Piloto do jato em que morreu presidenciável Eduardo Campos relatou cansaço de voar em postagem no Facebook

Piloto do jato em que morreu presidenciável Eduardo Campos relatou cansaço de voar em postagem no Facebook

Cinco dias antes da tragédia com o jato no qual viajava o presidenciável Eduardo Campos, um dos pilotos que morreu, Marcos Martins, disse no Facebook que não estava tendo tempo para descansar, devido às viagens que vinha fazendo acompanhando as campanhas eleitorais.

"Cansadaço, voar voar e voar . E amanhã tem mais. Recife", postou no dia 8 de agosto, pelo Facebook.

Em outra postagem, ele conta: "Cada lugar. Parece que ainda estou na África. Fim de mundo isto é Nordeste..", referindo-se ao Centro de Arapiraca.

Na rede social, ele postou um vídeo de um passeio pela Praia de Copacabana, onde filmou um drone. Em sua página, Martins comentou: "assim fica fácil", referindo-se à simplicidade com que eram feitas as manobras com o aeromodelo por meio de controle remoto. Cinco amigos curtiram a postagem.

O piloto se formou pela Universidade Paulista (UNIP) e fazia parte de um grupo de pilotos experientes. O outro piloto que morreu foi Geraldo Cunha. Ele dividia com Martins o comando da aeronave.

A aeronave (aparelho Cessna, prefixo PRAFA) pertencia à empresa AF Andrade Empreendimentos e Participações Ltda.. Com apenas 350 horas de voo, estava com a manutenção em dia. A proprietária do avião, em dificuldades financeiras, colocou o avião à venda no começo do ano, sendo adquirido, possivelmente por leasing, pela campanha de Eduardo Campos há três meses, quando passou a voar única e exclusivamente para o candidato do PSB a presidente.

O presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, o comandante Marcelo Cerriotti, disse nesta quarta-feira que a sobrecarga de trabalho dos pilotos está pondo em risco a segurança dos voos. Segundo ele, a entidade está tentando, desde 2011, alterar a Lei 7.183/84, que estabelece uma carga horária de 11 horas diárias de trabalho por 12 horas de descanso, a que os pilotos estão submetidos.

— Qualquer coisa que se diga agora na tentativa de esclarecer o acidente será especulação. Mas é preciso que se fale que, já há algum tempo, estamos alertando para o risco a que a categoria está exposta. Especialmente em épocas de campanha eleitoral. A quantidade de voos aumenta muito. A equipe toda precisa se locomover a todo instante. Às vezes, fazem viagens longas num mesmo dia. Precisamos modernizar a lei, tratar da gestão da fadiga nas escalas de trabalho dos pilotos.

O delegado Aldo Galiano Júnior, que comanda a Polícia Civil da Baixada Santista e Vale do Ribeira, afirmou na noite desta quarta-feira que 90% dos restos mortais já foram recolhidos no local do acidente. Segundo o delegado, a liberação dos corpos deve levar de dois a três dias


G1