solidez e segurança ao sistema de geração e distribuição de energia elétrica.

Salientamos, além disso, os grandes esforços que estamos fazendo na diversificação das fontes de energia, com a incorporação de novas energias alternativas e limpas ao nosso sistema elétrico, tais como a solar e a eólica. A produção de petróleo proveniente das reservas do pré-sal atingiu, em dezembro de 2014, a marca de 666 mil barris de petróleo por dia. Graças ao empenho e à eficiência da Petrobras, a empresa de capital aberto que mais produz petróleo no mundo, a riqueza do pré-sal já é uma realidade. Uma nova realidade que vai alavancar o desenvolvimento do País e mudar o patamar da educação brasileira.

A Refinaria Abreu e Lima já está em funcionamento e, em janeiro de 2015, realizou seu primeiro carregamento de nafta petroquímica. Com isso, vamos eliminar progressivamente os gargalos que ainda temos, no que tange ao refino do petróleo. Adotamos, também, medidas para fortalecer o mercado de biocombustíveis. Elevamos o percentual de mistura de biodiesel ao óleo diesel de 5% para 6%, a partir de julho, e para 7%, a partir de novembro. Alteramos, também, o limite máximo da mistura de etanol anidro na gasolina de 25% para 27,5% e estamos aguardando a conclusão dos estudos científicos sobre tal alteração. Entregamos, em 2014, a segunda etapa do Sistema Logístico de Etanol, que agora se estende de Paulínia, em São Paulo, a Uberaba, em Minas Gerais, passando pelo Município paulista de Ribeirão Preto.

A carteira de investimentos em segurança hídrica correspondia, no final de 2014, a R$ 34 bilhões. O Projeto de Integração do São Francisco está avançando. Em 2014, as primeiras etapas foram entregues. A conclusão integral do projeto está prevista para 2016, com entregas parciais ao longo do corrente ano. Além da integração do São Francisco, os investimentos para ampliar a oferta de água no semiárido nordestino têm sido expressivos. Concluímos obras como os trechos I e II do Canal do Sertão Alagoano, em Alagoas; a 1ª etapa da Adutora do Algodão e os sistemas adutores Cafarnaum, Irecê e Pedro Alexandre, na Bahia; o Eixão das Águas e as barragens de Riacho da Serra, Missi e Figueiredo, no Ceará; o sistema adutor Congo, na Paraíba; a 1ª Etapa da Adutora do Pajeú, a Adutora do Oeste, e os sistemas adutores Agrestina, Belo Jardim, Sirigi e Limoeiro, em Pernambuco; o Sistema Piaus, no Piauí; e o sistema adutor Seridó, no Rio Grande do Norte. No mandato que se inicia, muitas outras obras para ampliar a segurança hídrica do Nordeste, já contratadas e em implantação, serão entregues.

Vale destacar que, entre 2011 e 2014, implantamos 781.847 cisternas em todo o semiárido do Nordeste, ultrapassando a meta que propusemos em 2011, de 750 mil. Somadas às cisternas implantadas no Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atendemos um total de 1,1 milhão de famílias, que têm, hoje, acesso mais fácil à água. No final de 2014, quando solicitados pelo governo do Estado de São Paulo, que tem a responsabilidade constitucional pela gestão dos recursos hídricos, autorizamos investimentos para ampliar a oferta de água em São Paulo, esforço que terá continuidade neste ano. O Governo Federal está disposto a ser parceiro do governo de São Paulo na realização de obras que, nos próximos anos, possam afastar a insegurança hídrica hoje vivenciada pela população paulista.

A mesma disposição se estende às demais unidades da Federação, especialmente as da região Sudeste, fortemente afetada pela maior seca das últimas oito décadas. Ao longo de meu primeiro mandato, aos investimentos do PAC somamos as parcerias com o setor privado no âmbito do Programa de Investimentos em Logística (PIL), para acelerar a expansão e a elevação da qualidade de nossa logística.

Definimos novos modelos de concessão e alteramos regras regulatórias, buscando conciliar a oferta de infraestrutura de mais qualidade à nossa população e a nossos produtores com modelos atrativos ao investimento privado.

Como resultado, temos hoje seis aeroportos modernizados e sob gestão privada – Brasília/DF, Campinas/SP, Guarulhos/SP, Galeão/RJ e Confins/MG, além de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Concedemos 5.350 km de rodovias, nas quais serão investidos, ao longo do período de concessão, R$ 32,7 bilhões em obras de melhorias, dentre as quais a duplicação de 3.338 km. Foram autorizados 34 novos Terminais de Uso Privado (TUPs) e quatro ampliações, o que resultará em R$ 11 bilhões de investimentos na estrutura portuária. Em 2015, realizaremos a concessão de mais 2.625 km de rodovias, 2.282 km dos quais serão duplicados. Vamos definir, neste ano, novas carteiras de investimento em infraestrutura para o PAC e para o PIL, combinando investimentos públicos e parcerias privadas.

Adotaremos também novas medidas para potencializar ainda mais a complementaridade entre o investimento público e privado, como o aprimoramento dos modelos de regulação, a promoção do mercado privado de crédito de longo prazo, o desenvolvimento de instrumentos de garantias para financiamento de projetos de grande vulto e o aperfeiçoamento do processo de licenciamento ambiental. Essas parcerias público-privadas e as concessões a elas associadas refundam a relação entre o Poder Público e a iniciativa privada no Brasil.

Estamos utilizando a energia da iniciativa privada para suprir serviços de qualidade à população brasileira, mantendo sempre em vista o interesse nacional e o controle público de setores estratégicos. Ampliaremos, em 2015, os investimentos em uma das infraestruturas mais importantes para o desenvolvimento do Brasil: a rede de Internet de banda larga.

Nosso objetivo será, nos próximos quatro anos, promover a universalização do acesso a um serviço de Internet de banda larga barato, rápido e seguro, por meio do apoio à instalação de redes de fibra óptica, conectando 90% dos Municípios e 45% dos domicílios com redes de ultra banda larga. Em dezembro de 2014, o Minha Casa Minha Vida atingiu a meta que havíamos proposto para o período 2011-2014, de contratar a construção de 2,75 milhões de moradias. Com isso, em menos de cinco anos, foi contratada a construção de 3,76 milhões de novas casas e apartamentos, parte expressiva destinada à população de baixa renda.

Desse total, 2,076 milhões de moradias foram entregues até o final de 2014, realizando o sonho da casa própria para milhões de famílias que, sem este apoio, dificilmente conseguiriam conquistar sua moradia. Vamos lançar, em 2015, a terceira fase do Programa Minha Casa Minha Vida, que irá contratar mais 3 milhões de moradias, nos próximos quatro anos. Será mais um esforço de investimento do Estado para garantir moradias dignas com acesso a todos os serviços públicos e também para continuar estimulando o crescimento do emprego na indústria de construção civil, em todo o território nacional.

Investimos muito sem abdicar da sustentabilidade ambiental de nosso desenvolvimento. Um indicador desse compromisso é a evolução da taxa anual de desmatamento na Amazônia Legal – nos quatro anos de meu primeiro mandato, foram alcançadas as quatro menores taxas de desmatamento da Amazônia desde 1988.

Em 2014, foram desmatados 4.848 km², 18% menos que no ano anterior. Começamos a implementar as previsões do novo Código Florestal, com a implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Até dezembro de 2014, cerca de 130 milhões de hectares haviam sido cadastrados no CAR, 40% da área rural cadastrável no Brasil. Em 2015, vamos iniciar a modernização do licenciamento ambiental, essencial para que esse processo venha a ser praticado em bases mais técnicas, com mecanismos de tomada de decisão mais objetivos e rápidos.

Queremos, em parceria com o Congresso Nacional, aprovar um novo marco legal para o acesso a recursos genéticos e repartição de benefícios, que consolide novos caminhos para a pesquisa e a inovação, e para o desenvolvimento da bioindústria em novas bases regulatórias. Nosso País já realizou compromissos muito expressivos de reduções voluntárias de suas emissões de gases poluentes. Cumpriremos e até superaremos essas metas de reduções e continuaremos a ser um dos países líderes do imprescindível processo de equilíbrio do clima de nosso planeta, preservando, no entanto, o espaço para o desenvolvimento econômico e social.

Compartilho com as senhoras e os senhores congressistas que cumprimos todas as metas propostas para o Brasil Sem Miséria, que lançamos em 2011 com o ousado, mas necessário, objetivo de garantir a superação da extrema pobreza no País. Aperfeiçoamos o Bolsa Família – com destaque para a criação do benefício do Brasil Carinhoso – e passamos a complementar a renda das famílias, o que permitiu que 22 milhões de brasileiros superassem a linha da extrema pobreza somente em meu primeiro mandato.

Com essas medidas, superamos a miséria, do ponto de vista da renda, no universo do Bolsa Família. Além da complementação de renda, o Plano Brasil Sem Miséria ofereceu oportunidades aos beneficiários do Bolsa Família. Matriculamos 1,5 milhão de jovens e adultos do Cadastro Único, em sua maioria mulheres, nos cursos de qualificação profissional do Pronatec. Mais de um milhão de microempreendedores do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (Cadastro Único) se formalizaram, sendo 406 mil deles beneficiários do Bolsa Família. Foram realizadas 5,6 milhões de operações do Crescer, programa de microcrédito produtivo orientado, com pessoas do Cadastro Único, das quais 3,6 milhões foram destinadas a pessoas do Bolsa Família.

Estamos prevenindo e tratando os males que mais afetam nossos meninos e nossas meninas na primeira infância, como anemias e asma – 4,1 milhões de crianças foram beneficiadas com a distribuição de sulfato ferroso ou receberam megadoses de vitamina A; e o medicamento gratuito para asma foi assegurado a 1,4 milhão de pessoas. Foram matriculadas 702 mil crianças do Bolsa Família em creches, diminuindo a desigualdade no acesso entre as crianças de diferentes faixas de renda. Levamos o ensino em tempo integral a 35,7 mil escolas nas quais a maioria dos estudantes é beneficiária do Bolsa Família. Continuaremos mobilizando as políticas em favor dos mais pobres, para que sua ascensão social e econômica tenha continuidade.

Faremos da prática da busca ativa uma ação contínua para levar oportunidades aos mais pobres. Priorizaremos o acesso das crianças e jovens à educação, para romper, em definitivo, o ciclo da pobreza. Iniciativas de inclusão produtiva serão reforçadas e ampliadas pois, como afirmamos em 2011, o fim da miséria é só um começo. Nossa grande prioridade neste novo mandato será fazer do Brasil uma Pátria Educadora.

Perseguiremos obsessivamente o objetivo de universalizar o acesso a um ensino de qualidade em todos os níveis, democratizando o acesso ao conhecimento. Sabemos perfeitamente que só a educação de qualidade para todos, em todos os níveis, mudará, em definitivo, o patamar econômico, social e tecnológico do Brasil. A determinação política de fazer da educação a prioridade das prioridades será acompanhada pela garantia de mais recursos e mais investimentos. Isso porque, neste novo mandato, os royalties do petróleo e os recursos do fundo social do pré-sal começarão a fluir em montantes expressivos para a educação.

Os resultados que alcançamos até 2014 também nos impulsionam a fazer mais. Contratamos a construção de 6.452 creches e pré-escolas em todo o Brasil, ultrapassando a meta proposta para o período de seis mil unidades. Somadas às contratadas a partir de 2007, no Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegamos a um total de 8.768 creches e pré-escolas que foram ou estão sendo construídas.

Em 2015, perseguiremos duas grandes metas em relação à educação infantil: concluir a construção das 6.315 creches para as quais os recursos foram liberados; e pactuar, com prefeitos, a priorização de vagas, nessas unidades, para as crianças de 4 e 5 anos, de modo a criar as condições de cumprimento da meta de universalizar o acesso a esse nível de ensino até 2016, prevista no Plano Nacional de Educação, sancionado em 2014.

Ultrapassamos a meta proposta também para as escolas públicas que oferecem educação em tempo integral: chegamos ao final de 2014 com 61 mil escolas garantindo a educação em tempo integral para crianças e adolescentes. Em 58% dessas escolas, a maioria dos alunos é de famílias beneficiárias do Bolsa Família. Continuaremos ampliando a oferta de ensino em tempo integral, priorizando a expansão da cobertura nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, em especial em regiões de alta incidência de violência. O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) cumpriu, com antecedência, sua meta. Beneficiamos 8,1 milhões de brasileiros com cursos técnicos e de qualificação profissional, oferecidos por escolas técnicas federais e estaduais e, principalmente, pelas escolas do Sistema S.

O sucesso da primeira etapa do Pronatec e a importância da qualificação dos trabalhadores para o aumento da competitividade de nossa economia justificam a implementação de uma segunda etapa do programa, que irá oferecer, até 2018, 12 milhões de vagas. Dedicaremos atenção especial ao Pronatec Jovem Aprendiz, que permitirá às micro e pequenas empresas contratarem um jovem para atuar em seu estabelecimento, com a qualificação sendo custeada pelo Pronatec. Noventa e dois novos institutos federais de educação profissional entraram em funcionamento em 2014.

No meu primeiro mandato, foram entregues 208 novas unidades, o que permitiu que a Rede Federal de Educação Profissional atingisse 562 unidades. Isso demonstra nosso firme compromisso com a necessária expansão do ensino profissionalizante. No ensino superior, a Rede Federal de Educação chegou ao final de 2014 com mais quatro universidades, 47 novos campi universitários e mais 208 campi de escolas técnicas federais.

Cumprimos todas as metas anunciadas em 2011. Fortalecemos, no quadriênio encerrado em 2014, todos os instrumentos e políticas de acesso ao ensino superior. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é hoje reconhecido como um procedimento de seleção nacional, republicano e equânime, tendo sido feito por 6,2 milhões de estudantes em 2014, 23% mais que no ano anterior.

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) também se consolida a cada ano como mecanismo nacional de acesso às universidades públicas. O Programa Universidade para Todos (ProUni), entre 2011 e 2014, concedeu 748,3 mil bolsas. No mesmo período, 1,81 milhão de contratos de financiamento educacional foram firmados por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Esses dois instrumentos, decisivos para ampliar o acesso da população de baixa renda ao ensino superior, terão continuidade no novo mandato.

O Ciência sem Fronteiras garantiu bolsas de estudo nas melhores universidades do mundo para 101.446 jovens brasileiros, que têm voltado dessa experiência mais bem preparados para produzir ciência, tecnologia e inovação no Brasil. No período 2015-2018, serão mais 100 mil bolsas, que continuarão sendo concedidas com base no mérito dos estudantes, medido pela nota no Enem e por seu desempenho acadêmico. Tem centralidade, nesse grande esforço em prol de uma Pátria Educadora, a imprescindível valorização do professor.

Tivemos o maior aumento do piso nacional dos professores ao longo dos últimos anos. Ademais, implantamos programas significativos de formação de professores, como os relativos à Alfabetização na Idade Certa e à Universidade Aberta do Brasil. Ampliamos muito nossos investimentos na saúde, com o propósito de oferecer cuidado mais humanizado e de maior qualidade às brasileiras e aos brasileiros. Entre 2011 e 2014, garantimos recursos para ampliar, reformar ou construir 24.911 postos de saúde e para construir 465 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que vão se somar às 391 já em funcionamento. A cobertura do Samu chegou a 75% da população, com as 185 centrais de regulação e 2.970 ambulâncias em atividade.

Atendemos 23,2 milhões de brasileiras e brasileiros com medicamentos gratuitos para diabetes, hipertensão e asma, que puderam ser retirados em 32 mil farmácias da rede Aqui tem Farmácia Popular, em 4.282 Municípios. Expandimos e qualificamos a infraestrutura, mas o grande salto de qualidade na saúde começou com a implantação do Mais Médicos, que garantiu atendimento básico de saúde a 50 milhões de brasileiros que não tinham acesso a serviços médicos nas áreas mais vulneráveis do nosso País.

O Mais Médicos será mantido e aprimorado. O Mais Médicos implica investimentos na formação e na valorização de médicos brasileiros. Por isso, persistiremos na ampliação das vagas em graduação e em residência médica. Até 2014 haviam sido autorizadas 4.393 novas vagas em cursos de graduação de medicina, de um total previsto de 17 mil até 2017. A partir de 2015, começaremos a enfrentar, com o Mais Especialidades, o desafio de ampliar o acesso aos serviços especializados de saúde.

Em conjunto com Estados e Municípios, vamos implantar, em cada região de saúde, módulos de cuidados integrais voltados para pacientes que necessitam de atendimento especializado e resolutivo ou de cuidado especializado continuado, que serão ofertados pelo SUS em serviços públicos e privados. Em meu primeiro mandato, buscamos ampliar nossa atuação na área de segurança pública, sempre respeitando as previsões constitucionais.

Com o Plano Estratégico de Fronteiras, mobilizamos o Ministério da Defesa e os órgãos do Ministério da Justiça, em parceria com as forças estaduais de segurança, para garantir um controle mais efetivo das nossas fronteiras.

A Força Nacional de Segurança apoiou, a partir de demanda dos governos estaduais, cerca de 120 operações em 21 Estados. Todas essas ações terão continuidade e serão reforçadas por novas iniciativas. Instalaremos centros de comando em todas as capitais, similares aos que implantamos nas Cidades-sede da Copa do Mundo FIFA 2014, onde haverá equipamentos de elevado padrão tecnológico para ampliar a capacidade de ação de nossas polícias.

Ampliaremos a integração dos órgãos de inteligência, para nos anteciparmos ao crime organizado e sermos capazes de desorganizar seus negócios. Queremos, ademais, propor uma nova forma de atuação dos governos na área de segurança pública. Submeterei ao Congresso Nacional proposta de alteração da Constituição Federal de 1988 para que a segurança pública se torne atividade comum de todos os entes federativos.

É fundamental que a União assuma um novo e mais amplo papel na área de segurança pública. Pretendemos que a União possa estabelecer diretrizes e normas gerais válidas para todo o território nacional, para induzir políticas uniformes no País e disseminar a adoção de boas práticas na área policial. Vamos integrar todas as forças e agir de forma articulada, de modo a vencer o crime organizado e reduzir a criminalidade e os níveis de violência.

Precisamos ter uma segurança pública eficiente, que enfrente os desafios da criminalidade urbana dentro de um estrito marco de respeito aos direitos humanos. Ressalto que o enfrentamento da violência contra a juventude, especialmente a juventude afrodescendente, persistirá no centro de nossos esforços, bem como o combate à homofobia e à violência contra a mulher. Realizamos, com grande sucesso, a Copa do Mundo FIFA 2014.

Os 12 estádios preparados para a Copa sediaram 64 jogos e receberam 3,4 milhões de espectadores, o segundo maior público de todas as 20 edições da Copa do Mundo. O Brasil recebeu pouco mais de um milhão de turistas estrangeiros de 203 nacionalidades, que deixaram, em divisas, cerca de US$ 1,6 bilhão. Um total de 3,1 milhões de brasileiros circulou pelo País durante a Copa do Mundo. Os preparativos para esse grande evento mostraram-se adequados. A movimentação total nos 21 aeroportos durante a Copa foi de 17,8 milhões de passageiros, com índice de atraso similar ao observado na União Europeia e dentro do padrão internacional.

Os torcedores e turistas se deslocaram nas Cidades-sede sem enfrentar problemas de transporte coletivo. O sistema de segurança funcionou como previsto e não houve restrições quanto ao sistema de telefonia e de transmissão de dados por Internet. Realizamos uma grande Copa do Mundo. Contra os céticos e os derrotistas, mostramos que o Brasil é capaz de vencer quaisquer desafios. Nos próximos 18 meses, estaremos totalmente engajados no processo de preparação das Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

As obras já estão em curso e, em parceria com os governos do Estado e do Município do Rio de Janeiro, vamos implementar todas as ações necessárias para fazer desses eventos mais um sucesso de organização. O ano de 2014 foi marcado por intensa agenda de relações internacionais, consistente com nosso objetivo de manter forte presença do Brasil no mundo. A IV Cúpula dos BRICS, realizada em Fortaleza, instituiu o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo Contingente de Reservas. Reconhecidos entre as mais importantes iniciativas da economia global nas últimas décadas, esses dois mecanismos serão complemento essencial às atuais entidades de apoio ao desenvolvimento e à estabilidade macroeconômica do mundo.

A Cúpula BRICS-Unasul, realizada por iniciativa do Brasil e prestigiada por todos os presidentes sul-americanos, aproximou ainda mais os países de nossa região das grandes economias emergentes. Participamos da Cúpula União Europeia – Brasil, em Bruxelas, de reuniões do Mercosul, na Venezuela e Argentina, da Unasul, em Quito, e da Celac, em Havana.

Em simultâneo a esta última, estivemos na inauguração do Porto de Mariel, empreendimento financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que gerou mais de 150 mil empregos em nosso País e uma receita de US$ 800 milhões para o Brasil, com exportação de bens e serviços. Na Cúpula do G-20, na Austrália, o Brasil reiterou a necessidade de democratização das principais instituições financeiras internacionais, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Da mesma forma, seguimos defendendo o papel insubstituível da Organização Mundial do Comércio (OMC) como promotora do comércio mundial. A Reunião Multissetorial Global sobre o Futuro da Governança da Internet (NETmundial) permitiu reafirmar o compromisso brasileiro com uma Internet democrática, aberta e descentralizada.

Por isso, foi com grande satisfação que vimos a Assembleia Geral da ONU aprovar, por unanimidade, a resolução que propusemos, em conjunto com a Alemanha, visando resguardar o direito à privacidade na era digital. Após o cumprimento antecipado, pelo Brasil, de diversas metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), o último ano desse ciclo foi marcado por uma conquista histórica: a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) atestou que erradicamos, em nosso País, o secular problema da fome.

Na abertura da 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas, defendi, em consonância com a tradição brasileira, a estrita observância do Direito Internacional e a prioridade da solução pacífica de conflitos. O uso da força, quando necessário, deve ser sempre autorizado pelo Conselho de Segurança, em respeito à Carta das Nações Unidas.

Ao longo de meu primeiro mandato, a integração regional aprofundou-se, com a ampliação do Mercosul, que formalizou o ingresso da Venezuela e deu início ao processo de acessão da Bolívia. Consolidaram-se a União de Nações Sul-americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac). Apoiamos também as negociações de paz na Colômbia e a retomada das relações entre EUA e Cuba.

Em 2015, o Brasil dará especial atenção à integração latino-americana e caribenha e ao fortalecimento de seus organismos. Prosseguirá em seu esforço de aproximação e cooperação com a África, países árabes e asiáticos. Concomitantemente, desenvolverá agendas positivas com os países desenvolvidos para beneficiar o comércio, os investimentos e a inovação.

O Brasil quer ter relações amistosas e profícuas tanto com os países em desenvolvimento, quanto com os países desenvolvidos. Não temos de escolher entre um tipo de país ou outro. Esse é um falso dilema ao qual não circunscreveremos a política externa brasileira. Em articulação com outros ministérios, o Itamaraty apoiará todas as iniciativas bilaterais e multilaterais que favoreçam a expansão de nosso comércio exterior.

Nos foros econômicos globais prosseguiremos nossa luta por uma ordem mundial mais justa, inclusiva, livre do protecionismo e capaz de oferecer um novo dinamismo à economia mundial. Atuaremos firmemente no combate a todas as manifestações de violência, dentro dos marcos do Direito Internacional e com respeito aos Direitos Humanos.

Vamos acelerar a implementação e o acompanhamento dos Acordos de Complementação Econômica (ACEs) com países não membros do Mercosul, além de seguir ampliando o diálogo com a Aliança do Pacífico, com a qual já temos um expressivo livre-comércio. Na definição de estratégia conjunta de inserção internacional, buscaremos avançar nas negociações do acordo com a União Europeia.

A proposta do Mercosul está pronta e aguarda apenas a oferta europeia. Manteremos o esforço de democratização da governança global, notadamente a implementação da reforma do FMI e a ampliação do Conselho de Segurança da ONU. Atuaremos para institucionalizar rapidamente o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo Contingente de Reservas dos BRICS, bem como para fortalecer a OMC.

Levaremos à Conferência das Partes sobre Mudança do Clima (COP 21), a realizar-se em Paris, nosso empenho na fixação de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa e os elogiáveis resultados brasileiros nessa área.

Também seguiremos participando das definições, no âmbito da ONU, da Agenda do Desenvolvimento Pós-2015, em seus três pilares: social, econômico e ambiental. No período 2011-2014, atuamos em forte parceria com Estados e Municípios.

Parte expressiva de nossas mais bem-sucedidas políticas – Bolsa Família, PMCMV, creches, Mais Médicos, investimentos em saneamento, para citar apenas alguns exemplos – contou com o apoio e o engajamento dos Estados e Municípios. Como prometido, pagamos, em abril de 2014, a segunda parcela de um auxílio financeiro a todos os Municípios brasileiros, no valor de R$ 1,5 bilhão, distribuídos de acordo com os critérios do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Com a sanção da Lei nº 148/2014, foram alterados os critérios de indexação das dívidas de Estados e Municípios, diminuindo os encargos e a capacidade de investimento futuro dos entes da Federação. Com a Emenda Constitucional nº 84/2014, o repasse de recursos da União ao Fundo de Participação dos Municípios será ampliado em 1% a partir de 2016, sendo que em 2015 o adicional será de 0,5%. Neste novo mandato, persistiremos atuando em parceria não só com todas as esferas de governo, mas também com os demais poderes do Estado.

Em consonância com os poderes Judiciário e Legislativo, pretendemos avançar em dois temas de imensa relevância para o Brasil e nossa população: no combate à corrupção e à impunidade, e na reforma política. Temos combatido sem trégua a corrupção, com a criação de leis mais severas e pela ação livre de amarras dos órgãos de controle interno, pela autonomia da Polícia Federal como instituição de Estado, e pela independência assegurada ao Ministério Público.

Ao contrário do que acontecia até um passado recente, hoje o Brasil avança firme no combate à sua histórica impunidade. Por isso, a atuação contra a corrupção será reforçada com as medidas contra a impunidade que enviarei, neste ano legislativo, à apreciação do Congresso Nacional.

São cinco medidas: i) transformar em crime e punir com rigor os agentes públicos que enriquecem sem justificativa ou não demonstram a origem dos seus ganhos; ii) modificar a legislação eleitoral para transformar em crime a prática de Caixa 2; iii) criar uma nova espécie de ação judicial que permita o confisco dos bens adquiridos de forma ilícita ou sem comprovação; iv) alterar a legislação para agilizar o julgamento de processos envolvendo o desvio de recursos públicos; e v) criar uma nova estrutura no Poder Judiciário que dê mais agilidade e eficiência às investigações e processos movidos contra aqueles que possuem foro privilegiado.

Todas essas medidas têm o propósito de garantir processos e julgamentos mais rápidos e punições mais duras, o que representará um forte golpe na impunidade. Mesmo assegurando o amplo direito de defesa dos acusados e o contraditório, princípios básicos de justiça, queremos eliminar os procedimentos que permitem que processos e julgamentos se arrastem, indefinidamente, em nosso País. Algumas dessas medidas podem aperfeiçoar – e agilizar – iniciativas em estudo pelo Congresso Nacional e pelo Judiciário. Outras são inteiramente novas.

Juntos, os três Poderes da República poderão proporcionar ao Brasil melhores condições para enfrentar, e vencer, o desafio de combater com mais efetividade a corrupção e a impunidade. Entretanto, esse esforço no combate à corrupção e à impunidade produzirá resultados apenas parciais, caso o Brasil não enfrente a fonte principal dos desvios e dos desmandos: as insuficiências e as distorções do nosso sistema de representação política. Por isso, conto com o Congresso Nacional para realizarmos a tão demandada, e sempre adiada, reforma política, de responsabilidade constitucional do Poder Legislativo.

Urge definir novas regras para a escolha dos representantes da população nas casas legislativas e estabelecer novas formas de financiamento das campanhas eleitorais. Precisamos também aprimorar os mecanismos de interlocução com a sociedade e os movimentos sociais para reforçar a legitimidade das ações do Legislativo e do Executivo.

É nossa tarefa democratizar o poder para que a sociedade se sinta cada vez mais representada e para que as instituições representem, com ética e transparência, a vontade de todos os cidadãos. Conto com esta Casa para, neste novo ano legislativo, atuarmos em parceria para dar início a um novo ciclo histórico de mudanças em nosso País. Um ciclo que manterá o Brasil no caminho do desenvolvimento, tornando-o, cada vez mais, uma nação que garante a todos os cidadãos as mesmas oportunidades e os mesmos direitos.

As brasileiras e os brasileiros escolheram mais mudanças, pois querem avançar ainda mais. O povo brasileiro quer mais e merece mais. O povo não quer retrocessos. Esse é o recado fundamental das urnas e das ruas. A tarefa de atender a esses legítimos anseios será executada, com determinação, em cada um dos dias deste novo mandato. Tenho certeza de que, com o imprescindível apoio do Congresso Nacional, o Brasil vencerá todos esses desafios.

 

 

 

 

G1