Nova etapa da Lava Jato pode banir PT, PMDB e PP da política brasileira

Nova etapa da Lava Jato pode banir PT, PMDB e PP da política brasileira
A força-tarefa da 
Operação Lava Jato 
vai imputar também aos partidos a responsabilidade pelo bilionário esquema de cartel e corrupção na Petrobras a partir de 2016. Com pelo menos R$ 2,4 bilhões recuperados aos cofres públicos até aqui, resultado de mais de 30 acordos de delação premiada com os réus e três termos de leniência com empresas, o Ministério Público Federal traça as estratégias para buscar a condenação na Justiça Federal das legendas - e não apenas seus dirigentes.
 
As penas serão propostas em ações cíveis -- até agora só empresas foram acionadas fora da área criminal -- e poderão representar duro golpe à saúde financeira das agremiações. Além da devolução dos valores desviados da estatal -- ao todo, mais de R$ 20 bilhões, segundo os primeiros laudos -- no período de 10 anos, entre 2004 e 2014, e de multas, partidos podem ficar sujeitos a retenção de valores do Fundo Partidário e suspensão e cassação de registro da legenda.
 
 
 
 
"Vamos entrar com uma ação cível pública contra os partidos que participaram dos crimes, que aturaram para que os benefícios de recursos acontecessem e se beneficiaram dele", afirmou o procurador da República
Deltan Dallagnol
, coordenador da força-tarefa. "Estamos caminhando na Lava Jato por etapas porque temos um mar de informações e evidências. É como se fossem frutos de uma árvore, nós colhemos quando eles ficam maduros. A ação dos partidos ainda está amadurecendo."
 
 
 
 
Dallagnol 
e outros oito procuradores da força-tarefa da Lava Jato assinam também as ações por improbidade administrativa propostas em fevereiro deste ano na Justiça Federal em Curitiba contra as empreiteiras acusadas de cartel e desvios de recursos da Petrobras. Foram as primeiras ações cíveis da Lava Jato que buscam imputar responsabilidades às pessoas jurídicas.
 
 
 
 
O avanço da Lava Jato contra os partidos atinge, em especial,
PT, PMDB e PP
, que, conforme as investigações criminais, controlavam um esquema de fatiamento de postos estratégicos da Petrobras. Segundo o Ministério Público Federal, através do controle de diretorias da estatal, empresários e políticos sistematizaram uma sofisticada estrutura de desvios em contratos, cobrança de propinas e lavagem de dinheiro que abasteceu cofres das legendas.
 
 
 

Folha Brasil