Professores denunciam problemas na nomeação de concursados para a Educação em JP

Professores denunciam problemas na nomeação de concursados para a Educação em JP

Após um ano da realização do concurso para professores da rede municipal de ensino, os profissionais foram chamados para trabalhar e encontraram diversos problemas. Entre estes problemas estavam professores sendo nomeados para escolas que ficavam a 15 quilômetros de distância do local onde moram, nomeação de dois professores para o mesmo cargo, desinformação da Secretaria de Educação sobre para qual escola foi designado tal professor.

Lauro Xavier Neto foi um dos professores aprovados no concurso e enfrenta um destes problemas. Ele foi nomeado para uma escola e, quando chegou ao local onde daria aula, descobriu que outro professor já havia sido indicado para o mesmo cargo.

“A diretora da escola disse que não ficaria comigo porque já tinha um contratado para a função. Fui à Secretaria para tentar resolver isso e eles obrigaram a diretora a me dar a vaga”, explicou.

Lauro faz parte da comissão de professores aprovados que passou o ano de 2014 inteiro tendo reuniões com a Secretaria de Educação do município lutando para estabelecer critérios de seleção para os professores nomeados, para que fossem respeitados horários de trabalho apresentados pelos profissionais e para evitar problemas como os que estão acontecendo agora.

“Temos professores que já trabalham no município, que permite que o profissional tenha duas matrículas, e que foram nomeados para aulas no mesmo horário em dois lugares diferentes. O município não sabe sequer quem são os professores que já dão aula no sistema?”, questiona Lauro.

Membro do Psol na Paraíba e liderança sindical no estado, o assistente social Tárcio Teixeira se preocupa que os problemas enfrentados pelos professores cheguem a afetar a vida escolar dos estudantes. As atividades de ensino no município voltam nesta segunda-feira com uma reunião de planejamento nas escolas.

"Diante dos fatos, muitos não vão começar o trabalho na segunda-feira (02/02), o momento que era para ser de alegria vem virando constrangimento”, lamentou o líder sindical.

Na tarde desta quinta-feira (29) foi realizada uma reunião entre representantes dos professores concursados, o secretário da Articulação Política do município e um advogadeo da Prefeitura. Tárcio destacou que vários dos professores relataram um comportamento arrogante por parte dos representantes do poder público. “O advogado chegou a falar na reunião que ‘a fila anda’, sugerindo que os incomodados passem a vez para outros aprovados. Na audiência púbica do orçamento da Prefeitura eu disse que os prazos dados pelo então Secretário poderiam trazer problemas para o inicio das aulas, infelizmente eu estava certo", ressaltou.

Lauro lembra do ano de luta para conseguir a nomeação. “Disseram que estavam se organizando, estabelecendo os critérios para a escolha dos professores. Estamos questionando isso. Cobrando que os critérios de convocação sejam transparentes”, destacou.

Tárcio Teixeira aponta que há professores que estão sendo “privilegiados, sem critério de colocação ou vínculo na hora de lotar os aprovados nas escolas”.

O professor reclama que não houve diálogo da secretaria com os professores. “Os problemas surgem por conta disso. Era para ter tido um evento para os professores aprovados, para as escolas. Agora temos que conviver com esta situação. Os professores vão à Secretaria tentar resolver seus problemas e enfrentam uma fila que não acaba. Queremos uma solução”, desabafou.

Diariamente os aprovados promovem protestos em frente ao Centro Administrativo Municipal. Seu lema agora é “de uma lapada só”, fazendo alusão à necessidade de contratação imediata de todos os concursados aprovados.

“Terceirizados vem sendop priorizados em detrimento dos concursados. A Secretaria afirmou que faz parte do planejamento, pois querem professores qualificados também nas escolas distantes do centro. "Mas eles precisam saber que ser terceirizado não significa não ter qualificação, que existem outros concursados para serem convocados, que os que tomaram posse devem ser priorizados por ordem de colocação e que não é possível acreditar em planejamento em meio a essa bagunça", comentou.

Resposta - Em nota, a Secretaria de Educação e Cultura afirma que será providenciadaa adequação de horários para os professores que tiverem dois vínculos empregatícios na rede pública de ensino, seja ela municipal ou estadual. Quanto à lotação dos professores ser em locais distantes de suas residências, a secretaria destaca na nota que “, conforme consta no edital, o concurso foi feito para atender às necessidades de toda a rede municipal de ensino, não citando escolas específicas. Sendo assim, o critério utilizado para a lotação dos aprovados foi a necessidade de cada escola, independente de sua localização”.

“A distribuição dos professores atende a um planejamento estratégico da secretaria, que visa enviar reforço para as áreas onde foram identificadas mais dificuldades, e melhorar os números do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).”

A secretaria ainda afirma que a administração “tentará conciliar o interesse público e o privado, usando do bom senso para não causar dificuldades desnecessárias aos novos servidores, mas em um concurso com 1.300 aprovados não é possível conciliar as vontades de todos. Nesse caso, prevalece o interesse público”.

Sobre a preparação das aulas e o planejamento, o diretor de Gestão Curricular, Gilberto Araújo, esclareceu que os professores possuem um dia por semana, todas as semanas, para planejamento junto à equipe da escola.

 

 

 

 

 

João Thiago e Marília Domingues