Polícia Federal indicia Pizzolato por nove crimes antes de fuga para a Itália

Polícia Federal indicia Pizzolato por nove crimes antes de fuga para a Itália

A Polícia Federal informou nesta sexta-feira (31) que concluiu investigação que aponta nove crimes de falsidade ideológica e uso de documento falso cometidos por Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil que foi condenado no julgamento do mensalão e fugiu para a Itália. A investigação da PF serve de base caso o Ministério Público decida oferecer denúncia sobre o caso à Justiça.

Segundo a PF, todos os crimes foram cometidos entre 2008 e 2010, antes da fuga para a Itália, nas cidades do Rio de Janeiro (RJ), Florianópolis (SC) e Lages (SC). Pizzolato usou documentos que pertenciam a seu irmão, Celso Pizzolato, morto em 1978. Ainda de acordo com a polícia, a pena prevista para cada um dos nove crimes apontados pode variar de um a cinco anos de reclusão.

 

Em um dos crimes apurados pela PF, em 2008, ele requeriu passaporte em Lages em nome de seu irmão, utilizando RG e título de eleitor falsos. Em 2010, no Rio, Pizzolato requeriu passaporte italiano no Consulado da Itália utilizando RG e passaportes falsos. Pizzolato também usou o título de eleitor em nome do irmão para votar nas eleições municipais de 2008, segundo informou a PF.

Prisão na Itália
Pizzolato estava preso desde fevereiro em Modena, na Itália, mas foi solto nesta terça-feira (28), quando a Corte de Apelação de Bolonha negou pedido do governo brasileiro para que o ex-diretor de Marketing do BB seja extraditado para o Brasil. O governo pedia a extradição para que ele cumpra no país a pena de 12 anos e 7 meses de prisão por crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro.

Após a Justiça italiana negar a extradição de Pizzolato, a PGR anunciou que vai recorrer da decisão, que pode ser revertida em última instância na Corte de Cassação de Roma. O Ministério da Justiça também informou que atuará em conjunto com a Procuradoria e a Advocacia-Geral da União em recurso contra a decisão. Mesmo que a Justiça decida pela extradição, a decisão final ainda caberá ao governo italiano.

Ao sair da cadeia, Pizzolato afirmou que sua condenação no process do mensalão foi injusta. Questionado se tinha valido a pena ter fugido do Brasil, ele respondeu: "Eu não fugi, eu salvei minha vida. Você não acha que salvar a vida não vale a pena?", afirmou, em entrevista a jornalistas.

"Fiz meu trabalho no banco, o banco não encontrou nenhum erro no meu trabalho. O banco sempre disse que não sumiu um centavo. Não é um banco pequeno, é o maior banco da América Latina, é um banco que tem um enorme sistema de controle", disse.

Pizzolato fugiu para a Itália em setembro do ano passado, mas foi preso em Maranello em fevereiro deste ano por uso de documento falso. Desde então, ficou preso em Modena aguardando o julgamento da extradição. Com a decisão desta terça, poderá responder ao processo em liberdade


 

G1