Oncologistas ameaçam cruzar os braços e cobram ação do governo da PB

Oncologistas ameaçam cruzar os braços e cobram ação do governo da PB

Os Médicos oncologistas clínicos e cirúrgicos do Hospital da FAP divulgaram uma nota na qual cobram imediatas providências do governo do estado da Paraíba para, junto a prefeitura de Campina Grande, buscarem uma solução para a manutenção das atividades da unidade hospitalar e ameaçam paralisar os serviços, caso suas reivindicações não sejam atendidas..

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Os Médicos oncologistas clínicos e cirúrgicos do Hospital da FAP vêm mostrar sua preocupação e indignação com a situação que passa o referido Hospital no que se refere principalmente à assistência dos pacientes portadores de câncer.

Atendemos uma demanda crescente de alta complexidade oncológica, de cerca de 187 municípios apenas do estado da Paraíba e no entanto, os insumos para a prestação de um bom serviço no tratamento do câncer encontram-se escassos e defasados. A remuneração aos

Médicos assistentes nesta área, que têm em média 10 anos de formação, é indigna, vergonhosa, indecente e paga com atrasos e glosas, que são cirurgias autorizadas, realizadas e não pagas.

Os fatos são bem conhecidos pela Direção da FAP, Ministério Público Estadual, pela Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande e pela Secretaria de Saúde do Estado da Paraíba, no tocante ao sub-financiamento dos serviços executados, às precárias condições de trabalho e a dificuldade para o cumprimento da Lei dos 60 dias (Lei 12.732/2012), para início do tratamento dos pacientes com câncer. 

No setor de Radioterapia, dispomos apenas de um acelerador linear, que trabalha sobrecarregado, em regime de 3 turnos diariamente, o que leva a manutenções frequentes e também ocasiona uma terrível fila de espera para a realização desta modalidade de tratamento oncológico.

Há cerca de 5 meses estamos em negociação com as instâncias referidas. No entanto, encontramos atenção e respaldo às nossas demandas apenas por parte da Direção do Hospital, do Ministério Público Estadual e da Secretaria Municipal de Saúde do Município de Campina Grande. Esta última, apesar dos alegados escassos recursos disponíveis, ultimamente acordou um acréscimo de R$100.000,00 / mês para redução no percentual de glosas. Fora este fato isolado, nada mais de concreto apareceu e a instituição encontra mensalmente enormes dificuldades para fechar sua folha de pagamento aos funcionários. 

A Secretaria de Saúde do Estado da Paraíba, que repassa a módica quantia mensal de cerca de R$66.000,00 para drogas quimioterápicas, não parece preocupada com o grave momento que passa o Hospital, pois prefere direcionar seus investimentos num centro oncológico no sertão do estado, o que no nosso entender seria JUSTO, desde que não se deixasse de lado o maior hospital em PLENO FUNCIONAMENTO de tratamento de câncer do interior, que é a FAP. Muito menos se viu ou se vê qualquer empenho do gestor estadual junto às bancadas legislativas federal ou estadual para incremento nestes insuficientes recursos. 

Nos ressentimos profundamente da falta de uma maior atuação do Governo do Estado para uma instituição importante, com relevantes serviços prestados à Sociedade Paraibana e cujo financiamento vem mais de 70% através de recursos dos SUS, que é a Fundação Assistencial da Paraíba.

Reconhecemos a sempre prestimosa atenção dispensada pela nova Direção da FAP às nossas demandas e justas reivindicações e também pela enorme vontade de ver o Hospital em melhores patamares. Sempre estivemos e continuamos apoiando-os no intento de buscar melhorias efetivas ao serviço e na continuidade dos tratamentos aos pacientes que tanto necessitam.

Desejamos com isso ensejar no seio da sociedade civil organizada de Campina Grande, do Estado, dos homens e mulheres de bem e da classe política paraibana uma reflexão e tomada de ação acerca destes problemas. Então, ALERTAMOS para a possibilidade real de paralisação dos serviços por parte dos Médicos assistentes, por não mais compactuarmos com a difícil situação vigente, pois também sofremos com a dor e falta de resolutividade aos nossos pacientes.

Ao mesmo tempo, estamos engajados desde sempre para que isso não aconteça e que se busque uma solução conjunta e pactuada para que este importante equipamento, que é o Hospital da FAP, não tenha seus serviços interrompidos para grande parte da população usuária do Estado da Paraíba.

¨Esta é uma casa que por infelicidade se procura, mas por felicidade se encontra.¨

 

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