Presidente do PP diz que renuncia se for provado seu envolvimento com ex-diretor da Petrobras

Presidente do PP diz que renuncia se for provado seu envolvimento com ex-diretor da Petrobras
O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI) disse nesta terça-feira que renunciará ao mandato se comprovado seu envolvimento em irregularidades na Petrobras ou qualquer ligação com o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. Nogueira foi citado por Costa em delação premiada ao Ministério Público como um dos congressistas envolvidos num esquema bilionário de recebimento de propina por meio da Petrobras.

— Se tiver algum desvio de conduta de minha parte, recebimento de valores, renuncio ao meu mandato. Renuncio se aparecer algum diálogo, algo que possa provar vantagem econômica para mim, empresas da minha família ou ligadas a mim, disse o senador na tarde desta terça-feira.

Ele admitiu ter estado “várias vezes” com Paulo Roberto Costa, mas sempre acompanhado de outros políticos.

— Tive várias vezes com o doutor Roberto levando deputados, o governador do meu estado. Eu tinha ele (sic) na mais alta conta. Fui tratar sobre porto e gasoduto no meu estado. Ele era diretor da maior empresa do país. Difícil algum homem público de expressão no país que não tenha estado com Paulo Roberto em audiência pública — disse Nogueira.

O senador disse que o ministro Teori Zavaski, do Supremo Tribunal Federal (STF), deveria levantar o sigilo do processo para que se saiba de forma clara quem está de fato envolvido e quais são as denúncias feitas por Costa.

 

Nogueira demitiu nesta terça-feira o funcionário Mauro Conde Soares, que viajou a São Paulo com passagem comprada por uma das empresas ligadas ao doleiro Alberto Youssef, conforme matéria publicada pelo jornal “O Estado de S.Paulo”.

— Ele foi demitido sumariamente por quebra de confiança. Tive responsabilidade por contratá-lo, mas não tinha autorização minha para nada do que fez — afirmou.

Nogueira divulgou uma carta que enviou ao juiz Sérgio Moro, que conduz as investigações no Paraná sobre a Operação Lava-Jato, pedindo todos as partes da denúncia em que é citado por Paulo Roberto Costa.

LÍDER DEFENDE EDUARDO CAMPOS

O líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF) subiu à tribuna nesta terça-feira para defender o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos de qualquer vinculação com denúncias feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Campos morreu no mês passado, em São Paulo, vítima de um acidente aéreo. Rollemberg atribuiu o envolvimento do pessebista à eleição eleitoral e à possibilidade de Marina Silva, que substituiu Campos na disputa, se eleger.

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— Ninguém sabe em que condições o Eduardo foi citado, ele não está aqui para se defender. A Marina Silva (candidata do PSB à Presidência) tem a possibilidade de ganhar a eleição, há uso político indevido dessa questão — afirmou o senador.

Rollemberg informou que o PSB pediu à Justiça do Paraná acesso a todo o conteúdo do depoimento em que Costa fez delação premiada citando políticos para saber em qual contexto Campos foi envolvido.

— Repudiamos qualquer tipo de associação do nome de Eduardo Campos a esse episódio. E mais do que ninguém, o PSB quer esclarecer e está entrando com pedido à Justiça para ter acesso ao depoimento desse ex-diretor da Petrobras para que o partido possa defender a memória do seu líder maior — disse.


 
 

O Globo