PSDB vai pedir apuração de denúncia contra CPI da Petrobras, diz Aécio

PSDB vai pedir apuração de denúncia contra CPI da Petrobras, diz Aécio

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse ontem que seu partido irá entregar representações às comissões de ética do Senado e de Ética Pública (da Presidência da República) para analisar denúncia publicada no fim de semana pela revista “Veja” de suposta manipulação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras.

“Quero aproveitar este momento para dizer que as denúncias que a revista Veja publica hoje [ontem] são de extrema gravidade”, declarou Aécio ao introduzir o tema em entrevista coletiva, na capital gaúcha, enquanto respondia a uma questão sobre as pesquisas eleitorais no Rio Grande do Sul.

Segundo a reportagem, a presidente da estatal, Graça Foster, e ex-diretores da empresa teriam recebido antecipadamente perguntas que seriam feitas durante seus depoimentos à CPI. O tucano disse que líderes do PSDB avaliavam possíveis medidas judiciais a serem tomadas no caso, mas o partido já havia definido questionar as comissões de ética do Senado e da Presidência para apurar possível participação de parlamentares e funcionários públicos. “Se forem comprovadas as denúncias publicadas, mostra que houve uma farsa” e os responsáveis devem dar explicações, segundo o candidato.

Questionado sobre os riscos de excesso de medidas judiciais na campanha, já que o PT também pediu investigação sobre o caso do aeroporto de Cláudio (MG), instalado em propriedade que pertenceu ao tio-avô de Aécio, o tucano respondeu que o partido irá se defender de “ataques que venham do campo governista”. Dizendo que não quer uma campanha “nos tribunais”, Aécio acrescentou que “usaremos o direito de ir à Justiça quando acharmos necessário”. Mais tarde, em comício no ginásio Gigantinho, em Porto Alegre, afirmou que os adversários “não têm limites nas armas que usam para manter-se no poder”.

Com críticas ao governo centradas na economia e na postura da presidente Dilma Rousseff (PT) durante a campanha eleitoral, Aécio disse que uma vitória do PSDB em outubro daria, em sua visão, um sinalizador “mais propício” aos investimentos. Ele voltou a dizer que o nível de investimento deve subir dos atuais cerca de 18% para 24% do Produto Interno Bruto (PIB) ao final do próximo governo, se for eleito. Segundo Aécio, o cenário seria “oposto” ao vivido após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, quando o petista “gerou um clima de incerteza” até que incorporasse “os pilares macroeconômicos do governo anterior”.

Também reiterou críticas à campanha da petista numa linha semelhante à adotada pelo adversário Eduardo Campos (PSB). “Nossa adversária não pode mais caminhar em meio ao povo, porque não tem mais a confiança do país”, discursou no comício, acompanhado pela candidata do PP ao governo gaúcho, Ana Amélia Lemos. O evento recebeu cerca de oito mil militantes da coligação (PP, PSDB, Solidariedade, PRB) de várias cidades, segundo a organização – o ginásio pode comportar até 14 mil para shows. Embora o PP nacional apoie a reeleição de Dilma, a seção estadual tem no PT um tradicional adversário e essa foi a segunda atividade do partido no Estado com o tucano. 

Na política externa, Aécio atacou o que considera “atrasado alinhamento ideológico” do Brasil, insinuando que o Mercosul retarda as negociações de acordos para o país. Segundo Aécio, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, lhe disse que o bloco europeu havia concordado com uma cota para produtos agrícolas nas negociações para acordo comercial com o Mercosul, mas os parceiros de bloco Argentina e Venezuela teriam colocado empecilhos.

“O Brasil retarda essa negociação (UE/Mercosul) porque a Argentina puxa para um lado e a Venezuela sequer aceitou apresentar relação de condicionantes que todos tínhamos que apresentar”, afirmou, para defender o que chamou de “flexibilização” no Mercosul rumo a uma área de livre comércio. Dessa forma, as negociações seriam feitas no âmbito do Mercosul sempre que possível, segundo ele, mas sem “estar permanentemente amarrados às conveniências de todos os países do bloco”. O Mercosul é uma união aduaneira em processo de consolidação, fase posterior à área de livre comércio nos processos de integração. 

No comício, o presidente estadual do PP, Celso Bernardi, também criticou o governo federal. “O Brasil passa por momentos de enorme dificuldade pela incompetência, demagogia e irresponsabilidade fiscal do governo”, afirmou. O PP participou dos governos Lula e Dilma. Ana Amélia dirigiu suas críticas ao adversário regional, o governador Tarso Genro (PT), que disputa a reeleição, e disse que o Estado ficou “a serviço de um partido”, que “trata até muito mal seus aliados”.

Valor Econômico