Para Levy, é preciso 'dizer a verdade' para país recuperar confiança

Para Levy, é preciso 'dizer a verdade' para país recuperar confiança

O Brasil tem passado por uma crise de confiança em meio a indicadores econômicos negativos e um desgate entre o governo e o Congresso. No encontro internacional do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Lima, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, indicou que a receita para a recuperação é sempre "dizer a verdade".

"A melhor maneira é ser claro com sua politicas, com os desafios e como chegar lá. A maioria das pessoas entende quando você está falando a verdade." Nas democracias, isso é fundamental", afirmou o ministro.

Durante o debate em Lima, Levy foi "bombardeado" por perguntas e comentários irônicos do mediador, o jornalista britânico Richard Quest, a respeito dos "desafios" da economia brasileira, que enfrenta uma nova recessão e a não aprovação das contas do governo federal no ano passado.

Em defesa de Levy, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, que também participava do encontro desta tarde, disse que o ministro estava correto.

"O que ele está tentando fazer é refoçar e restruturar um clima amigável para os negócios, para que o investimento continue no Brasil. Dizer a verdade, quais são as medidas necessárias. Isso e uma receita para melhora, sem dúvida."

Nesta quarta-feira (7), as contas do governo de Dilma Rousseff de 2014 foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por unanimidade. Devido a operações como as conhecidas como “pedaladas fiscais”, os ministros entenderam que as contas não estavam em condições de serem aprovadas.

Questionado pelo G1, após o debate, sobre qual seria o efeito disso na economia, o ministro não quis responder.  

 

'Não lamento'
Diante de tantos percalços, Levy foi questionado se lamentava ocupar seu cargo de ministro da Fazenda. "Não lamento. Meu cargo não é ruim. Trabalho pelo país. Temos um objetivo claro, e nosso objetivo é preparar a economia para passar por ajustes."

 

Para o ministro, qualquer país que sofre um choque entra em recessão. "Peguem a China: 2% do nosso PIB vem de exportações para China. Entao, há repercussões no mundo todo. Temos agora, por exemplo, reservas internacionais que não tínhamos antes. Então, acho que esses países [da América Latina, incluindo o Brasil] estão recebendo os choques e digerindo", comenta.

Recentemente, no que chamou de “novo ciclo de desenvolvimento”, o ministro Levy afirmou que as medidas tomadas pelo governo fariam com que o Brasil crescesse de forma contínua, sem “voo de galinha”, ou seja, sem avançar para depois recuar.

Para tentar atingir as metas fiscais, o governo já anunciou aumento de tributos sobre combustíveis, automóveis, empréstimos, importados, lucros de bancos, exportações de produtos manufaturados, cerveja, refrigerantes e cosméticos.

Apesar de defender o equilíbrio das contas do governo com o ajuste fiscal, Levy declarou nesta quarta-feira (7) que a carga fiscal tem um limite e que o governo deve estar atento a isso.

"Se por um lado a capacidade de tributação tem limites, a partir dos quais começa a prejudicar a atividade produtiva, por outro há expectativas concretas, legítimas, de provisão e melhora de serviços públicos", afirmou o ministro, durante abertura do V Congresso Internacional de Informação de Custos e Qualidade do Gasto do Setor Público, em Brasília.

 

Recessão
As perspectivas do Fundo Monetário Internacional sobre o desempenho da economia brasileira neste ano pioraram e os técnicos já enxergam uma retração de 3%, o dobro da estimativa anterior. A queda prevista é até mais intensa que a dos economistas do mercado financeiro brasileiro, que acreditam em um recuo de 2,85%.

 

O FMI estima ainda que a inflação no Brasil chegue a 8,9%, acima do teto da meta do  Banco Central, que é de 6,5%. Em relação às previsões dos economistas brasileiros, que veem uma inflação de 9,53% no final do ano, a estimativa do FMI é menos pessimista. Em setembro, de acordo com dado mais recente do IBGE, a taxa já está em 9,49%.

 

 

G1