Mercado financeiro vê queda maior do PIB em 2015 e 2016, diz Focus

Mercado financeiro vê queda maior do PIB em 2015 e 2016, diz Focus

As previsões do mercado financeiro para o nível de atividade da economia brasileira recuaram para este ano e para 2016, segundo relatório de mercado do Banco Central, que é fruto de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras. O relatório focus foi divulgado nesta segunda-feira (21).

Para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, os analistas passaram a estimar, na semana passada, uma retração de 2,70%. Foi a décima queda seguida deste indicador. Até então, a expectativa do mercado era de um recuo de 2,55% para o PIB de 2015. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras passaram a prever uma contração de 0,8% na economia do país – na sétima revisão para baixo seguida. Na semana anterior, os analistas haviam estimado uma retração de 0,60% para a economia no próximo ano. Para se ter uma ideia, no início de 2015, a previsão dos economistas era de uma expansão de 1,8% para a economia brasileira no ano que vem.

 

PREVISÃO PARA O PIB 2015
em %
-1,27-1,3-1,35-1,45-1,49-1,5-1,5-1,7-1,76-1,8-1,97-2,01-2,06-2,26-2,44-2,55-2,7em %29/0505/0612/0619/0626/0603/0713/0717/0724/0731/0707/0814/0821/0828/0804/0911/0918/09-3-2,75-2,5-2,25-2-1,75-1,5-1,25-1

Fonte: BC

Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948. O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

PREVISÃO PARA IPCA 2015
em %
8,468,798,9799,049,129,159,239,259,329,329,299,289,299,289,34em %05/0612/0619/0626/0603/0713/0717/0724/0731/0707/0814/0821/0828/0804/0911/0918/0998,258,58,759,259,5
Fonte: BC

Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira registrou retração 1,9% no segundo trimestre de 2015, em relação aos três meses anteriores, e o país entrou na chamada "recessão técnica", que ocorre quando a economia registra dois trimestres seguidos de queda. De janeiro a março deste ano, o PIB teve baixa de 0,7% (dado revisado).

Inflação
A estimativa dos economistas dos bancos é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano de 2015 em 9,34% – na semana anterior, a taxa esperada era de 9,28%. Se confirmada, representará o maior índice em 12 anos, ou seja, desde 2003 – quando somou 9,30%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras elevaram sua expectativa de inflação de 5,64% para 5,70% na última semana. Foi a sétima alta seguida do indicador – que continua se distanciando da meta central de 4,5% fixada para o ano que vem.

Taxa de juros
Após o Banco Central ter mantido os juros estáveis em 14,25% ao ano no começo de setembro, o maior patamar em nove anos, o mercado manteve a estimativa de que não devem ocorrer novos aumentos de juros em 2015. Para o fim de 2016, a estimativa subiu de 12% para 12,25% ao ano.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, a instituição tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.

Câmbio, balança e investimentos
A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2015 avançou de R$ 3,70 para R$ 3,86 por dólar. Para o término de 2016, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio subiu de R$ 3,80 para R$ 4.

A projeção para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2015 ficou mantida em US$ 10 bilhões. Para 2016, a previsão de superávit sibiu de US$ 20 bilhões para R$ 21,3 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil permaneceu em US$ 65 bilhões. Para 2016, a estimativa dos analistas para o aporte foi reduzido de US$ 64,90 bilhões para US$ 63 bilhões.

 

 

 

G1