Produtores da Paraíba investem na produção de abacaxi mesmo no período de estiagem

Produtores da Paraíba investem na produção de abacaxi mesmo no período de estiagem

Mesmo durante o período de estiagem, que provocou perdas significativas para a agricultura, produtores da Zona da Mata e do Agreste paraibano pretendem continuar investindo na produção de abacaxi. Esse é o resultado de um diagnóstico feito por pesquisadores da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa), que visa medir os efeitos da seca na região e avaliar se a abacaxicultura ainda é uma atividade viável.

O diagnóstico, realizado em 2013, entrevistou 155 produtores dos municípios de Araçagi, Itapororoca e Lagoa de Dentro, regiões que abrangem cerca de 45% da área de abacaxi do Estado, e diagnosticou que apesar da queda de até 80% na produção, os agricultores ainda continuarão investindo nessa atividade.

Segundo o pesquisador da Emepa, Miguel Barreiro Neto, mesmo diante de todo o risco climático e não tendo água para fazer irrigação de salvamento, os agricultores dessa região não tem outra alternativa que dê mais lucratividade que a produção de abacaxi.

A Paraíba é o maior produtor de abacaxi no Nordeste, região que responde por cerca de 38% da produção nacional. Em 2011, foram cultivados no Estado 9.216 hectares e obtidos 276 milhões de frutos, correspondendo a 40,2% da área e 45,2% da produção regional. De acordo com dados do IBGE 2012, as regiões da Mata e do Agreste Paraibano respondem por cerca de 76% da área cultivada e 23% da produção do Estado.

A produção de abacaxi na Paraíba foi fortemente afetada pela pouca disponibilidade de água, especialmente nas suas fases de crescimento e frutificação. Além disso, ocorreram fortes reduções nas reservas d’água, o que impediu que os produtores as utilizassem na irrigação dos seus plantios. O que ocasionou perda de aproximadamente 20 a 40% da produção.

A pesquisa sobre “Prejuízos decorrentes da seca na abacaxicultura da Mesorregião Agreste Paraibano” identificou que nenhum produtor pretende mudar de cultivo ou mesmo sair da agricultura para outro setor de atividade, evidenciando assim que a cultura do abacaxi ainda é capaz de proporcionar uma rentabilidade satisfatória.

De acordo com o diretor técnico da Emepa, Wandrick Hauss de Sousa, para o setor agrícola da Paraíba a cultura do abacaxi é uma atividade de extrema importância, tanto econômica quanto social. Por isso, a Emepa tem dado uma grande contribuição para essa cultura, contemplando-a com atividades de pesquisa, com o apoio do Banco do Nordeste (BNB) e de outros órgãos financiadores de projetos. A partir desse diagnóstico, a Empresa elaborou um projeto, a ser aprovado pelo BNB, que engloba o enfoque sistêmico na abacaxicultura, ou seja, que envolve não só a parte de manejo, mas as partes de pragas, adubação, irrigação, etc.

O presidente da Emepa, Manoel Duré, destacou que a Empresa está sempre investindo em pesquisas para a abacaxicultura, por considerá-la de grande importância para o Estado. Esses diagnósticos sempre darão subsídios para formular projetos de pesquisas e políticas públicas de governo, além de mostrar um perfil da realidade local. “É de interesse do Governo do Estado continuar investindo nessa atividade, pois isto permitirá que a Paraíba continue sendo o maior produtor de abacaxi do País, além de gerar emprego e renda para os agricultores.”

Secom-PB