Presidente do Banco Central é cotado para o Ministério da fazenda

Presidente do Banco Central é cotado para o Ministério da fazenda

Na bolsa de apostas para o novo ministro da Fazenda do governo reeleito de Dilma Rousseff, surgiu o nome do comandante do Banco Central, Alexandre Tombini. Tudo por causa da convocação súbita da presidente para que ele fosse à reunião do G20 que acontece em Brisbane, na Austrália, encontro que geralmente recebe apenas os chefes dos chefes.

Alexandre Tombini é o candidato que faz mais sentido para assumir a cadeira de Guido Mantega. As especulações em torno de Henrique Meirelles e Nelson Barbosa, dois ex-participantes dos governos do PT, só agradavam ao partido de Lula. As motivações de Dilma Rousseff, além de não serem satisfazer o comando petista, não incluem aceitar desafetos públicos em nome da unidade política.

Por que Tombini é o aspirante com mais chances para ficar com o posto-chave do governo? Nos quase quatro anos em que comandou o BC, Tombini conseguiu “sobreviver” ao não cumprimento da meta de inflação; aos movimentos mais bruscos da taxa de juros desde o Plano Real; às seguidas intervenções no câmbio – ora para subir, ora para fazer descer a moeda americana; e, principalmente, à companhia exasperante do atual-quase-ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Gostando ou não da gestão de Tombini no BC, o executivo tem características que o encaixam neste novo papel sob o ponto de vista do estilo da presidente e também dos anseios do mercado: bom tecnicamente,  frágil politicamente, discreto publicamente (talvez um pouco demais), diligente funcionário público e já conhecido por investidores e pelo mercado financeiro, o que pode ajudar Dilma Rousseff numa retomada de diálogo com a iniciativa privada – se for esse mesmo seu desejo.

A maior crítica que se faz a Alexandre Tombini atualmente é que ele foi subserviente ao desejos do governo, deixando em segundo plano o mandato de controle da inflação. O resultado de sua gestão corrobora essa interpretação, mas não justifica sozinho as falhas do BC de 2011 até agora. A batalha contra o “fogo amigo” vindo exatamente do ministério da Fazenda foi espinhosa. A falha de Tombini aqui foi não ter reagido como mais força, com atitude mais aguerrida em favor da economia.

Enquanto o Copom barateava o dinheiro, o governo impulsionava o consumo. Quando o comitê começou a encarecer o dinheiro, o governo seguiu incentivando o consumo, com mais intensidade. Tombini errou muitas vezes na comunicação com a sociedade e na condução das expectativas, mesmo quando acertou no diagnóstico. Juntou-se a isso o disse-desdisse sobre as ações do BC e os rumos da política econômica proferido por toda sorte de autoridades do governo. Uma conjunção de fatores negativos que também contribuíram para o mau desempenho do BC.

A melhor vantagem de Tombini na Fazenda talvez seja a de já conhecer os cantos escuros e obscuros da gestão da política fiscal e da força centralizadora de Dilma Rousseff. Sem um interlocutor atrapalhado e avesso aos flashes da fama, sua discrição pode até ajudar – se for apenas uma questão de estilo. O que não pode faltar a um novo ministro da economia brasileira é resolução e responsabilidade para arrumar a casa.


 

G1