Manteiga enriquecida pode ajudar no tratamento do Alzheimer

Manteiga enriquecida pode ajudar no tratamento do Alzheimer

O consumo de manteiga enriquecida com um tipo especial de ácido graxo extraído do leite ajuda no tratamento de pacientes na fase inicial do Alzheimer, indicaram pesquisadores brasileiros em um experimento realizado com ratos de laboratório.

As provas demonstraram que uma dieta rica nessa manteiga modificada aumenta a atividade de uma enzima vinculada à memória e reduz os danos provocados pela doença nesta função, informou nesta quinta-feira a Universidade de São Paulo (USP), responsável pela pesquisa em seu site.

Os resultados do projeto, conduzido pelos pesquisadores do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, foram destacados na última edição da revista científica internacional "Journal of Neural Transmission".

Segundo os pesquisadores, o chamado ácido linoleíco conjugado, um ácido graxo que pode ser extraído das gorduras dos lácteos, ajuda o organismo a elevar a atividade no cérebro da fosfolipase A2, uma enzima com ação sobre a memória.

De acordo com os responsáveis pelo projeto, a enzima atua diretamente sobre as gorduras que constituem as membranas celulares, que, entre outras funções, ajudam na formação da memória.

Em pacientes saudáveis estas membranas são flexíveis e se renovam periodicamente, mas nos portadores de Alzheimer são rígidas, o que dificulta a liberação dos ácidos graxos, além de não serem substituídas na mesma velocidade.

"Vimos que a ação desta enzima é alterada nos pacientes com Alzheimer, por isso começamos a analisar como poderíamos alterar o metabolismo da fosfolipase A2 nestes pacientes", explicou a chefe do Laboratório de Neurociências da USP, Leda Talib, que coordenou o projeto.

Os experimentos com ratos, que começaram a ser realizados há cinco anos, mostraram que o tratamento é eficaz em pacientes no estágio inicial da doença, mas os pesquisadores tentam estabelecer se também pode prevenir o Alzheimer.

"Quando os sintomas começam a aparecer é porque a doença já está estabelecida. Não sabemos em que momento ela começa, mas vamos investigar para estabelecer se o tratamento também pode ser preventivo", disse.

Talib acrescentou que ainda serão realizados outros experimentos com ratos para descobrir os efeitos colaterais da dieta rica em manteiga modificada antes de iniciar a fase de testes clínicos com humanos. "Precisamos saber se essa dieta pode provocar danos na saúde", esclareceu.

 

 

 

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