Obras adquiridas com propina da Lava Jato serão entregues a museu

Obras adquiridas com propina da Lava Jato serão entregues a museu

Vinte e duas obras de arte apreendidas na 17ª fase da Operação Lava Jato serão entregues para o Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, por volta das 10h desta terça-feira (11). Os quadros, de artistas renomados, foram apreendidos em três galerias do Rio de Janeiro no dia 3 de agosto, quando foi deflagrada a atual fase da operação.

Esta última etapa da Lava Jato prendeu oito pessoas, entre elas o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. O foco da investigação está em contratos entre a Petrobras e empresas terceirizadas.

As obras foram adquiridas com dinheiro oriundo de propina e estavam em galerias especializadas para não levantar suspeitas, segundo as investigações.

A aquisição dos quadros, conforme os investigadores, é um mecanismo para se lavar o dinheiro vindo do esquema criminoso de fraude, corrupção, desvio e lavagem de dinheiro na Petrobras. A prática foi narrada pelo empresário Milton Pascowitch, que é um dos delatores da Lava Jato.

Já são mais de 200 obras apreendidas em outras fases da Lava Jato que estão sob custodia do MON. Muitas delas já estão em exposição.

O museu é responsável pelo patrimônio artístico até que a Justiça determine um destino para as apreensões. Os valores dos quadros da 17ª fase e o nome dos artistas não foram divulgados pela PF.

De acordo com a Polícia Federal, estas novas obras apreendidas devem se juntar a outras 200 apreendidas durante todas as fases deflagradas pela Operação Lava Jato.
Todas estão sob custódia do Museu Oscar Niemeyer (MON), que ficará responsável pelo material até que a Justiça Federal defina um destino para o acervo. Muitos dos quadros apreendidos anteriormente já estão em exposição ao público.

Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), Pascowitch mencionou que comprou uma obra do pintor Guignard por 380 mil dólares para Duque. A obra, conforme o depoimento, foi escolhida pelo ex-diretor da Petrobras.

Pascowitch afirmou que o dinheiro para a compra da obra foi obtido a partir de contrato entre a Engevix e a Jamp referente às obras dos cascos, realizada pela Enegvix junto à Petrobras.

"QUE o valor pago pelo quadro foi abatido do contrato mantido entre a ENGEVIX e a JAMP e ENGEVIX e a MJP ENGINEERING AND CONSULTING LLC , vinculado diretamente às obras dos cascos, realizada pela ENGEVIX junto à PETROBRAS", diz trecho da delação.

Tanto a Jamp quanto a MJP Engineering and Consultinh LLC pertencem aos irmãos e delatores da operação Milton Pascowitch e Adolfo José Adolfo Pascowitch.

Há ainda a compra de uma escultura de Frans Krajcberg no valor de R$ 220 mil. Da mesma forma, Duque teria orientado Pascowitch a adquirir a obra em um leilão.

“QUE a obra foi faturada em nome do declarante e entregue na residência do mesmo no RIO DE JANEIRO/RJ, onde foi retirada por RENATO DUQUE; QUE o valor pago foi deduzido dos valores devidos a RENATO DUQUE em razão dos “comissionamentos” pelas obras no âmbito da Diretoria de Serviços, notadamente o contrato entre ENGEVIX x PETROBRAS”, diz trecho da delação.

A Engevix informou que está prestando os esclarecimentos necessários à Justiça.

Serviço
O Museu Oscar Niemeyer fica na Rua Mateus Leme, 999, no bairro Centro Cívico. A entrada custa R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada). Menores de 12 anos e maiores de 60 têm entrada gratuita.

 

 

 

 

G1