Líderes de 13 partidos assinam nota a favor da permanência de Cunha

Líderes de 13 partidos assinam nota a favor da permanência de Cunha
Líderes de 13 partidos, incluindo os governistas PMDB, PP, PR, PSD e PTB, divulgaram nesta quarta-feira (11) uma nota em defesa da permanência do presidente da Câmara dos Deputados,Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no cargo. Também assinam o documento os líderes do PSC, PRP, PTN, PTdoB, PHS, SD, PEN e PMN.
 
Investigado na Operação Lava Jato, Cunha também é alvo de um processo no Conselho de Ética por suposta quebra de decoro parlamentar. Ele é acusado de ter mentido em depoimento à CPI da Petrobras sobre a existência de contas secretas na Suíça. Em entrevista ao G1 e à TV Globo, Cunha negou ser dono de contas no exterior, mas disse ter o usufruto de trustes mantidos naquele país.
 
A nota de apoio a Cunha foi lida na tribuna do plenário pelo líder do PSC, André Moura (SE), um dos aliados mais próximos de Cunha, pouco depois de o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), ler uma nota pedindo o seu afastamento do cargo.
 
Segundo Moura, os 13 partidos somam 231 deputados. Na nota, os partidos afirmam que as denúncias apresentadas contra Cunha “seguirão o curso do devido processo legal”, onde o peemedebista terá condições de se defender. Eles criticam ainda o que classificam de politização da situação e destacam que “eventuais disputais políticas não podem prevalecer para paralisar o funcionamento da Casa”.
 
O líder do PSD, Rogério Rosso (DF), disse que decidiu assinar o documento por acreditar que o presidente da Câmara tem o “direito de se defender no cargo”. “Qualquer cidadão tem que ter a garantia da ampla defesa e do contraditório. E a Casa não pode parar por causa desse processo. A crise é forte e o país precisa enfrentar vários temas em plenário”, afirmou.

 

 

'Deslealdade'
Aliados de Cunha ouvidos pelo G1, na condição de anonimato, disseram que ele ficou “enfurecido” com a decisão da bancada do PSDB de divulgar uma nota pedindo seu afastamento. O peemedebista teria dito que houve “deslealdade” por parte da legenda da oposição. Um dia antes de assinar a nota, Carlos Sampaio almoçou na residência oficial do presidente da Câmara, junto com outros deputados considerados “aliados”.

 

Com um discurso mais comedido na tribuna da Câmara após a divulgação da nota, o líder do PSDB tenta evitar que a postura do  partido provoque em Cunha a reação de arquivar pedidos de impeachment da  Dilma.

 

O peemedebista, por sua vez, já declarou nos bastidores ter consciência de que, se arquivar o pedido, poderá ser alvo de cobranças de parcela da população que ainda o defende por acreditar que irá prejudicar o governo do PT.
 
Veja a íntegra da nota:
 
Os líderes dos partidos abaixo assinados vêm a público manifestar sua posição com relação às denúncias apresentadas contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha:

 

1 - Ratificamos o total apoio e confiança em sua condução na presidência da Câmara dos Deputados

2 - As denúncias apresentadas seguirão o curso do devido processo legal, onde haverá condição de defesa e julgamento por instâncias próprias e o princípio da presunção da inocência, consagrado em nossa Constituição, deve prevalecer para qualquer cidadão, inclusive o presidente da Câmara dos Deputados

3 - Eventuais disputas políticas não podem prevalecer para paralisar o funcionamento da Casa no momento em que o país exige e espera que a Câmara dos Deputados delibere as matérias que o Brasil precisa para retomar o crescimento.

 

 

 

 

G1