Parlamentares da base aliada cobram mais comunicação de Michel Temer

Parlamentares da base aliada cobram mais comunicação de Michel Temer

Há um mês como efetivo, o governo do presidente Michel Temer enfrenta desafios para se concretizar perante a população e tem como um dos principais entraves a comunicação, à sociedade, das medidas adotadas por ele. A avaliação é do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em entrevista publicada nesse domingo (9/10) pelo Correio, e referendada por diversos parlamentares. Descrito por FHC como uma “pinguela”, o governo de Temer enfrenta uma crise econômica muito pior do que a da época em que chefiava o Estado, mas dá passos no sentido de recuperar a confiança até as eleições de 2018, diz o ex-presidente.

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que atrela o teto de gastos à inflação do ano anterior, e será levada à análise do Plenário da Câmara hoje (veja reportagem na página 7), é um passo no sentido de recuperar a credibilidade e pode ser considerada um teste, avalia FHC. Embora tenha votado a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) pondera que as medidas que Temer tem apresentado no sentido de recuperar a economia e a credibilidade aparentam ir na direção correta, mas, diz que a explicação das propostas não tem sido efetiva. O senador avalia ainda que a proposta deveria ter vindo junto com a reforma da Previdência. “Mas ele (Temer) fala, fala e não diz como será a reforma da Previdência. Nao é nem com o Congresso, mas com a opinião pública em geral”, diz Cristovam.

 


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Cristovam diz ainda que as campanhas publicitárias que o governo elabora — como a da PEC dos gastos, já em curso, e a da Previdência, que está sendo construída, não são suficientes. E que o governo deveria se reunir com professores e com a comunidade científica para explicar as medidas e colocar ministros para falar todos os dias. “A reforma da Previdência não deveria ter esse nome. Deveria se chamar medidas para que a Previdência seja sustentável para os jovens. Este momento deveria ser um momento pedagógico para o Brasil entender a necessidade de não gastar mais do que arrecada. As campanhas não são suficientes. A campanha que eu tenho visto do teto não está convencendo ninguém. Uma coisa é publicitária, a outra é pedagógica. Está caindo no mesmo vício de todos”, completa.

Líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antonio Imbassahy (BA) concorda que o governo precisa comunicar as medidas, algumas drásticas, que prevê aprovar, mas que esse é um desafio que já foi, inclusive, captado dentro do governo. “O próprio Temer trabalha intensamente para melhorar a comunicação. Esta semana já se viram os principais sinais de que o governo quer se comunicar melhor, com relação à publicidade e o esforço pessoal do presidente ocupando várias mídias”, diz o líder.
Imbassahy concorda também que houve a tentativa por parte do PT de ser “hegemônico”, como colocou FHC, e que isso atrapalhou a governabilidade. Fernando Henrique ressaltou a necessidade de se fazer as alianças e dar a cada um deles o poder. “Temer tem cuidado muito de compartilhar decisões, oferecendo grande atenção aos partidos, com uma relação respeitosa e até afetiva com os congressistas”, defende Imbassahy.

Sobre esse aspecto, o senador Paulo Rocha (PT-PA) defende que o PT se aliou a mais partidos do que FHC fez à época. “O PT fez uma aliança mais ampla que gostaríamos para assegurar a governabilidade. Esse foi o resultado. Como o Lula era mais tranquilo na política, ele dominou o processo. A Dilma não era afeita à política e não conseguiu dirigir. E deu no que deu. Os próprios aliados transformaram-se em traidores”, afirmou Rocha.

 

 

 

Coreio Braziliense