Poupança registra saída de R$ 23 bilhões no trimestre, maior da história

Poupança registra saída de R$ 23 bilhões no trimestre, maior da história

A caderneta da poupança registrou a saída líquida (retiradas menos depósitos) de R$ 11,43 bilhões em março, informou o Banco Central nesta terça-feira (7). Trata-se, de longe, da maior retirada de recursos da mais tradicional modalidade de investimentos do país para todos os meses. A série histórica da autoridade monetária tem início em janeiro de 1995.

Março foi o terceiro mês consecutivo no qual a poupança registrou recorde de saídas de valores. Em janeiro, R$ 5,52 bilhões haviam deixado a caderneta de poupança, valor que subiu para R$ 6,26 bilhões em fevereiro deste ano e para mais de R$ 11 bilhões em março.

 

No acumulado do primeiro trimestre, a retirada líquida (acima do valor dos ingressos) de recursos da poupança somou R$ 23,23 bilhões, também o maior valor da historia para o trimestre. O montante representa quase o valor de toda a entrada de recursos registrada no ano de 2014 fechado - que foi de R$ 24,03 bilhões.

Com isso, o volume total de recursos aplicados na caderneta recuou novamente em março. No fim do ano passado, o estoque de recursos na poupança totalizava R$ 662,7 bilhões, passando para R$ 660 bilhões em janeiro e para R$ 658 bilhões em fevereiro. No fim do mês passado, já estava em R$ 650 bilhões.

 

Cenário econômico difícil
A evasão de valores da mais tradicional modalidade de investimentos do país acontece em um momento difícil: de alta da inflação, dos juros, dos impostos e, também, do endividamento das famílias.

 

Recentemente, o IBGE informou que a prévia da inflação oficial do país, medida pelo IPCA-15, ficou em 1,24% em março. No acumulado de 12 meses, o índice foi para 7,9%, o maior desde maio de 2005 (8,19%).

No ano, a taxa é de 3,5%. Ao mesmo tempo, os juros básicos da economia, fixados pelo Banco Central, estão no maior patamar em seis anos. As taxas bancárias, por sua vez, bateram recorde em fevereiro.

No início deste ano, para tentar reequilibrar as contas públicas, o governo promoveu uma rodada de aumentos de tributos. Subiram tributos sobre carros, empréstimos, importados, cosméticos, combustíveis e, também, sobre empresas. Além disso, também foram limitados benefícios sociais, como o seguro-desemprego e o abono salarial, entre outros.

De acordo com o BC, o endividamento das famílias com os bancos, em relação à renda acumulada dos últimos doze meses, somou 46,35% em janeiro (último dado disponível), o segundo maior da história, perdendo apenas para outubro de 2014 (46,4%).

 

Rentabilidade baixa
Para completar o quadro, a poupança tem perdido atratividade frente a outros investimentos. Segundo análise da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), com a nova alta dos juros básicos, para 12,75% ao ano, a poupança tem perdido dos fundos de investimento "na maioria das situações".

 

Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5%, está limitado em 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).

De acordo com cálculos do administrador de investimentos, Fabio Colombo, o rendimento da poupança ficou em 1,75% no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período, o ouro subiu 21,5% e o dólar avançou 21,1%. Os títulos indexados ao IPCA (inflação oficial) tiveram um rendimento (indicativo) de 5,3% e os fundos de renda fixa renderam, em média, 3,14%.

Colombo avaliou que, para abril, a poupança permence "interessante" somente para investidores que não têm acesso a fundos DI ou renda fixa, com taxas de administração inferiores a 3,5% a 4,0% ao ano (movimentação em até 6 meses – alíquota de IR de 22,5%) ou 4% a 4,5% ao ano (movimentação acima de 2 anos – alíquota de IR de 15%).

 

Fundo de reserva
Especialistas avaliam que, independentemente do rendimento, a caderneta de poupança ainda pode ser uma boa opção de investimento em alguns casos. Pode ser uma boa alternativa, por exemplo, para pequenos poupadores (com pouco dinheiro guardado), para pessoas que buscam aplicações de curto prazo (poucos meses) ou que procuram formar um "fundo de reserva" para emergências – uma vez que não há incidência do Imposto de Renda.

 

Nos fundos de investimento, ou até mesmo no Tesouro Direto (programa do governo de compra de títulos públicos pela internet) há cobrança do imposto de renda e, na maior parte dos casos, de taxa de administração. Nos fundos de investimento e no Tesouro Direto, o IR incide com alíquota regressiva, ou seja, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor é o valor da alíquota incidente no resgate.

 
 
 
 

G1