Líderes do PSDB defendem movimento em prol de novas eleições para superar crise

Líderes do PSDB defendem movimento em prol de novas eleições para superar crise

Os líderes do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), e no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), defenderam, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (6), um movimento em prol de novas eleições diretas para a Presidência da República. Os tucanos acreditam que apenas a sociedade pode dar legitimidade para que um novo governante trace um projeto de país e supere a crise política e econômica atual.

A defesa feita pelos líderes tucanos segue no sentido de que a sociedade cobre a realização de um novo pleito que se dará após a comprovação de irregularidades na campanha petista em 2014. “Em setembro, o julgamento do TSE vai implicar na cassação dos mandatos daqueles que foram eleitos, caso comprovada a criminalidade das condutas nas eleições. Isso é um fato concreto e que antecede qualquer julgamento de impeachment dentro da Câmara. É uma constatação inequívoca”, explicou Sampaio.

O Tribunal Superior Eleitoral analisa pedido de cassação da chapa encabeçada por Dilma nas eleições do ano passado. A petição, assinada pelo PSDB, aponta diversas irregularidades passíveis de serem consideradas como abuso de poder político e econômico. Entre elas o uso indevido dos meios de comunicação e utilização da cadeia nacional de rádio e televisão para fazer promoção pessoal da então candidata à reeleição. Na ação é citada ainda a campanha milionária que superou a soma das despesas de todos os demais candidatos e o recebimento de doações de empreiteiras contratadas pela Petrobras como parte da distribuição de propinas.

Sampaio explicou que a proposta em prol de um movimento a favor de novas eleições vai ao encontro de afirmativas feitas pelo vice-presidente, Michel Temer, de que o país precisa de uma pessoa que possa conciliar os interesses nacionais e encontrar uma saída para a crise.  

“Temos dois pontos em comum com a fala dele. Reconhecemos que Dilma não tem autoridade para promover qualquer mudança ou união do país para transpor os muitos obstáculos existentes. Também concordamos que é preciso identificarmos uma pessoa que possa de fato construir um projeto  nacional para salvar a nação da grave crise ética e política que se encontra. Mas essa pessoa só terá condições para isso se for legitimada pelo voto popular”, destacou o deputado.

Cássio Cunha Lima endossou as declarações de Sampaio. “Não vamos construir a solução apenas dentro dos muros do Congresso. Só trazendo a população para construir a solução é que vamos dar essa legitimidade a alguém”, avaliou. O senador negou que tenha havido uma postura conspiratória nas declarações feitas por Temer e disse que o Brasil vive um momento completamente diferente daquele que levou ao impeachment de Collor.  

De acordo com os parlamentares, a iniciativa é legítima e tem base constitucional, já que a Carta Magna diz que todo poder emana do povo. Os tucanos rechaçaram qualquer possível interpretação de golpe e voltaram a afirmar que os encaminhamentos jurídicos devem continuar – pedido de impugnação da candidatura de Dilma e Temer no TSE e análise das contas do governo no TCU. A avaliação de ambos, porém, é de que será necessário convocar novas eleições diante da comprovação das irregularidades praticadas pela campanha petista.

 

Crise e homenagem
Sampaio afirmou que o programa partidário do PT, que será veiculado na noite desta quinta-feira, zomba dos brasileiros. Segundo observou, os petistas tratam com ironia os panelaços realizados pela população durante os pronunciamentos da presidente da República, desconsiderando que isso é uma demonstração da indignação da sociedade pelas mentiras da petista e de seu governo. “Por essa razão fazemos o chamamento nacional para que os brasileiros estejam nas ruas no dia 16 de agosto nesse amplo movimento social para que juntos possamos externar a nossa indignação com esse governo criminoso”.

 

O deputado considerou uma homenagem o fato de sua foto e de outros integrantes do PSDB aparecerem na propaganda partidária do PT como pessoas contrárias ao governo. “Me senti honrado e homenageado em ter minha foto colocada no programa do PT como alguém que se contrapõe ao governo deles, pois nos indignamos com o que aí está. Denunciar irregularidades, apontar as mentiras e identificar os criminosos é dever da oposição.”, disse.

Sampaio rechaçou, porém, que a oposição seja acusada de causar qualquer tipo de crise no país. “Um governo que começou com ampla maioria na Câmara e hoje tem menos de 130 parlamentares, não foi por uma ação da Oposição, pois eles eram 400 e nós cerca de 100. Assim como também não foi uma ação da oposição que levou o Brasil a esse grave crise”, avaliou. A volta do ex-ministro José Dirceu à prisão comprova, de acordo com ele, onde está o cerne da crise: no coração do PT. “É o proceder do governo que leva à indignação das ruas.”

 

 

 

 

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