Pesquisas mostram PT perto de ser expelido de grandes centros urbanos

Pesquisas mostram PT perto de ser expelido de grandes centros urbanos

Pesquisas recentes, divulgadas até ontem (30.set), antevéspera da eleição, indicam que o Partido dos Trabalhadores está prestes a sofrer sua maior derrota eleitoral nas cidades grandes em 20 anos.

A sigla de Lula já teve 25 dos maiores centros urbanos sob seu controle, em 2008, no auge do governo do petista. Agora, tem apenas 5 candidatos competitivos no G93, o grupo que reúne as 26 capitais e as 67 cidades com mais de 200 mil eleitores (e nas quais é possível haver 2º turno).

Candidatos competitivos são aqueles que estão na 1ª colocação das pesquisas de intenção de voto, seja de maneira isolada ou dentro da margem de erro dos levantamentos.

O PT só aparece com 1 candidato franco favorito em uma cidade do G93: a capital, Rio Branco (AC), onde o prefeito Marcus Alexandre pode se reeleger já no 1º turno. No Estado de São Paulo, berço da sigla, há 2 candidatos competitivos, em Guarulhos e em São Bernardo do Campo.

PSDB e PMDB devem ficar com o maior número de prefeitos eleitos em 2 de outubro nas principais cidades do país, segundo as pesquisas mais recentes. Os 2 partidos têm os maiores números de candidatos competitivos no G93. O PSDB tem 22 candidatos nessa condição. O PMDB, 18.

As informações são dos repórteres do UOL Douglas Pereira, Gabriel Hirabahasi,Gabriela CaesarGuilherme Moraes,Luiz Felipe Barbiéri, Pablo Marques, Victor FernandesVictor Gomes e Rodrigo Zuquim.

Blog analisou e compilou pesquisas de 84 das 93 cidades mais importantes do país. Em 9 municípios ainda não há levantamentos de intenção de voto recentes, dos últimos 30 dias.

G93 abriga 54,5 milhões de eleitores. Isso equivale a 37,8% dos 144,4 milhões de brasileiros aptos a votar para prefeito no próximo domingo (2.out.2016).

Quando se consideram apenas as 84 cidades para as quais há pesquisas recentes disponíveis, trata-se de um universo de 52,3 milhões de eleitores –ou seja, 36,1% do país.

O quadro a seguir mostra o desempenho dos partidos políticos nas eleições municipais das últimas duas décadas (clique na imagem para ampliar ou aqui para baixar em PDF):

 

As 9 cidades para as quais não há levantamentos publicados nas últimas semanas são os seguintes: Belford Roxo (RJ), Carapicuíba (SP), Franca (SP), Itaquaquecetuba (SP), Maringá (PR), Montes Claros (MG), Santa Maria (RS), Suzano (SP) e Taboão da Serra (SP).

 

 

MAIOR DERROTA EM 20 ANOS
A eleição de amanhã (2.out) pode  pode ser o pior resultado do PT desde 1996, quando elegeu 9 prefeitos dessas 93 cidades mais relevantes do país. A sigla sempre teve desempenho crescente até 2008. Em 2012, caiu para 17 prefeitos eleitos nesse universo.

 

O envolvimento com casos de corrupção e o desgaste produzido pelas crises política e econômica durante o governo de Dilma Rousseff (que teve o mandato de presidente cassado em 31.ago.2016) são alguns dos fatores que podem explicar o baixo desempenho do partido em 2016. Os grandes centros urbanos foram vitais para o PT nas sua fase mais vitoriosa. Mas as cidades mais populosas são também os locais nos quais o humor do eleitorado tende a se degradar mais rapidamente em momentos de recessão econômica como o atual.

Depois de eleger 17 prefeitos em 2012, o Partido dos Trabalhadores já perdeu 4 deles ao longo do mandato. Hoje, há apenas 13 petistas comandando cidades no grupo das 93 mais importantes.

Um dos casos mais emblemáticos deste eventual desempenho ruim do PT pode ser o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, candidato à reeleição. Ele tem crescido nas pesquisas, mas ainda está numericamente em 4º lugar, com 13% de intenções de voto, segundo pesquisa Ibope. Está tecnicamente empatado com Marta Suplicy (PMDB), que tem 16%. João Doria (PSDB) e Celso Russomanno (PRB) lideram com 28% e 22%, respectivamente.

Mesmo com alguma oscilação positiva na sua de intenção de voto nos últimos levantamentos, Haddad continua em situação difícil: ele tem uma das maiores taxas de rejeição entre prefeitos que tentam a reeleição em cidades grandes.

 

 

PMDB
Embora o PMDB tenha 18 candidatos competitivos, o partido de Temer corre o risco de não ir ao 2º turno nas maiores cidades: São Paulo e Rio. Nesta última, a sigla pode perder a hegemonia conquistada com a chegada de Sérgio Cabral ao governo do Estado e de Eduardo Paes à prefeitura.

 

Pedro Paulo, candidato de Paes, está empatado tecnicamente em 2º lugar com Marcelo Freixo (Psol), Índio da Costa (PSD), Jandira Feghali (PC do B) e Flávio Bolsonaro (PSC). Marcelo Crivella (PRB) lidera, com 30%.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, é outro cacique peemedebista que deve sair enfraquecido no domingo. As intenções de voto de seu aliado em Maceió (AL), Cícero Almeida, caem pesquisa após pesquisa. Ele corre risco de ficar de fora do 2º turno.

Já o atual prefeito, Rui Palmeira (PSDB), chega às urnas como favorito. Se vencer, Palmeira se cacifa para enfrentar o governador Renan Filho (PMDB) em 2018.

Outros 2 dirigentes peemedebistas, o senador Romero Jucá e o ministro Eliseu Padilha, apoiam candidatos competitivos em seus Estados. Jucá é aliado da prefeita de Boa Vista (RR) Teresa Surita, que tem 73% das intenções de voto, de acordo com levantamento do Ibope. Padilha apoia a candidatura do vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, que está na frente nas pesquisas, com 26%.

 

GERALDO ALCKMIN
Um dos maiores vencedores destas eleições deverá ser o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Seu partido tem candidatos competitivos em 11 das 23 maiores cidades do Estado com pesquisas divulgadas nos últimos 30 dias. Na capital, João Doria lidera isolado. Doria é uma escolha pessoal do governador, que bancou sua candidatura contra outros caciques do partido, como o ministro José Serra.

 

O resultado das eleições municipais no Estado de São Paulo é fundamental para Geraldo Alckmin pavimentar o caminho de sua candidatura nas eleições presidenciais daqui a 2 anos. O PSDB tem outros 2 pré-presidenciáveis: Aécio Neves e José Serra.

 

 

Uol