Pesquisa mostra ascensão do Whatsapp e decadência de Twitter e Google Plus no Brasil

Pesquisa mostra ascensão do Whatsapp e decadência de Twitter e Google Plus no Brasil
Noventa milhões em ação... na rede. Esse é o atual número de internautas brasileiros, cerca de 57% da população com 12 anos de idade ou mais. Apesar de o topo da pirâmide etária estar cada vez mais largo, ainda são os mais jovens que dominam a internet: 73% dos que a acessam têm menos de 35 anos. E um dado confirma uma tendência que já vinha sendo verificada: a expansão da web, num país que carece de infraestrutura de cabeamento por fibras óticas, se dá pelo ar. Mais da metade (ou 65%) dos internautas tem como método de acesso primordial uma rede móvel — por meio de um smartphone ou tablet. Os dados são de um levantamento, ainda não publicado, feito pela agência de publicidade F/Nazca com o instituto de pesquisas Datafolha.
 

— Não é novidade que são os mais jovens que estão mais conectados. O importante é ver como eles ditam o que vai ser usado ou não. Vemos que os mais velhos refletem, com um certo atraso, o comportamento que seus filhos e netos demonstram — afirma Renan Castro, mestre em Sociologia da Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

WHATSAPP E INSTRAGRAM CRESCEM

O uso das redes sociais é o grande indicador disso. O Facebook continua como o preferido entre as redes, usado por 88% dos entrevistados. A maior novidade está exatamente em uma aposta posterior do criador da rede social, Mark Zuckerberg: o WhatsApp. Comprado em fevereiro deste ano por cerca de US$ 16 bilhões (equivalentes a R$ 42 bilhões), o aplicativo cresceu bastante entre os brasileiros no último ano. Em 2013, 7% tinham o hábito de trocar mensagens por lá. Este ano, o número disparou para 37%, fazendo dele o segundo app social mais usado no país. Fenômeno semelhante ocorreu com o Instagram. No ano passado, 9% afirmavam utilizar o aplicativo de fotos; em 2014, foram 17%, mesmo percentual do Twitter (que teve, porém, uma queda de cinco pontos percentuais).

— Esse movimento nas redes sociais pode significar muito mais uma mudança nas plataformas do que nos aplicativos. O Whatsapp e o Instagram são aplicativos estritamente ligados ao uso dos celulares e tablets. É como se um nicho tivesse se consolidado, e ele é pautado na mobilidade — afirma Castro.

ADVERTISEMENT

De fato, em apenas um ano, 19 milhões de brasileiros passaram a acessar a internet por meio do celular ou do tablet. Em dois anos, esse aumento foi exponencial: de 37%, em 2012, para os 65% deste ano. Mesmo em casa, o celular é usado como porta de entrada prioritária (52%) para a internet. O uso de computador de mesa ficou em segundo lugar (42%), o notebook ou o laptop vieram em terceiro (40%), e o tablet apareceu com 12%. Apesar da colocação, os tablets tiveram um crescimento expressivo. Em dois anos, saíram de 5 milhões para 13 milhões de usuários.

— Essa mobilidade, que gerou diversas trocas de mensagens e informações cada vez mais rápidas, fez com que ações e manifestações presenciais pudessem ocorrer — diz Castro.

 

Segundo a pesquisa, 54% dos internautas ficaram sabendo pela internet de alguma mobilização de rua. Apesar da predominância da classe C na web, são os mais ricos que afirmaram se sentir mais impactados com informações sobre ações ou manifestações. As redes sociais exerceram uma contribuição para a mudança de opinião em diferentes temas e momentos de 2014 para 51% dos brasileiros. A comparação entre o Rio e São Paulo também foi levantada, e os cariocas afirmaram que se sentiram mais impactados com o ativismo on-line: 59% deles, contra 50% dos paulistanos.

— Falamos muito de ativismo on-line e de como as manifestações de junho do ano passado foram impactadas pelas redes sociais. Ainda tentamos entender de que forma o processo se deu, mas já conseguimos identificar a plataforma — diz o professor. — O WhatsApp foi a forma de comunicação. Já a propagação das versões e das imagens ocorreu muito pelo Facebook. Não é a toa que são as duas redes que mostraram predominância durante o ano.

A pesquisa contou com 2.600 entrevistas em 144 cidades do país.


 
 

O Globo