Novo inquérito da máfia de cambistas inclui dois ingleses como suspeitos

Novo inquérito da máfia de cambistas inclui dois ingleses como suspeitos

 A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu nesta terça-feira (15) novo inquérito para investigar a atuação da quadrilha internacional de cambistas que atuou na Copa do Mundo no Brasil. Nesta segunda fase da investigação, aumentou para nove o número de investigados. Além das sete pessoas já identificadas, dois ingleses foram incluídos na lista da máfia dos cambistas.

De acordo com a polícia, Roger Leigh e Desmond Lacon são suspeitos de fazer parte da quadrilha chefiada pelo argelino Mohamed Fofana, preso no dia 1º de julho. O nome dos dois estava em um caderno de anotações encontrado pelos investigadores com Fofana. Em uma das anotações, o nome de Leigh aparece relacionado com ingressos vip para o jogo de abertura da Copa, entre Brasil e Croácia, conforme mostrou reportagem do RJTV.

Segundo a polícia, os dois ingleses foram presos dez dias antes de Fofana, dentro do Copacabana Palace. No entanto, eles ficaram presos durante cinco dias e foram libertados por um habeas corpus. Os passaportes foram entregues à justiça, informou a polícia.

Nesta terça, a polícia divulgou uma escuta, gravada com autorização judicial, que mostra Fofana negociando, em francês, ingressos com uma pessoa não identificada. No diálogo, o argelino é informado que um dos ingleses teve problemas com a polícia.

De acordo com a investigação policial, após ser solto um dos ingleses trocou mensagens telefônicas com Lamine Fofana. Na conversa ele cobra satisfação pela prisão e pede dinheiro para pagar o advogado. Os investigadores informaram que Fofana prometeu conseguir R$ 15 mil para o pagamento dos advogados.

Segundo a polícia, os dois foram defendidos por Fernando Fernandes, o mesmo advogado do executivo da Match, única empresa autorizada pela Fifa a vender ingressos para Copa, Raymond Whelan.

Nesta terça, o RJTV teve acesso exclusivo a novas imagens que mostram o momento em que o executivo da Match, Raymond Whelan, deixa a suíte do Copacabana Palace, onde estava hospedado. Nas imagens, o advogado Fernando Fernandes, acusado pela polícia de facilitar a fuga do executivo, já o esperava no hall principal, na porta do elevador. Em seguida, os dois seguiram rapidamente pela saída de serviço, onde os funcionários do hotel estavam trabalhando. As imagens mostram que o advogado foi o primeiro a deixar o hotel. Ele abordou um taxista que não aceitou a corrida. A última imagem revela que Whelan e Fernandes saem à pé do Copacabana Palace.

Até a divulgação das novas imagens, o advogado negava a fuga." Nós não estamos preocupados quanto ao que parece, o fato é sobre o que é ele saiu do Copacabana Palace pra se reunir com seus advogados e este assunto me parece superado porque foi decisão individual dele se apresentar ao judiciário, individual pensada em se apresentar",disse.

Em nota, Fernandes disse que chegou a defender os ingleses, mas deixou o caso quando assumiu a defesa de Raymond Whelan. A defesa de Desmond Lacon está com o advogado Roberto Podval, de São Paulo. Lacon negou ter praticado cambismo durante a Copa e de ter relação com Fofana. O inglês disse que estava no Brasil porque trabalha numa agência de turismo. O advogado de Roger Leight não foi localizado pela equipe de reportagem do RJTV.

Em nota, o Copacabana Palace informou que está colaborando com a justiça e com as autoridades policiais desde o início das investigações.


Whelan preso

Após três dias foragido, Whelan se entregou nesta segunda à Justiça do Rio, acompanhado de Fernandes. A defesa entrou com um pedido de habeas corpus, que será julgado em até 15 dias pela 6ª Câmara Criminal, segundo informações da assessoria do advogado.

Na tarde desta terça, Whelan permanecia em uma cela individual na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste. De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), quando a defesa apresentar o diploma universitário do executivo à Polinter, Whelan deverá ser transferido para a cadeia pública Pedrolino Werling de Oliveira, no mesmo complexo.

Defesa alega inocência

Fernando Fernandes nega que Whelan tenha qualquer ligação com atividade ilícita. “A relação que ele teve foi absolutamente legal e confirmada pela Fifa. Os demais detalhes estarão na defesa escrita que ele apresentará 10 dias após a defesa ter acesso à integralidade das ligações telefônicas”, disse o advogado.

Em nota, a Match Services voltou a dizer que não houve irregularidade e que pode "assegurar" que Whelan não cometeu "ato ilegal ou irregular". "Temos certeza de que isso será comprovado em breve pelas autoridades brasileiras", diz o texto (leia a íntegra da nota). O presidente da Fifa, Jospeph Blatter, disse que a entidade não tem responsabilidade sobre a venda ilegal de ingressos.

O esquema

No dia 1º de julho, policiais da 18ª Delegacia de Polícia, da Praça da Bandeira, prenderam 11 pessoas na operação "Jules Rimet". No dia 7, Raymond Whelan chegou a ser preso também, mas foi solto na madrugada de terça-feira (8) depois de obter um habeas corpus na Justiça do Rio.

Com a listagem de celulares da Fifa em mãos, um dos agentes policiais digitou no aparelho celular apreendido do argelino Lamíne Fofana o prefixo 96201, que precede os telefones da entidade. Apareceu, então, o nome "Ray Brazil", para o qual havia 900 registros entre telefonemas e mensagens. Ao todo, a operação está lendo e escutando 50 mil registros telefônicos, dos quais mais de 50% já foram apurados.

Segundo as investigações, três empresas de turismo localizadas em Copacabana, interditadas pela polícia, faziam contato com agências de turismo que traziam turistas ao país e vendiam ingressos acima do preço.

Eram ingressos VIPs, fornecidos como cortesia a patrocinadores, a Organizações Não Governamentais (ONGs) e também destinados à comissão técnica da Seleção Brasileira – desde bilhetes de camarotes até entradas de assentos superiores. Uma entrada para a final da Copa no Maracanã chegava a custar R$ 35 mil e a quadrilha faturava mais de R$ 1 milhão por jogo.

Segundo a polícia, Fofana também conseguia entradas vendidas pelos agentes oficiais da categoria "hospitalidade", pacotes de luxo, controlados pela Match Hospitality. Até carro forte foi usado para abastecer a quadrilha que vendia entradas para todos os jogos da abertura à final do torneio.

Segundo o delegado Fábio Barucke, responsável pelo caso, os presos já atuaram em pelo menos quatro mundiais e estimativas apontam que a quadrilha poderia movimentar cerca de R$ 200 milhões por Copa do Mundo.

Os presos

Além de Fofana e Whelan, estão presos o policial militar reformado Oséas do Nascimento; Alexandre Marino Vieira; Antônio Henrique de Paula Jorge, um dos contatos de Fofana no Brasil (antes de ser preso, Henrique tentou retirar de um banco R$ 177 mil em dinheiro vivo); Marcelo Pavão da Costa Carvalho; Sérgio Antônio de Lima, que teria tentado subornar um dos agentes; Ernane Alves da Rocha Júnior; Júlio Soares da Costa Filho; Fernanda Carrione Paulucci e Alexandre da Silva Borges. O advogado José Massih responderá ao processo em liberdade por ter colaborado com as investigações.




G1