Operação Afronta: Dez são presos por suspeita de fraudar concursos públicos

Operação Afronta: Dez são presos por suspeita de fraudar concursos públicos

Ao menos dez pessoas foram presas suspeitas de fraudar concursos públicos durante a Operação Afronta, da Polícia Federal, que cumpre 14 mandados de prisão em cidades de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Alagoas e Rondônia, nesta quinta-feira (21).

De acordo com o delegado da PF, Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira,  a fraude foi detectada em uma prova do concurso público do Tribunal Regional Federal, aplicada em Sorocaba, no interior paulista, em 2014.

Os envolvidos irão responder pelos crimes de organização criminosa e fraude em certames de interesse público. As penas, somadas, vão de quatro a 12 anos de prisão

A denúncia foi feita pelo próprio TRF, que desconfiou da prova discursiva de cinco candidatos que apresentavam respostas muito semelhantes. A partir daí, com um trabalho de investigação que durou cerca de três meses, a polícia descobriu a existência de uma organização criminosa especializada na fraude dos certames públicos, em especial de órgãos ligados ao poder judiciário.

Segundo a PF, dos 14 mandados de prisão, quatro são contra suspeitos de integrar a quadrilha e os outros dez para candidatos aprovados em concursos que supostamente foram beneficiados por fraude. Todos eles já foram exonerados de seus cargos. O delegado Rodrigues ressaltou que não há indícios de nenhuma participação de funcionários dos órgãos públicos ou das bancas que aplicavam as provas no esquema.

A investigação da PF aponta que a organização criminosa já atua há cerca de quatro anos. Neste período, um concurso foi comprovadamente fraudado - caso do TRF de Sorocaba -, e pelos menos outros quatro, ainda não divulgados pela polícia, também podem ter sido alvos dos criminosos. Cerca de 50 pessoas, entre candidatos e integrantes da quadrilha, estão sendo investigadas por participação no esquema.

O delegado Rodrigues afirmou que o chefe da organização criminosa já foi identificado, mas ainda não foi preso. Ele é alagoano e não tem passagens pela polícia.

 

Fraude
Segundo a PF, as investigações apontaram que integrantes da quadrilha usavam uma microcâmera para fotografar o caderno de questões de provas para os cargos de analista judiciário e técnico judiciário. Após o tempo mínimo de permanência na sala, eles saíam da sala e repassavam os resultados para os verdadeiros candidatos por meio de pontos eletrônicos de comunicação. Os aparelhos se conectavam com o celular dos envolvidos.

Ainda conforme informações da Polícia Federal, cada candidato desembolsava um valor de dez vezes o salário do cargo pretendido para conseguir as respostas da prova. Os investigadores usaram um sistema que apura fraudes em concursos para identificar os participantes da quadrilha. O programa da PF cruza respostas das provas para analisar o maior número de coincidências nas respostas e indicando se elas eram ou não esperadas.

De acordo com a PF, a quadrilha selecionava os concursos de interesse e contratava "pilotos" para fazer a prova. Os contratados tinham a exclusiva missão de fotografar, com microcâmeras, o caderno de questões. As imagens eram então enviadas por celular ao líder do grupo, que ficava responsável por enviar as respostas aos candidatos. A polícia apura se eles também contratavam uma banca especializada para responder as perguntas ou se procuravam as respostas na internet.

O gabarito da prova era passado aos candidatos por meio de um ponto eletrônico de alta tecnologia. O dispositivo utilizado era tão pequena que era necessário um ímã para retirá-lo do ouvido. Até por conta disto, nenhuma das ações da quadrilha foi flagrada durante a aplicação das provas.

 

 

G1