Presidente do PT diz que manifestações de domingo 'perderam legitimidade': 'movimento se partidarizou'

Presidente do PT diz que manifestações de domingo 'perderam legitimidade': 'movimento se partidarizou'

O presidente do PT, Charliton Machado, afirmou que o partido ainda não se reuniu para fazer uma avaliação sobre as manifestações deste domingo (16), mas apontou que particularmente acredita na perda da legitimidade do movimento que “se partidarizou” com a participação do PSDB.

“A questão central foi a perda da legitimidade de quem comanda, se partidarizou, perdeu o foco do combate à corrupção, a questão da 'caristia', retorno da inflação - que estamos fazendo esses mesmos debates. Quando o PSDB assume a responsabilidade fica parecendo revanche política”,criticou.

Machado aproveitou para comentar também sobre a relação do governo com o congresso e as condições de governabilidade e sobre a agenda aberta da presidente com os movimentos sindicais que tem criticado a agenda econômica e a ausência de proposta que possa incorporar sentimentos dos que foram para as campanha. Temos que não só negociar com setores produtivos, mas com o sustentáculo da luta histórica do PT”, afirmou.

Para o presidente, o PT “se acomodou e envelheceu” do ponto de vista das relações históricas. “Mudamos muito o país para melhor, agora nós envelhecemos do ponto de vista do comodismo político. Das relações que criamos e da situação onde o PT está. “O PT vive 12 anos de governo, tem que perceber o comodismo, tem que ouvir os movimentos sindicais, que na hora da chibata, quem vai defender um governo de esquerda são os movimentos sociais”, disse.

O presidente lembrou que é preciso o partido se voltar para as Universidades, Sindicatos, Movimentos Estudantis e fazer autocritica, pois é necessário renovar. “O PT precisa de mais mulheres, negros, jovens. Nós vivemos uma oportunidade de mudar o Brasil quando estávamos em condições melhores”, afirmou lembrando que Lula poderia ter liderado uma reforma política profunda, tinha legitimidade, força e base social, marcos da comunicação no Brasil, democratização e não fez. Reforma Tributária com mais justiça social tributando os que podem pagar mais e diminuindo as dos mais pobres. Não percebemos que poderia estourar uma crise política profunda”, destacou.
 
 


Marília Domingues