Ministro nega epidemia de dengue e diz que país teve 'elevação' de casos

Ministro nega epidemia de dengue e diz que país teve 'elevação' de casos

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse nesta segunda-feira (4) que o Brasil não vive uma situação de epidemia de dengue neste ano, mas de "elevação" no total de casos, e que o maior número de ocorrências seria resultado da crise hídrica e do "desarmamento" de ações de combate à doença por parte da sociedade.

Segundo balanço divulgado mais cedo pelo Ministério da Saúde, a incidência de notificações no país para cada grupo de 100 mil habitantes é de 367,8 – índice que para a Organização Mundial da Saúde (OMS) representa situação de epidemia (a classificação mínima para este estágio é de 300 casos para cada 100 mil habitantes).

Chioro concedeu entrevista na cidade de São Paulo, horas depois de sua pasta divulgar que o Brasil registrou 745,9 mil ocorrências de dengue entre 1º de janeiro e 18 de abril deste ano.

O total é 234,2% maior em relação ao mesmo período do ano passado e 48,6% menor em comparação com 2013, quando na mesma época houve 1,4 milhão de ocorrências da doença.

“Em relação a 2014, nós temos elevação em praticamente todo o país. Mas quando a gente trabalha com conceito de epidemia, nós temos duas possibilidades: ou a gente vê a série histórica e a comparação por um longo período, uma série de eventos ano a ano que nos permite ver a incidência da doença, ou adotamos o parâmetro da OMS, que considera comportamento epidêmico quando o número de casos tem incidência de 300 casos para cada 100 mil habitantes”, disse Chioro.

Segundo o ministro, há estados no país com comportamento de epidemia, principalmente São Paulo, responsável por boa parte dos casos. Ao todo, sete estados estão nessa situação: Acre, Tocantins, Rio Grande do Norte, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás (veja os números no gráfico).

 

O Sudeste tem a maior taxa de incidência entre todas as regiões do país, com 575,3/ 100 mil habitantes, seguido de Centro-Oeste (560,7/ 100 mil), Nordeste 173,7/ 100 mil), Sul (159,8/ 100 mil) e Norte (156,6/ 100 mil).

Descuido
Chioro afirmou que a queda de casos de dengue em 2014 em relação a 2013 ajudou “de certa forma” a prejudicar a mobilização da sociedade e algumas ações de prevenção à doença. No entanto, ele não culpa a população pelo aumento de casos. "Jamais colocaria a responsabilidade sobre a população. Lidamos com um problema muito complexo", disse.

Além disso, afirmou o ministro, as condições climáticas neste ano “favoreceram o início da epidemia antes do tempo”, já que "houve um adiantamento que não sabemos se vai se comportar com um encerramento mais rápido”.

Outro ponto citado por Chioro é uma possível influência da crise hídrica no aumento dos casos da doença, já que, pela falta de água em algumas localidades, houve maior armazenamento de água sem as devidas proteções.

"Agora que temos uma situação que não é favorável, não poderia me desresponsabilizar como autoridade sanitária máxima e quero compartilhar o desafio de controlar a dengue. Que a gente tenha em 2016 um verão mais protegido, com menos doenças, menos casos graves e menos óbitos, porque nós podemos fazer, mas trabalhando em 2015 todos juntos, sem atribuir à sociedade ou a uma esfera de governo a responsabilidade exclusiva pela doença", disse o ministro.

 

 

G1