Papa Francisco proclama novos santos e defende liderança humilde na Igreja Católica

Papa Francisco proclama novos santos e defende liderança humilde na Igreja Católica

O papa Francisco, ao proclamar quatro novos santos católicos que viveram de forma simples e generosa, disse a padres e bispos neste domingo que o serviço, e não a carreira, é a maneira de exercer a autoridade na Igreja.

"Aqueles que servem os outros e carecem de prestígio de fato exercitam autoridade genuína na Igreja”, afirmou ele numa missa para cerca de 65 mil pessoas na Praça de São Pedro.

"Serviço é maneira pela qual a autoridade é exercida na comunidade cristã”, disse ele, acrescentando que carreira, ambição, fama e triunfos mundanos eram “incompatíveis com o discipulado cristão”.

Na missa, ele proclamou quatro novos santos católicos, incluindo os pais de Santa Teresa de Lisieux, a freira francesa do século 19, que é uma das figuras mais veneradas da Igreja. A “grande humildade e caridade” deles é um exemplo para todos, declarou o papa.

A canonização de Louis Martin e Marie Azélie Guérin marcou a primeira vez que um casal casado é declarado santo na mesma cerimônia e foi realizada para coincidir com uma reunião mundial de bispos para discutir maneiras de incentivar a vida em família.

Eles foram escolhidos para destacar o papel chave que os pais têm no desenvolvimento espiritual e humano dos filhos. Francisco elogiou o casal por praticar “o serviço cristão na família, criando dia a dia um ambiente de fé e amor que alimentou a vocação das suas filhas”.

O casal teve nove filhos, quatro dos quais morreram ao nascer. Todas as cinco meninas se tornaram freiras, e uma delas é a Santa Teresa de Lisieux, que morreu de tuberculose em 1897 aos 24 anos.

Papa diz que igreja precisa de descentralização

O papa Francisco pediu neste sábado por uma "descentralização saudável" do poder na Igreja Católica Romana, incluindo mudanças no papado, e com maior poder de decisão para os bispos locais.

Papa Francisco fez seus comentários em uma cerimônia que marca o 50º aniversário da fundação do Sínodo dos Bispos, um encontro mundial que, ocasionalmente, aconselha o papa em uma série de questões.

Ao longo dos anos, muitos bispos têm se queixado de que o sínodo, que se reúne no Vaticano a cada poucos anos, tornou-se um órgão fraco e ineficiente.
O papa argentino disse que o tipo de colegialidade --o governo papal da igreja, em colaboração com os bispos-- previsto na reforma do Segundo Conselho do Vaticano de 1962-1965 ainda não tinha sido alcançado.

Conferências episcopais nacionais e regionais devem ter mais autoridade para tomar decisões que afetem os fiéis em suas áreas ao invés de sempre se voltarem para Roma por uma decisão centralizada que tem que agregar tudo, disse ele.

"Nesse sentido, eu sinto a necessidade de avançar com uma descentralização saudável", disse ele.

O papa também disse que era "necessário e urgente pensar em uma conversão do papado", uma possibilidade que foi inicialmente sugerida pelo papa João Paulo II em 1995.

Sem entrar em detalhes, papa Francisco disse que "mais luz poderia ser derramada" no exercício do papado, tanto para os 1,2 bilhão de membros da igreja quanto nas suas relações com outras igrejas cristãs.

O atual sínodo de bispos tem discutido a forma como a igreja pode servir melhor as famílias e ministrar para os católicos em dificuldade, tais como homossexuais e pessoas divorciadas que voltaram a casar fora da igreja.

Os progressistas dizem os bispos devem ter autoridade para aplicar a doutrina sobre algumas questões, como se os católicos divorciados que se casaram novamente no civil podem receber a comunhão, de acordo com as circunstâncias individuais.

Os conservadores se opõem a quaisquer alterações às regras e dizem que elas deveriam ser aplicadas de forma idêntica em todo o mundo.

O sínodo entra em sua terceira e última semana na segunda-feira e vai produzir um documento final que o papa pode usar para escrever o seu próprio documento oficial sobre as questões.

 

 

Reuters