Nine Inch Nails esquenta o primeiro dia do Lollapalooza

Nine Inch Nails esquenta o primeiro dia do Lollapalooza

SÃO PAULO - Acostumado com o ronco dos motores, o autódromo de Interlagos, em São Paulo, está à mercê de um ruído bem mais musical neste fim de semana. O festival Lollapaloza começou hoje à tarde, com muito sol e longas caminhadas entre os palcos distantes entre si. Uma das atrações mais esperadas da noite, a Nine Inch Nails entrou com tudo no palco principal, às 20h. Veterana da primeira edição do festival, em 1991, a banda de Trent Reznor abriu com a pesada Wish, hit do EP Broken e não economizou nos hits. O show dividiu o papel de destaque do dia com os britânicos da Muse, que fechou a noite no palco secundário.

A Muse entrou com quase 20 minutos de atraso e fez o esperado: uma apresentação pauleira, cheia de guitarras e distorção, com a pitada eletrônica que deu as caras no seu som a partir do álbum Black Holes and Revelation. Uma das canções que mais agitou a plateia foi deste disco: Supermassive Black Hole. Mas a verdade é que a banda está longe de ser uma queridinha dos brasileiros, e o melhor momento da sua apresentação foi mesmo o cover de Lithium, do Nirvana, terceira música do show.

Do outro lado e ao mesmo tempo, a dupla do Disclosure fez do palco interlagos uma pista eletrônica para milhares de pessoas. O público era muito menor do que o do Muse, mas bem maior do que os irmãos Guy and Howard Lawrence esperavam. "A gente veio tocar aqui achando que teria algumas pessoas e deve ter, sei lá, 10 mil pessoas aqui?" Eles pareciam tão animados quanto a plateia, que correspondeu e dançou até o último batidão.

Mas a festa começou cedo, com bons shows de Lucas Santtana e Capital Cities, e teve seu primeiro grande momento com a apresentação dos americanos da Imagine Dragons. Quando eles começaram no palco principal, às 16h15m, a maioria dos cerca de 80 mil pagantes do evento já tinha chegado. A banda colocou todo mundo para pular. Ninguém se importou com o telão apagado quando o vocalista Dan Reynolds puxou It's Time e Radioactive, que encerrou a apresentação. O cantor retribuiu a empolgação e jogou confete para o público: "Temos viajado muito nos últimos dois anos, mas vocês no Brasil são a melhor plateia do mundo".

Antes, Julian Casablancas decepcionou quem veio achando que veria algo parecido com os Strokes, sua banda mainstream. Seu novo projeto solo, com a banda The Voidz, soa bem mais pesado. Apesar de o vocalista definir o trabalho como uma mistura de jazz e punk, deve ter agradado mais os fãs do heavy metal, com guitarras e baterias violentas. Às 18h30, começou o primeiro grande duelo do festival. Os franceses do Phoenix e a neozelandesa Lorde disputaram o público, com shows simultâneos no palco secundário e no Interlagos. Os franceses atraíram mais gente, atrás de hits como Lisztomania e Entertainment, que abriu o show.

Mas quem queria um descanso do rock alternativo que domina a noite teve uma boa opção. "É uma loucura estar aqui", disse Lorde, que se tornou a primeira pessoa de seu país a chegar ao topo das paradas nos EUA com apenas 17 anos com o hit Royal. Mesmo com um repertório pouco conhecido, ela colocou muita gente para dançar na plateia. Mesmo numeroso, o público não passou aperto nem perto do palco.

Interlagos

Quem vem para festivais de música não costuma se importar com lugares afastados. Mas o trânsito exigiu paciência. Quem veio de carro pegou tudo parado na Marginal Pinheiros, principal acesso desde a região central da cidade. "Estava bem complicado. Ficamos uma hora só na marginal, depois levamos mais 45 minutos aqui nos arredores, até chegar a um estacionamento", diz Vanderlei de Almeida, de 29 anos, que veio de carro da vizinha São Bernardo. Para piorar, o estacionamento custou R$ 70.

Entrar no autódromo e ir ao banheiros não tem sido um desafio no evento. Mas outras queixas frequentes são as filas de bares e as longas distâncias entre os palcos. Do Interlagos para o principal, por exemplo, são pelo menos 20 minutos de caminhada apressada. Contra o fluxo e na saída de shows cheios como foi o do Imagine Dragons a travessia de cerca de 2,5 quilômetros dura mais de 40 minutos. "A gente queria ver Portugal The Man, mas ficamos com receio de perder o Phoenix. Tinha meia hora de intervalo, mas como é muito longe e nem sabemos o caminho decidimos não arriscar", diz Viviane Massini, 17 anos.

Durante toda a tarde, as filas para comprar tíquetes de comida e bebidas eram enormes. "Fiquei uns 40 minutos na fila. É o tempo de um show inteiro", diz Leonardo Bezerra, 36. À noite, as filas diminuíram bastante, já que a maioria das pessoas acumulou na primeira compra fichas para a noite toda. Mas nem tudo é problema no espaço do autódromo. A organização tirou proveito do relevo cheio de declives e colocou os palcos principais em locais baixos. Mesmo longe do palco, nas laterais ou de frente, é possível ver e ouvir bem os shows de lugares mais altos. E, para quem quer descansar no meio da longa jornada musical, não falta gramado.