Papa visita prisão mais perigosa da Bolívia e ouve denúncias e apelos

Papa visita prisão mais perigosa da Bolívia e ouve denúncias e apelos

O Papa Francisco chegou ao Paraguai, a última etapa da viagem pela América do Sul. Mas antes esteve em Santa Cruz de la Sierra, na prisão mais perigosa da Bolívia.
Foi um encontro emocionante. Primeiro, com os filhos dos detentos. A lei boliviana permite que, em alguns casos, crianças morem com os pais na prisão.

O complexo penitenciário de Palmasola tem capacidade para 800 pessoas e hoje abriga mais de 5 mil, e 84% dos presos nunca foram julgados.

A prisão é conhecida pela violência entre quadrilhas rivais. Em 2013, 35 pessoas, entre elas uma criança, foram mortas numa dessas brigas.

Grupos de direitos humanos dizem que presos pagam pelo banho, para comer e até para dormir. Francisco ouviu denúncias e apelos.

“Precisamos superar o abandono, suplicamos que interceda por nós”, disse um prisioneiro. O Papa argentino se apresentou como um homem perdoado por Cristo de seus pecados. Ele criticou o sistema prisional boliviano.
“Reclusão não é o mesmo que exclusão”, afirmou Francisco. E continuou: “A reclusão forma parte de um processo de reinserção na sociedade. São muitos elementos que jogam contra este lugar: a lentidão da justiça, a falta de terapia ocupacional, políticas de reabilitação e a violência", concluiu.

Um abraço longo de uma menina encerrou a visita. A passagem pela Bolívia foi marcada por discursos políticos. Na quinta-feira (9), Francisco pediu perdão em nome da Igreja Católica pelos crimes cometidos contra indígenas durante a conquista da América, e chamou o capitalismo de ditadura sutil.

Na tarde desta sexta-feira (10), o Papa desembarcou em Assunção, capital do Paraguai, foi recebido pelo presidente Horacio Cartes e por padres e bispos católicos. No aeroporto, o Papa assistiu à apresentação de corais e de grupos de danças típicas.

Antes de subir no papamóvel, Francisco quebrou o protocolo: deixou o palco para abraçar as crianças do coral.

A agenda no Paraguai inclui encontros com jovens e líderes religiosos, além de duas missas. O governo paraguaio espera receber 1 milhão de brasileiros até domingo (12), quando o Papa encerra a viagem pela América do Sul.

 

 

 

 

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