PMs compraram camisinhas antes de sessão de estupro no Jacarezinho

PMs compraram camisinhas antes de sessão de estupro no Jacarezinho

Antes de estuprarem três jovens na favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, os PMs denunciados pelo Ministério Público compraram camisinhas em uma barraca próxima ao local do crime. A informação faz parte de um depoimento dado por um comerciante da favela a agentes da 25ª DP (Engenho Novo). No relato, obtido pelo EXTRA, a testemunha conta que “estava na barraquinha quando, por volta de pouco mais de 2h, um policial militar que o declarante reconheceu nesta unidade policial como Renato Ferreira Leite, foi à barraca e pegou um pacote de preservativo”. Além de Leite, os soldados Gabriel Machado Mantuano, Anderson Farias da Silva também estão presos preventivamente no Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica, também na Zona Norte.

Para o promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior, da 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar, os PMs representam um risco à ordem pública por causa de seu “comportamento violento e personalidade distorcida”. “Percebe-se facilmente que a conduta bárbara dos denunciados, digna da Waffen-SS nazista, teve como único objetivo vingar-se cegamente do fato de terem sido, momentos antes, hostilizados por usuários de drogas, vulgo ‘cracudos’, humilhando, agredindo, e violentando quem bem entendessem”, escreveu Paulo Roberto. Na denúncia, o promotor requer ainda que outras 11 testemunhas sejam intimadas para depor em juízo.

Segundo trecho da denúncia, a que o EXTRA teve acesso, o crime foi testemunhado tanto por moradores da favela quanto por PMs: “os denunciados em questão não só submeteram totalmente as vítimas à sua sanha lúbrica, como também pouco lhes importou o fato de estarem agindo, praticamente, às vistas de várias pessoas: não só frequentadores do local onde os crimes se deram, mas, também de colegas de farda”. Uma das vítimas ainda contou a agentes que, antes da sessão de estupro, o policial Anderson Farias da Silva, “gritava que todos ali eram crackudos e que ele era o ‘capeta’, o ‘diabo’”.

O crime ocorreu no dia 5 deste mês, no Jacarezinho. As três mulheres procuraram a 25ª DP (Engenho Novo) e contaram que estavam no Jacarezinho para resgatar uma jovem viciada em crack. Acabaram abordadas pelos policiais e foram violentadas, sendo inclusive obrigadas a desfilarem nuas por algumas ruas da favela. Anderson Farias da Silva também foi indiciado pelo crime de roubo do celular de uma das vítimas.

 

 

Extra Online