Presidente interino da Câmara é investigado por desvio em fundo de previdência

Presidente interino da Câmara é investigado por desvio em fundo de previdência

O presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), é acusado por um delator da Operação Miquéias de ter recebido pagamentos de propina para que a Prefeitura de Santa Luzia, no Maranhão, investisse em um fundo de investimento controlado por uma quadrilha de doleiros. O delator chegou a indicar a conta bancária onde foram feitos os pagamentos.

De acordo com depoimento de Almir Fonseca Bento, que fechou acordo de delação premiada e captava investimentos para a empresa da quadrilha, Maranhão foi a ponte de contato, em 2012, com o então prefeito de Santa Luzia (MA), Márcio Leandro Antezana Rodrigues.

Depoimento do delator Almir Bento detalha propina ao deputado Waldir Maranhão (Foto: Reprodução)

O delator revelou que estava com o deputado quando conversou com o prefeito de Santa Luzia sobre o investimento feito, um total de R$ 6 milhões, em fundos geridos pela empresa dos doleiros, a Invista Investimentos Inteligentes. “O deputado Waldir Maranhão recebeu R$ 60 mil por esta operação. Que deste total R$ 10 mil foi pago através de transferência bancária da sua conta no banco Itaú“, dia Almir Bento.

O dinheiro foi depositado na conta da esposa de Maranhão, de acordo com o documento. A transferência bancária foi feita entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013. No depoimento, o delator disse que o deputado cobrou o dinheiro para que pudesse pagar uma viagem para passar a virada do ano no Rio de Janeiro.

As provas contra Maranhão foram enviadas ao Supremo Tribunal Federal em 8 de outubro de 2013 para que ele fosse investigado e acusado por participação no esquema. Em abril, a Procuradoria-Geral da República determinou diligências para apurar a participação dele no caso.

A Operação Miqueias combateu uma quadrilha chefiada pelo doleiro Fayed Treboulsi, que corrompia prefeitos e gestores de fundos de previdência municipais para que invetissem recursos – guardados para pagar aposentadorias de servidores públicos – em fundos de investimentos geridos pela organização criminosa. Esses investimentos geravam lucros para a quadrilha e prejuízos para os fundos de pensão – e, consequentemente, para os servidores. O deputado Waldir Maranhão mantinha contatos frequentes com o doleiro Fayed pelo telefone.

 

Waldir Maranhão também é investigado pela Operação Lava Jato. Segundo o doleiro Alberto Youssef, ele era um dos parlamentares do PP que recebiam pagamento de propina por contratos fechados entre empresas fornecedoras e a Petrobras. 

Procurado, Waldir Maranhão informou que "nega o recebimento de qualquer tipo de benefício indevido e que não tem conhecimento de tal acusação". 

 

 

 

 

 

 

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